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Com a aprovação do uso recreativo da erva em 32 estados norte-americanos, envio de drogas passou a ter origem em Washington, diz associação

Outros 28 estados do país já permitem o uso da planta para tratamento medicinal
Divulgação
Outros 28 estados do país já permitem o uso da planta para tratamento medicinal


O tráfico de drogas entre o México e Estados Unidos está tomando a direção inversa após a legalização do uso recreativo da erva ser aprovada mais quatro estados (Califórnia, Massachusetts, Nevada e Maine) no referendo do último dia 8 de novembro. 

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Em meio à corrida presidencial à Casa Branca, vários referendos foram votados, como a pena de morte, o ajuste do salário mínimo e a legalização do uso recreativo da cannabis . Outros 28 estados do país já permitem o uso da planta para tratamento medicinal.

A problemática da aprovação gira em torno de que as decisões norte-americanas estão direcionando o contrabando da maconha, principalmente no México, que já tem sinais de rumos radicalmente diferentes.

"É o que eu chamaria de contrabando inverso, agora a maconha vai dos EUA para o México", afirmou Bernando Ng Solís, presidente da Associação de Psiquiatras Latinos do EUA, durante a conferência "Drogas e Saúde Mental", no México.

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"É muito fácil conseguir maconha medicinal na Califórnia e há quem a traga para o México agora para consumo e a revenda aqui, depois de ter conseguido a erva legalmente nos EUA", declarou Ng Solís.

México é o maior produtor de maconha do continente americano e continua sendo uma indústria multimilionária
Maj. Will Cox/Georgia Army National Guard
México é o maior produtor de maconha do continente americano e continua sendo uma indústria multimilionária


Maior Produtor

O México é o maior produtor de maconha do continente americano, e continua sendo uma indústria multimilionária que é dirigida clandestinamente por organizações criminosas.

Enquanto isso, para uma boa parte dos EUA e em breve, provavelmente, o Canadá - que em 2017 será votada a proposta de legalização - essa indústria cada vez mais demonstra que cairá nas mãos de empresários privados.

Um estudo do Instituto Mexicano para a Competitividade (IMCO) considera que a legalização da maconha para fins recreativos em ao menos um quinto dos estados norte-americanos é um golpe formidável para os narcotraficantes do México.

"Perder essa fonte de comércio seria a mudança mais estrutural no narcotráfico desde a chegada massiva da cocaína - entre os anos de 1980 e o começo de 1990", destacou o presidente da associação.

O especialista Alejandro Hope prevê que este processo resultará, no fim, com a legalização da droga também no México; porém, é preciso superar numerosos obstáculos para isso, entre eles a opinião pública.

Uma pesquisa local mostrou que 76% dos mexicanos rechaçam a legalização recreativa da erva, em contradição aos 74% que são a favor do uso terapêutico.

O presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, enviou ao Congresso, em abril do ano passado, uma iniciativa para o uso da planta na medicina e para aumentar a dose mínima permitida (cinco gramas), no caso de porte pessoal, para 28 gramas.

A proposta enfrentou dura resistência principalmente pelo último aspecto. A Igreja Católica, junto com frentes conservadoras, não quer aumentar a quantidade para porte.

Especialista Alejandro Hope prevê que este processo resultará, no fim, com a legalização da droga também no México
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Especialista Alejandro Hope prevê que este processo resultará, no fim, com a legalização da droga também no México


As mudanças norte-americanas afetam diretamente o narcotráfico mexicano. É o que defende o ex-chanceler Jorge Castañeda, que propõe às autoridades federais mexicanas "fechar os olhos" quanto ao trâmite da maconha.

É "absurdo" continuar "sacrificando vidas e recursos para queimar as plantações" e colocar postos de controle quando, depois de atravessar a fronteira, "a maconha é legal", diz ele.

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A causa é que outra parte da "lei da fronteira", na qual "os Estados Unidos tem os consumidores e o México, a droga e os mortos", não vai mudar a menos que esse governo asteca tem faça alguma coisa a este respeito, recorda o jornal "The New York Times".

* Com informações da Agência Ansa

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