Críticos afirmam que o líder levou Cuba à ruína econômica; cidade norte-americana é reduto de dissidentes cubanos, que o classificam como "tirano"

Enquanto alguns sorriem para as câmeras, outros dançam, choram de emoção e há ainda os que estouram garrafas de champanhe.
Reprodução/Twitter
Enquanto alguns sorriem para as câmeras, outros dançam, choram de emoção e há ainda os que estouram garrafas de champanhe.

A morte do ex-presidente Fidel Castro, líder da revolução que fez milhares de cubanos fugirem do país desde 1959, foi comemorada na madrugada deste sábado (26) em Miami, cidade dos Estados Unidos que é reduto de dissidentes . As informações são da Globo News e da agência EFE de notícias.

Dezenas de cubanos se reuniram com bandeiras americanas e de seu país no restaurante Versailles. Em vídeos divulgados na internet, é possível perceber uma multidão nos arredores do local.

Enquanto alguns sorriem para as câmeras, outros dançam, choram de emoção e há ainda os que estouram garrafas de champagne.

Ramón Saúl Sánchez, líder da organização do exílio cubano Movimento Democracia, lamentou que a morte de um "tirano" - como definiu Fidel Castro - não signifique "a liberdade do povo de Cuba". "É a maior tristeza que tenho em meu coração", afirmou o ativista.

Críticos da direita afirmam que Fidel Castro levou Cuba à ruína econômica, negando liberdades básicas à população, levando mais de um milhão ao exílio, torturando e assassinando outros.

A notícia da morte de Fidel Castro foi dada por seu irmão Raúl Castro, atual presidente de Cuba, pouco antes da meia-noite, por isso muitos miamenses de origem cubana ainda não souberam.

Fidel Castro fez história na América Latina

O início da história de Fidel Castro na política deu-se em 1950, quando filiou-se ao Partido Comunista. Três anos depois, ao lado do irmão Raul Castro, Fidel liderou 150 homens em um ataque a um quartel em Santiago de Cuba. O plano acabou frustrado e o político foi capturado e condenado a 15 anos de prisão. 

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Em 1955, Fidel criou o Movimento Revolucionário 26 de julho, mesmo ano em que uma anistia libertou ele e seu irmão. Também neste ano conheceu o líder argentino Ernesto "Che" Guevara, no México, e recrutou homens para dar início à guerrilha contra Fulgêncio Batista. 

No final de 1956, Fidel inicia a guerrilha, que derrotou Fulgêncio três anos mais tarde. Ainda em 1959 assumiu o poder. No ano seguinte, o líder nacionalizou empresas americanas, ao mesmo passo que os EUA proibiram exportações destinadas à Cuba, com exceção de remédio e comida.

Em 1961, os EUA rompem relações diplomáticas com o país e Fidel declara que Cuba é uma nação socialista.

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Em 1991, com a queda da União Soviética, Cuba perde sua maior aliada e inicia, então, um período com restrições econômicas, autorizando, inclusive, abertura ao dólar americano.

Em 1997, Fidel Castro declara Raul Castro, seu irmão mais novo, como seu sucessor. Em fevereiro de 2008 renunciou oficialmente o cargo devido a problemas de saúde. Desde então, os cubanos pouco viam o líder aparecer em público.