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Agência da ONU estima que, só neste ano, cerca de 327 mil pessoas já atravessaram o mar com destino à Europa; número pode ser ainda maior

Segundo estimativa da Acnur, a cada 88 imigrantes que tentaram entrar na Europa neste ano, um morreu
Massimo Sestini/Italian Navy
Segundo estimativa da Acnur, a cada 88 imigrantes que tentaram entrar na Europa neste ano, um morreu

Autoridades internacionais informam que, entre janeiro e outubro de 2016, pelo menos 3,8 mil imigrantes morreram ou desapareceram no Mar Mediterrâneo ao tentar sair do Oriente Médio rumo à Europa. Segundo William Spindler, representante da Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), este foi o ano com maior número de ocorrências de mortes entre os refugiados.

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O total de óbitos, entretanto, pode ser bem maior, já que o levantamento foi feito informalmente, com base em incidentes registrados recentemente e em testemunhos colhidos pelos integrantes da Acnur. A agência, ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), é especializada no atendimento a imigrantes em locais de conflito ou fortemente afetados pela miséria.

"Nós recebemos informações segundo as quais muitas pessoas estão mortas ou desaparecidas. Se trata, claramente, de uma estimativa", acrescentou Spindler, reforçando a possibilidade de que o número de vítimas fatais possa ser significativamente maior.

Em 2015, foram registradas pela Acnur 3.771 mortes pela Acnur no Mar Mediterrâneo. Ainda no ano passado, a agência contabilizou a chegada de 1.015.078 refugiados à Europa . De janeiro a outubro de 2016, 327,8 mil pessoas já conseguiram fazer a travessia, segundo a estimativa do órgão.

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Com base nos dados levantados, a Acnur estima que a cada 88 indivíduos que tentaram fazer a travessia ao continente europeu, uma morreu ou desapareceu. Considerando somente o chamado Mediterrâneo Central, que é a área que dá acesso à Itália por meio do Canal da Sicília, a letalidade é ainda maior: uma morte para 49 vivas. No ano passado, a taxa de mortalidade total era de um óbito para cada 269.

A contabilização de vítimas feitas pela Acnur ainda não considerou os 25 cadáveres encontrados por integrantes da ONG Médicos Sem Fronteiras e que estão sendo levados para a Itália no navio Bourbon Argos, da entidade.

Divergências

Os dados da Acnur são diferentes dos levantados pela Organização Internacional para a Migração (OIM). A instituição contabilizou 3.671 mortes no Mar Mediterrâneo entre 1º de janeiro e 25 de outubro de 2016. Do total de vítimas fatais, 3.195 foram encontradas na região central. Ao todo, a entidade estima que 328,2 mil pessoas chegaram à Europa por vias marítimas neste ano.

Em setembro, um navio que partiu do Egito para a Itália naufragou no Mediterrâneo  e deixou pelo menos 200 imigrantes mortos. A viagem era organizada por traficantes, que cobravam dinheiro dos refugiados que quisessem tentar a sorte na travessia ilegal.


* Com informações da Ansa

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