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Entidade afirmou que vários tribunais penais inferiores entraram com ações alegando que primeira fase foi fraudada em pelo menos cinco regiões do país

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, enquanto participava da 7ª Cúpula de Chefes de Estado em Havana, em junho
Ismael Francisco/ Fotos Públicas - 04.06.2016
Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, enquanto participava da 7ª Cúpula de Chefes de Estado em Havana, em junho

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela suspendeu o processo de coleta de assinaturas da segunda etapa para requerer um referendo revogatório contra o presidente Nicolás Maduro .

Em nota, a entidade afirmou que vários tribunais penais inferiores entraram com ações alegando que a primeira fase, que recolheu 1% das assinaturas equivalente ao número de eleitores da Venezuela , foi fraudada em pelo menos cinco regiões. "Estas decisões têm como consequência a paralisação" da etapa seguinte, que terá que coletar 20% de assinaturas – cerca de 4 milhões de firmas.

A coleta final, antes de ativar o revogatório, começaria no dia 26 de outubro e a oposição, por meio da coalizão Mesa de Unidade Democrática (MUD), criticou a medida. O secretário-executivo da MUD, Jesús Torrealba disse que a "alternativa de luta" não está descartada. "Eles não podem adiar a mudança que o povo está pedindo", acrescentou.

As pesquisas de opinião mostravam que a oposição conseguiria coletar as assinaturas necessárias em todos os estados venezuelanos, abrindo, assim, o processo para o revogatório. Mesmo que o CNE, que tem a maioria de indicados por Maduro, volte atrás, a manobra atrasa os planos da oposição  de retirar o mandatário do poder.

Isso porque se o referendo se realizar até 10 de janeiro de 2017, deverão ser convocadas novas eleições presidenciais, de acordo com a legislação venezuelana.

Se ocorrer depois de 10 de janeiro de 2017, o vice-presidente Aristóbulo Isturiz assumirá o comando do país até 2019, quando termina o atual mandato. No dia 28 de setembro, o CNE afastou a possibilidade de o referendo contra o presidente da Venezuela se realizar antes de meados do primeiro trimestre de 2017.

Crise

Eleito em 2013, Nicolás Maduro é acusado pela oposição de má administração em meio a uma crise política e econômica sem precedentes no país. A Venezuela sofre com uma inflação galopante (a maior da América Latina), acompanhada de uma crise produtiva, problemas de distribuição de produtos de primeira necessidade , mercado afetado por medidas de restrição e regulamentação. Estima-se que cerca de 76% da população local esteja vivendo abaixo da linha da pobreza. Em 2014, essa cifra era de pouco mais de 50%. 

* Com informações da Ansa

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