Washington acusa Moscou e Síria de coordenarem bombardeio a comboio humanitário em Aleppo; conflito no país já deixou 400.000 mortos, diz ONU

Mais de 275,000 civis, entre eles 100,000 crianças, estão presos nas áreas onde ocorrem os bombardeios na Síria
Al Jazeera/ Reprodução 24.09.2016
Mais de 275,000 civis, entre eles 100,000 crianças, estão presos nas áreas onde ocorrem os bombardeios na Síria


O Departamento de Estado norte-americano interrompeu nesta segunda-feira (3) todos os contatos bilaterais com a Rússia sobre a situação na Síria por conta de operações militares conduzidas pelo país europeu ao lado do regime de Bashar al Assad.

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Segundo o Pentágono, Moscou e Damasco insistem em seguir pelo caminho bélico, ao invés de promover o fim das hostilidades na Síria

"Isso foi demonstrado pelos ataques em áreas civis, mirando em infraestruturas essenciais, como hospitais, e evitando a chegada de ajuda humanitária", diz uma nota do Departamento.

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Além disso, os EUA acusam Assad e a Rússia de terem bombardeado um comboio humanitário em Aleppo no dia 19 de setembro, matando 21 pessoas. O incidente ocorreu poucas horas depois do fim de uma frágil trégua acertada por Washington e Moscou, que previa até o início de colaboração militar entre as duas potências para combater grupos terroristas.

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Segundo o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Gennady Gatilov, o Kremlin está tentando "retomar" as conversas com os Estados Unidos sobre um novo cessar-fogo na Síria.

De acordo com o jornal americano "The New York Times", mais de 275.000 civis, entre eles 100.000 crianças, estão presos nas áreas onde ocorrem os bombardeios na Síria. Centenas de pessoas morreram na última semana enquanto os três países negociavam a continuação do cesar-fogo. 

Apesar do fracasso das negociações, a nota do Departamento de Estado garantiu que as forças militares de Washington na Síria devem continuar a coordenação dos ataques áreos com o exército de Moscou. 

Guerra sem Fim

O conflito na Síria começou em 2012 e já deixou 400 mil pessoas mortas, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). Grupos terroristas lutam contra o governo de Bashar Al Assad. Desde 2014, os EUA, junto com o Reino Unido e a França, realizam bombardeios aéreos no país, mas procuram evitar atacar as forças do governo sírio.

*Com informações da Agência Ansa