Presidente da Venezuela diz que EUA pressionam por golpe de Estado no país

Nicolás Maduro afirmou que Barack Obama organiza uma "conspiração golpista" para derrubar seu governo
Foto: Marcos Oliveira/ Agência Senado
Presidente venezuelano reagiu a jornal que declarou haver ameaça à democracia no país


O presidente da Venezuela Nicolás Maduro acusou os Estados Unidos de estarem "desesperados" para avançar com um golpe de Estado contra o seu governo e de usarem a imprensa norte-americana para pedir uma intervenção estrangeira na Venezuela. "Que razões tem esse império decadente e imoral para que um dos jornais que sempre tem servido como impulsionador de golpes de Estado apele a uma intervenção na Venezuela?", disse Maduro em Caracas, na quarta-feira (13), nas cerimônias de celebração do Dia Nacional da Milícia Bolivariana.

Ele comentou o editorial publicado pelo jornal The Washington Post, que defendia a necessidade de uma intervenção. "Condeno e refuto todas as ameaças que se fazem desde Washington contra a Venezuela", afirmou o presidente.

Nicolás Maduro pediu às Forças Armadas venezuelanas para analisar e atualizar todos os planos de defesa nacional. Segundo o presidente, a Casa Branca organiza uma conspiração golpista para derrubar o governo bolivariano. Ele considerou que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, "revelou as suas verdadeiras intenções" ao pedir a substituição da gestão do país.

"Pela primeira vez, um presidente dos EUA, em tempo de revolução, pede publicamente a 'substituição imediata' do governo constitucional e legítimo da Venezuela", disse, convocando a população a "levantar a voz da dignidade e a condenar a ingerência golpista do governo dos Estados Unidos em assuntos que dizem respeito só aos venezuelanos".

O editorial publicado pelo The Washington Post alega que a Venezuela precisa de uma interferência estrangeira como forma de preservar a democracia na região. "A Venezuela precisa desesperadamente de intervenção política dos [países] vizinhos, que têm um mecanismo pronto na Organização dos Estados Americanos, a Carta Democrática Interamericana – tratado que prevê ação coletiva quando um regime viola as normas constitucionais", diz o jornal.

Segundo o Washington Post, "os líderes da região estão distraídos", já que o "Brasil sofre a sua própria crise política e a administração de Obama está preocupada com Cuba". E conclui afirmando que o governo cubano de Raúl Castro usa "o seu controle sobre as forças de segurança e informações da Venezuela e ajudam, há muito tempo, Maduro a fomentar táticas 'kamikazes'. É provável que uma explosão não esteja longe".

Veja imagens dos protestos a respeito da crise na Venezuela:


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