Ex-ministro argentino citado na Operação Lava Jato é preso por corrupção

Ex-ministro kirchnerista que negociou com a Odebrecht teria superfaturado trens em contratos com países europeus; jornal argentino diz que polícia o encontrou escondido em armário
Foto: Creative Commons/Presidencia de la Nación Argentina
Ricardo Jaime foi ministro dos Transportes durante gestões de Néstor Kirchner e Cristina Kirchner

O kirchnerista Ricardo Jaime, que comandou a pasta de Transportes na Argentina entre 2003 e 2009, foi preso sob acusação de corrupção neste sábado (2), em Córdoba, na Argentina. O juiz Julián Ercolini determinou a reclusão do funcionário, que passou pelos governos de Néstor Kirchner (2003-2007) e Cristina Kirchner (2007-2015), e de seu assessor Manuel Vázquez por superfaturamento na compra de trens usados da Espanha e de Portugal, em um negócio de € 100 milhões (R$ 404 milhões).

Ambos foram citados pela investigação Lava Jato em fevereiro como possíveis beneficiários de propina em outro caso ligado ao transporte ferroviário. Em uma troca de e-mails com um diretor da Odebrecht, Vázquez reclamou da falta de um pagamento em março de 2010, fim do primeiro mandato de Cristina. Nas mensagens, é citado o aterramento da linha de trem metropolitano Sarmiento, provavelmente a obra que motivou o suborno. Os documentos foram passados à Justiça argentina.

Vázquez é suspeito de captar dinheiro para campanhas kirchneristas e, segundo o jornal "La Nación", estava escondido em um armário de casa quando a Polícia Federal o deteve. Jaime se entregou depois de saber da emissão da ordem de captura. O engenheiro de 61 anos já foi acusado em mais de 30 causas judiciais e responde a 20. Na mais conhecida delas, foi condenado a seis anos de prisão por fraude administrativa na investigação de um acidente ferroviário que matou 55 pessoas em 2012. Na ocasião, um trem colidiu contra a plataforma da Estação Once, uma das principais de Buenos Aires. Concluiu-se que compras feitas por Jaime não condiziam com a qualidade dos vagões que circulavam. Ele espera por uma decisão final da Justiça.

No ano passado, Jaime admitiu ser corrupto. Devolveu 2 milhões de pesos (R$ 480 mil) para não enfrentar um ano e meio de prisão. Entre outros delitos pelos quais responde, estão enriquecimento ilícito, abuso de autoridade, associação ilícita e lavagem de dinheiro.

Integrantes do governo argentino que pressionam pela investigação de denúncias de corrupção durante o kirchnerismo celebraram a detenção de Jaime. "Começa a ser feita Justiça. Durante anos fui acusada de denunciar sem provas, mas elas sempre existiram", disse a deputada Elisa Carrió, uma das mentoras da coalizão de centro-direita Cambiemos, que levou Mauricio Macri ao poder. Parte dos governistas é mais cautelosa, diante da necessidade de apoio no Congresso de peronistas dissidentes que pertenceram à administração anterior.

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