Cinco anos de tsunami no Japão: destruição vista por fotógrafo que fugiu da água

Por BBC | - Atualizada às

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Em 2011, o fotógrafo Shinpei Kikuchi pegou sua câmera e saiu correndo para regiões mais altas de Kamaishi quando as ondas gigantes chegaram, deixando rastro de devastação

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Fotógrafo Shinpei Kikuchi registrou a destruição causada pelo tsunami em Kamaishi, no Japão
Shinpei Kikuchi
Fotógrafo Shinpei Kikuchi registrou a destruição causada pelo tsunami em Kamaishi, no Japão


Quando o nordeste do Japão foi atingido pelo forte tremor de 9 graus de magnitude no dia 11 de março de 2011, a primeira coisa que o fotógrafo Shinpei Kikuchi, de 67 anos, fez foi pegar a câmera e sair correndo para a região mais alta da cidade.

"Corri em direção a um centro de evacuação com o tsunami perto dos meus calcanhares", lembra o japonês, que passou a fotografar toda a fuga. "Não tirei as fotos com o objetivo de fazer um registro daquele acontecimento para mostrar às pessoas depois. Foi apenas um instinto", diz.

As fotos de Kikuchi hoje viajam o Japão todo e, na semana que marca os cinco anos de uma das piores tragédias naturais da história do país, a exposição foi aberta em Tóquio.

"Na medida do possível, quero que as pessoas não se esqueçam daquele dia. Quero que elas vejam as fotos e percebam também que a reconstrução está sendo feita", explica.

Fotos de Kikuchi hoje viajam o Japão todo
Shinpei Kikuchi
Fotos de Kikuchi hoje viajam o Japão todo









Tsunami em 2011 foi uma das piores tragédias naturais da história do Japão
Shinpei Kikuchi
Tsunami em 2011 foi uma das piores tragédias naturais da história do Japão



Ondas gigantescas deixaram rastro de destruição no país
Shinpei Kikuchi
Ondas gigantescas deixaram rastro de destruição no país


Abrigo

Kikuchi voltou a viver na antiga casa com a esposa e os três filhos em Kamaishi, sua cidade natal localizada na província de Iwate, e que foi praticamente destruída pelas ondas gigantes.

Algumas das imagens mais fortes da tragédia são da pequena cidade, dos primeiros locais atingidos pelo tsunami. No dia de seu maior teste, os muros construídos para conter o mar não aguentaram a força da natureza.

Muros construídos para conter o mar não aguentaram a força da natureza
Shinpei Kikuchi
Muros construídos para conter o mar não aguentaram a força da natureza


Cidade foi totalmente atingida pelas águas
Shinpei Kikuchi
Cidade foi totalmente atingida pelas águas


Imagens mostram a força e violência do tsunami
Shinpei Kikuchi
Imagens mostram a força e violência do tsunami

Mas se a natureza destruiu Kamaishi, ela também salvou a maior parte de seus moradores. Colinas próximas à costa ofereceram a eles a segurança que as barreiras artificiais não conseguiram garantir.

"O tsunami foi mais rápido e mais forte do que eu imaginava", lembra ele. "Naquela correria, minha mulher ficou presa num telhado e foi levada pelas águas, mas conseguiu sobreviver e apareceu no abrigo à noite", conta.

Tsunami foi mais forte e mais rápido do que o fotógrafo imaginava
Shinpei Kikuchi
Tsunami foi mais forte e mais rápido do que o fotógrafo imaginava


Aguns moradores da pequena cidade conseguiram se salvar da força das águas
Shinpei Kikuchi
Aguns moradores da pequena cidade conseguiram se salvar da força das águas



Daquele dia em diante, o fotógrafo e a família passaram a viver como refugiados em abrigo provisório. Alguns meses depois foram para uma moradia alugada, enquanto reformavam a antiga casa.

"Tem gente que não sabe se vai poder sair dos abrigos temporários e retornar a suas casas antigas. Morar em outro lugar é uma possibilidade", lamenta.

Moradores passaram a viver como refugiados em abrigo provisório
Shinpei Kikuchi
Moradores passaram a viver como refugiados em abrigo provisório



Famílias tiveram as casas inteiramente destruídas
Shinpei Kikuchi
Famílias tiveram as casas inteiramente destruídas



Registro fotográfico

Para se manter ocupado, o japonês deixava o abrigo logo pela manhã para fotografar a cidade nos dias que se seguiram ao tsunami.

Enquanto a maioria das pessoas ainda dormia, ele andava pelos locais destruídos em busca de imagens. "Isso se tornou minha rotina diária."

Abrigo provisório para os sobreviventes  que perderam as casas
Shinpei Kikuchi
Abrigo provisório para os sobreviventes que perderam as casas


Algumas famílias não tiveram condições sequer de recontruir suas casas
Shinpei Kikuchi
Algumas famílias não tiveram condições sequer de recontruir suas casas


Criança salva e levada para abrigo provisório
Shinpei Kikuchi
Criança salva e levada para abrigo provisório


Fotógrafo também quis mostrar as imagens da reconstrução da pequena cidade
Shinpei Kikuchi
Fotógrafo também quis mostrar as imagens da reconstrução da pequena cidade

Ele segue fotografando. Acumula cerca de 30 mil imagens por mês, todas devidamente arquivadas com a ajuda dos dois filhos mais velhos, também fotógrafos.

Nestes cinco anos, Kikuchi registrou de tudo: a vida cotidiana, as mudanças de estação, eventos tradicionais e, principalmente, a reconstrução da cidade natal.

Kikuchi registrou de tudo: a vida cotidiana, as mudanças de estação, eventos tradicionais
Shinpei Kikuchi
Kikuchi registrou de tudo: a vida cotidiana, as mudanças de estação, eventos tradicionais


Kikuchi também registrou homenagens às vítimas
Shinpei Kikuchi
Kikuchi também registrou homenagens às vítimas

"Quero continuar a registrar as pessoas e mostrar, através das imagens, como elas se esforçam para reconstruir suas comunidades e, assim, garantir que as memórias desta catástrofe não desapareçam com o tempo."

Segundo dados oficiais do governo japonês, um total de 15.894 pessoas morreram no terremoto de 9 graus seguido de tsunami, que devastou o litoral nordeste do Japão. Outras 2.572 pessoas continuam na lista de desaparecidos.

Shinpei Kikuchi (ao centro), durante abertura da exposição em Tóquio
Shinpei Kikuchi
Shinpei Kikuchi (ao centro), durante abertura da exposição em Tóquio



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