EUA têm dia decisivo na disputa pela Presidência com votações em 12 Estados

Por iG São Paulo - Laís Martins e David Shalom | - Atualizada às

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Conhecida como Super-Terça, data foi essencial para Mitt Romney se garantir como candidato republicano em 2012

Favoritos nas pesquisas, Hillary Clinton e Donald Trump testam força de suas candidaturas nos EUA
Reprodução/Facebook/Twitter
Favoritos nas pesquisas, Hillary Clinton e Donald Trump testam força de suas candidaturas nos EUA

Os EUA terão nesta terça-feira (1°) um dos momentos cruciais para a definição dos nomes que disputarão as eleições presidenciais norte-americanas em novembro: a Super-Terça. Ao mesmo tempo, mais de uma dezena de Estados realizam votações pelos partidos Republicano e Democrata que colocam em jogo o apoio de centenas de delegados responsáveis por escolher qual dos pré-candidatos defenderá sua legenda na briga pelo posto hoje ocupado por Barack Obama.

A definição do número de delegados que apoiará cada um dos nomes é feita de duas maneiras. A principal delas são as primárias, eleições em voto secreto nas quais eleitores registrados nos partidos – e, em alguns casos, qualquer eleitor interessado – escolhem qual candidato apoiar dentro da legenda. A outra é por meio do caucus, assembleias preliminares distritais que escolhem representantes para apontar os delegados de cada Estado, responsáveis pela escolha final. 

Do lado Republicano, Alabama, Arkansas, Georgia, Massachusetts, Oklahoma, Tennessee, Texas, Vermont e Virginia realizarão primárias, enquanto Alasca e Minnesota, caucuses. Do Democrata, Alabama, Arkansas, Georgia, Massachusetts, Oklahoma, Tennessee, Texas, Vermont e Virginia fazem primárias, enquanto Colorado, Minnesota e o território da Samoa Americana, no Pacífico Sul, caucuses.

A importância da Super-Terça pode ser facilmente entendida pelos números, apesar da distância do sistema de escolha de candidatos com o usado no Brasil – onde, no máximo, os nomes são escolhidos em prévias fechadas, realizadas de uma só vez entre filiados dos partidos. Do lado republicano, quase 25% dos delegados de todo o país estão em jogo na data – um total de 595 nos 11 Estados onde a disputa será travada. Entre os democratas, são 865 representantes a serem definidos.

Donald Trump (ao centro) e os senadores Marco Rubio e Ted Cruz em debate no Texas
David J. Phillip/Associated Press/Estadão Conteúdo
Donald Trump (ao centro) e os senadores Marco Rubio e Ted Cruz em debate no Texas

Cada pré-candidato precisa de, no mínimo, 1.237 – Republicanos – e 2.383 – Democratas – delegados, respectivamente, para seguir em frente para defender o seu partido nas eleições até o fim das primárias, realizadas em todos os Estados norte-americanos, em junho. Após quatro prévias, o magnata Donald Trump lidera entre os republicanos, com 82 representantes garantidos, seguido por Ted Cruz, com 17, e Marco Rubio, com 16. Do lado Democrata, a ex-secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton está na frente, com 543 delegados, bem à frente do socialista Bernie Sanders, com 85.  

Assim, em apenas um dia, o jogo pode virar totalmente, com qualquer um dos nomes atualmente na disputa assumindo a liderança na corrida das legendas. "São muitos votos em jogo, então é uma disputa que realmente vai definir como as coisas seguirão daqui para frente na disputa. Se a Hillary vence hoje, por exemplo, fica com uma margem muito confortável entre os Democratas", avalia Luís Fernando Ayerbe, coordenador do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

"Ao mesmo tempo, entre os Republicanos, iremos ver qual candidatura se consolidará como alternativa à de Trump. Está em curso dentro do partido e de setores importantes da sociedade um movimento para que a legenda retome suas rédeas. Trump não a representa e os republicanos devem se focar no esforço para derrubá-lo. Por isso, uma união entre Cruz e Rubio deve ocorrer."

O governador socialista Bernie Sanders em debate com a ex-secretária Hillary em New Hampshire
ABC/ Ida Mae Astute
O governador socialista Bernie Sanders em debate com a ex-secretária Hillary em New Hampshire

Além de escolher aqueles que devem se tornar alvos de rivais – caso de Trump –, a Super-Terça também define os pré-candidatos nanicos que podem largar a disputa devido à falta de apoio dentro da legenda, como é provável que ocorra com o governador de Ohio, John Kasich. Foi o que fez Jeb Bush, ex-governador da Flórida, após fraco desempenho na Carolina do Sul.

De acordo com uma pesquisa nacional encomendada pela rede de notícias CNN, Trump é o favorito a vencer as primárias pelos republicanos, com 49% de apoio entre os eleitores do partido – bem à frente de Rubio (16%), Cruz (15%), Ben Carson (10%) e Kasich (6%). Hillary, por sua vez, se mostra como principal candidata dos Democratas, com 55% da preferência de seu eleitorado contra 38% de Sanders. 

"Mas, mesmo depois das primárias, ainda tem muita coisa para acontecer. O eleitorado tende a votar no candidato mais moderado e, quem diria, por enquanto, Trump está liderando com propostas extravagantes e discursos populistas", ressalta o cientista político João Paulo Peixoto, da Universidade de Brasília. "O eleitorado não é tão fácil de se entender, surpresas ainda podem acontecer."

Os resultados da Super-Terça começarão a ser conhecidos por volta das 21h – horário de Brasília – desta terça-feira.


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