Após Reino Unido, República Tcheca ameaça sair da União Europeia

Por Ansa | - Atualizada às

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Presidente do país se disse favorável a referendo sobre o tema; segundo pesquisa publicada no jornal "The Telegraph", três quintos da população tcheca se diz infeliz na União Europeia

Presidente da República Tcheca, Milos Zeman pede controle de fronteiras para os imigrantes
Reprodução/Facebook - 25.02.2016
Presidente da República Tcheca, Milos Zeman pede controle de fronteiras para os imigrantes

O presidente da República Tcheca, Milos Zeman, afirmou que é favorável em criar um referendo sobre a saída do país da União Europeia, ao estilo do que o Reino Unido fará em junho. Em entrevista ao portal "Parlamentnilisty ", o mandatário falou sobre o bloco e a política para imigrantes implantada com a ajuda da Alemanha.

"Eu sou da parte que é contrária à saída da União Europeia, mas adversário daqueles que querem impedir a possibilidade de uma votação sobre a questão", destacou Zeman. Segundo uma pesquisa realizada pela agência Stem, publicada pelo jornal "The Telegraph", três quintos da população tcheca se diz "infeliz" na União Europeia e 62% afirmam que votariam contra o sistema de cotas imigratórias imposto pelo bloco ao país.

O discurso de Zeman é um reflexo de uma entrevista concedida pelo primeiro-ministro tcheco, Bohuslav Sobotka, na qual afirmou que "se o Reino Unido deixar a União Europeia, poderemos esperar debates sobre abandonar a UE em alguns anos". Para ele, se os britânicos optarem pelo "sim" em 23 de junho, isso terá "um provável grande impacto" em todas as nações europeias.

Ao citar os "erros" da chanceler alemã Angela Merkel, Zeman afirmou que sua nação não está querendo "iniciar uma nova Guerra Fria", mas voltou a pedir o controle de fronteiras para identificar os imigrantes. Segundo o presidente, a Alemanha "deveria ter teto zero para solicitações de asilo", mas "Merkel é generosa". O mandatário ainda disse que a cultura islâmica é "incompatível" com a europeia, por isso refuta aceitar tantos estrangeiros do Oriente Médio.

A grande diferença entre os tchecos e os britânicos são as motivações para deixar o bloco. Enquanto os britânicos apontam questões econômicas e de poder de veto dentro da União Europeia, Praga tem na crise imigratória sua principal objeção à política do grupo.

Refugiados quebram uma cerca de arame farpado na fronteira entre a Macedônia e a Grécia
BORIS GRDANOSKI/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Refugiados quebram uma cerca de arame farpado na fronteira entre a Macedônia e a Grécia

O país é membro do chamado Viségraad (V4), ao lado de Hungria, Polônia e Eslováquia, e critica como a UE tem lidado com a crise imigratória – a maior desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Segundo esses países, a Grécia é a principal responsável pela crise, por não controlar corretamente suas fronteiras e deixar passar milhares de pessoas sem nenhum tipo de identificação.

O V4 é defensor ferrenho da volta dos controles nos postos de fronteira de cada Estado-membro, colocando em risco o Tratado de Schengen, que define a livre circulação de pessoas e mercadorias no bloco econômico. O grupo faz parte da "Rota dos Balcãs", que começa em território grego e de onde os imigrantes partem à pé passando por Macedônia, Sérvia, Croácia e Eslovênia a fim de finalmente atingirem Áustria ou Alemanha.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron: país dividido a respeito da permanência no bloco
Divulgação - 26.02.2016
O primeiro-ministro britânico, David Cameron: país dividido a respeito da permanência no bloco


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