Em referendo apertado, bolivianos rejeitam nova reeleição de Evo Morales

Por iG São Paulo * | - Atualizada às

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Apuração da rede de televisão ATB mostra 52,3% dos eleitores rejeitando proposta que podia mantê-lo no poder até 2025

O presidente da Bolívia, Evo Morales, se encontra com simpatizantes após votar, em Cochabamba
Noah Friedman/ABI/Divulgação - 21.02.2016
O presidente da Bolívia, Evo Morales, se encontra com simpatizantes após votar, em Cochabamba

Os bolivianos que foram às urnas rejeitaram a proposta de emenda constitucional que permitiria a Evo Morales disputar a reeleição pela terceira vez, em referendo realizado no país andino, neste domingo (21). As informações são baseadas em apuração da rede de televisão privada ATB.

O resultado, no entanto, não foi nada tranquilo para os opositores do presidente, no poder desde janeiro de 2006. Com 100% dos votos apurados, o "Não" à proposta contou com 52,3% de adesão popular contra 47,7% do "Sim", escancarando a divisão política e ideológica em território boliviano. 

Governada pela oposição a Morales, a cidade de El Alto, por exemplo, cuja prefeitura foi invadida e incendiada por simpatizantes do presidente na semana passada, teve 57% de votos favoráveis ao terceiro mandato, número próximo aos 55,9% da capital, La Paz, mas bem distante dos 87,2% contrários à proposta em Potosí e dos 64,6% partidários do "Não" em Santa Cruz de La Sierra, centro econômico da Bolívia e maior município do país.

Reduto eleitoral de Morales, a cidade de Cochabamba, onde o presidente votou e foi recebido com festa por simpatizantes, teve 62,4% contrários à proposta. Com o resultado, o atual mandato é seu último em sequência e termina em 2019 – a ideia era levá-lo até 2025.

Bolivianos votam no referendo na capital do país andino, La Paz: disputa bastante equilibrada
Enzo De Luca/ABI/Divulgação - 21.02.2016
Bolivianos votam no referendo na capital do país andino, La Paz: disputa bastante equilibrada

O governo federal fez a proposta sob a justificativa de que Morales está na verdade em seu segundo mandato, já que, para ele, a contagem deveria ser feita a partir da promulgação da nova Constituição do país, implementada na gestão do presidente boliviano, em 2009. 

País com cerca de 10 milhões de habitantes, de maioria indígena, a Bolívia tem vivido tempos de estabilidade econômica, com inflação controlada e crescimento em torno dos 4%, segundo dados oficiais e privados.

As últimas pesquisas de opinião divulgadas no início do mês indicavam que Evo e sua gestão teriam em torno de 60% de aprovação popular. No entanto, analistas destacaram nos últimos dias que episódios negativos recentes poderiam refletir no resultado deste domingo.

Entre eles estão a notícia de uma suposta ex-namorada do presidente que seria ligada a uma empresa chinesa com contratos com o governo e a morte de seis pessoas no protesto realizado na Prefeitura de El Alto, antigo reduto eleitoral de Evo.

A suposta ex-namorada – e um suposto filho que teriam tido juntos – dominou as redes sociais dos bolivianos. Evo reconheceu que teve um filho com a empresária Gabriela Zapata, em 2007, e que a criança teria falecido. "Essa poderia ser a primeira eleição na qual Evo não teria índices acima dos 50% ou 60% dos votos favoráveis", explicou o analista político José Luis Gálvez, do Instituto Equipos Mori.

Segundo ele, antes mesmo desses episódios, a pesquisa do instituto indicava um virtual empate entre o "sim" e o "não" em torno dos 40%, com cerca de 19% de indecisos: "A maioria aprova a gestão de Evo, mas esse apoio pode não ser refletido no respaldo à mudança constitucional para que ele busque mais um mandato".

* Com informações da BBC Brasil

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