Merkel sofre pressão por entrada de estrangeiros após ataques na Alemanha

Por Ansa |

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Mais de mil homens teriam participado de ato criminoso na noite de Réveillon; até o momento nenhuma pessoa foi presa

Após uma centena de estupros na cidade de Colônia, na Alemanha, o governo de Angela Merkel está sob pressão para limitar o número de estrangeiros que chegam ao país. Segundo a polícia, foram cerca de mil agressores que atuavam em pequenos grupos na noite de Réveillon. Eles circulavam as mulheres que estavam mais isoladas das comemorações e praticavam o crime. Até o momento, nenhuma pessoa foi presa.

O Ministério do Interior da região de Land-Renânia-Westfalia emitiu uma nota dizendo que investiga uma rede criminosa que atua na cidade vizinha de Düsseldorf – que fica a 40 quilômetros de Colônia. A afirmação tem como base episódios ocorridos em 2015 naquela cidade, só que em menor escala, em que o modus operandi era bastante similar.

Chanceler da Alemanha, Angela Merkel está sob pressão após a entrada de refugiados no País
Divulgação/Christlich Demokratische Union Deutschlands
Chanceler da Alemanha, Angela Merkel está sob pressão após a entrada de refugiados no País

Os ataques deixaram o país em choque e suscitaram debates acalorados nas mídias alemães sobre a entrada dos imigrantes. Isso porque uma das vítimas informou que os agressores tinham feições "árabes ou norte-africanas". Até uma manifestação foi realizada na cidade onde os casos ocorreram, cobrando uma postura de "fechamento de fronteiras" da chanceler – que se recusa a por uma limitação no fluxo.

Andreas Scheuer, secretário-geral do CDU, a coalizão de Merkel, afirmou que se for comprovado que os "culpados das agressões foram refugiados ou imigrantes com pedido de asilo, será o fim imediato de sua estadia na Alemanha".

Já o ministro alemão do Interior, Thomas de Maizière, destacou que os responsáveis pelos crimes "devem ser punidos independentemente das suas nações de origem". Ele ainda afirmou que, se "entre os bêbados que cometerão o crime há imigrantes", isso será "enfrentado de maneira aberta".

Além da pressão de grande parte dos alemães, Merkel enfrenta as forças dentro de seu partido, que querem impor o número de 200 mil refugiados por ano, o que está muito abaixo do que a Alemanha recebeu em 2015, quando foram solicitados mais de um milhão de pedidos.

Nesta terça-feira (5), Merkel chegou a telefonar para a prefeita do município, Henriette Reker, para exprimir sua indignação e pedir uma "dura resposta do Estado" contra os crimes.

Polêmica

Está rodando nas redes sociais um vídeo de Angela Merkel afirmando que os alemães "devem aceitar que os imigrantes são mais criminosos" do que o povo local. Os sete segundos da fala de Merkel aparecem fora de contexto e não há data sobre quando esse material foi gravado. Porém, as imagens provocaram uma série de críticas dos usuários das redes sociais, condenando a postura da chanceler.

União Europeia pede respeito às leis para imigrantes

A União Europeia pediu que os países do bloco respeitem às leis existentes para os estrangeiros que vão ao continente em busca de refúgio, após uma reunião com líderes da Dinamarca e Suécia nesta quarta-feira (6).

"Concordamos que [o Tratado de] Schengen deve ser respeitado e que as medidas tomadas devem ser mantidas apenas para o essencial, ou seja, até quando houver uma redução no fluxo", disse o comissário para a Migração e Cidadania, Dimitris Avramopoulos.

A reunião com os dois países, além da Alemanha, ocorreu após a Suécia anunciar medidas de checagem de imigrantes na fronteira com a Dinamarca e este último estar estudando implantar a mesma medida. As nações querem frear o alto número de pedidos de asilo recebido no ano passado.

O secretário alemão de Assuntos Internos, Ole Schroeder, afirmou ao fim do encontro que essas situações delicadas ocorrem porque as regras da União Europeia não são respeitadas, e os Estados-membros não querem colocar em prática as soluções apresentadas pelo Conselho Europeu para enfrentar a crise imigratória.

Já o ministro sueco para a Imigração, Morgan Johansson, voltou a aumentar o tom e disse que a UE precisa tomar "medidas para diminuir o fluxo sobre aquilo que se tornou uma auto-estrada" para os fluxos via Balcãs, e disse ser necessário "um reforço nas fronteiras externas". "Somos o país que recebeu o maior número de refugiados por capital. Chegaram 115 mil só nos últimos quatro meses e 26 mil menores de idade não acompanhados. Não podemos aceitar isso. Precisamos trabalhar juntos para proteger nossas regras", disse Johansson.

A ministra dinamarquesa do Interior, Inger Stojberg, confirmou que seu governo "reforçou os controles nas fronteiras", mas que ainda não "introduziu a obrigação do controle de identidade dos passageiros para as companhias de transportes". "Porém, estamos monitorando a situação hora por hora. Se necessário, colocaremos na hora a medida e com um pequeno pré-aviso", disse Stojberg.

Quem se manifestou sobre a possível restrição na entrada de estrangeiros na Europa foi o presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), cardeal Angelo Bagnasco. "Não há muro que possa parar esa marcha dos povos do sul pra o norte do mundo ou das multidões de pobres, daqueles que vivem o drama das guerras e da violência, da perseguição pela fé, até os países em que se espera que possam oferecer um amanhã melhor e uma liberdade mais verdadeira", disse Bagnasco em um missa em Gênova.

O presidente da CEI destacou que os ocidentais "são extremamente sensíveis à nossa liberdade, a nossa autonomia e a nossa independência". E que assim, "capturados pelo nosso eu individual temos o temor da ingerência dos outros, de qualquer ingerência, de qualquer intromissão, de qualquer palavra que indiquem o caminho a percorrer".

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