Para Benjamin Netanyah, acordo fornecerá ao Irã "centenas de bilhões de dólares para sua máquina de terror e sua expansão e agressão no Oriente Médio e ao redor do mundo"

BBC

Após intensas negociações em Viena, na Áustria, o Irã aceitou nesta terça-feira um acordo para limitar sua atividade nuclear em troca da suspensão de sanções econômicas internacionais.

O presidente americano, Barack Obama, disse que isso "acaba com qualquer caminho para a construção de uma arma nuclear" no Irã. O presidente iraniano, Hassan Rouhani, afirmou que está dado início a um "novo capítulo" nas relações do país com o mundo.

Reunião contou com secretário de Estado americano, John Kerry, ao lado de colegas da Alemanha, China, Grã-Bretanha, França e Rússia
Reprodução/BBC
Reunião contou com secretário de Estado americano, John Kerry, ao lado de colegas da Alemanha, China, Grã-Bretanha, França e Rússia

O acordo vinha sofrendo resistência de políticos conservadores do Irã e dos Estados Unidos. Obama, que está tentando convencer o Congresso americano dos benefícios do acordo, disse que ele obrigará o Irã a:

- remover dois terços das centrífugas instaladas e armazená-las sob supervisão internacional;
- livrar-se de 98% do urânio enriquecido que possui;
- aceitar que as sanções podem ser rapidamente aplicadas de novo caso do acordo seja violado;
- dar à Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA, na sigla em inglês) acesso "quando e onde for necessário".

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O Congresso americano tem 60 dias para avaliá-lo, mas Obama já afirmou que vetará qualquer tentativa de rejeitá-lo.

Mundo 'mais seguro'

As negociações entre o Irã e seis potências mundiais - Estados Unidos, Reino Unido, França, China, Rússia e Alemanha - começaram em 2006.

Chamado de P5+1, o grupo buscava garantias de que o Irã reduzisse significativamente sua atividade nuclear por temer que o país pudesse construir uma arma atômica. Por sua vez, o Irã afirmava que seus objetivos com este tipo de energia eram pacíficos.

Em um discurso na televisão, Obama afirmou que o acordo tornará o mundo "mais seguro" ao permitir que as instalações nucleares iranianas possam ser rigorosamente inspecionadas.

"Este acordo não é feito com base na confiança - é feito com base na verificação", disse Obama. Logo depois, foi a vez de Rouhani ir à TV. O presidente iraniano disse que "as preces dos cidadãos do seu país foram atendidas". 

Ele afirmou que o acordo levaria à remoção de todas as sanções, acrescentando que elas nunca foram bem-sucedidas. "Mas, ao mesmo tempo, afetavam a vida das pessoas", disse Rouhani.

'Crise desnecessária'
Tanto Rouhani quanto o ministro de Relações Exteriores do país, Mohammad Javad Zarif, se referiram à disputa em torno do programa nuclear do Irã como uma "crise desnecessária".

A chefe de politica externa da União Europeia, Federica Mogherini, disse que o acordo fechado na Áustria é "um sinal de esperança para todo o mundo". "É uma decisão que pode abrir um novo capítulo nas relações internacionais", disse ela.

O ministro Zarif afirmou que o acordo "não é perfeito para ninguém", mas que se trata do "melhor conquista possível".

Separadamente, a agência e o Irã assinaram um compromisso para resolver questões pendentes do programa nuclear iraniano.

A diretora da IAEA, Yukiya Amano, disse a jornalistas em Viena que sua organização firmou um passo a passo para "dar clareza ao passado e ao presente" deste programa.

Ela considerou o acordo um "avanço significativo", dizendo que ele permitirá que a agência "faça uma avaliação das possíveis dimensões militares do programa nuclear iraniano até o fim de 2015".

'Erro histórico'
Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyah, disse que o acordo "é um erro histórico" que fornecerá ao Irã "centenas de bilhões de dólares que servirão de combustível para sua máquina de terror e sua expansão e agressão no Oriente Médio e ao redor do mundo".

Kevin Connoly, correspondente da BBC no Oriente Médio, explica que os inimigos do Irã continuam a acreditar que o país está determinado a adquirir armas nucleares em algum momento e que os iranianos apenas aceitaram adiar este objetivo em troca de concessões de curto prazo.

"Existe ainda o perigo de que a Arábia Saudita pense que o poderio nuclear de um Estado xiita (como o Irã) deva ser equiparado pelos Estados sunitas", afirma Connolly.

"Isso faz com que o pesadelo de uma corrida por armas nucleares no Oriente Médio fique mais próximo da realidade."

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