Quem será capaz de conter o 'Estado Islâmico' no Iraque?

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Corrupção e falhas enfraquecem Forças Armadas do país, e divisão religiosa dificulta atuação de guerrilha popular

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Estado Islâmico comemora vitória no Iraque
Reprodução/Youtube
Estado Islâmico comemora vitória no Iraque

No último domingo (17), as tropas do governo iraquiano abandonaram suas posições na cidade de Ramadi, o que fez com que a capital da maior Província do Iraque, a apenas 112 km de Bagdá, caísse nas mãos do grupo autodenominado "Estado Islâmico".

A polícia e o Exército fizeram um recuo caótico após dias de intenso combate. O "EI" afirma ter capturado tanques e lançadores de mísseis largados pelos militares.

Eventos semelhantes ocorreram quando o "EI" ocupou Mosul, a segunda maior cidade do Iraque, Fallujah e Tikrit (todas em 2014), ainda que esta última tenha sido retomada pelo governo.

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O que explica a falência do governo iraquiano em enfrentar o "EI"? Será que outras froças armadas, como milícias xiitas, têm poder de fogo para vencer os extremistas?

Corrupção
No papel, as forças militares do Iraque têm tamanho considerável: um Exército de 193 mil e estimados 500 mil policiais e paramilitares, segundo estimativas de 2014 de grupos internacionais de estudos estratégicos.

A agência americana CIA calcula que o "EI" tenha até 31 mil combatentes no Iraque e na Síria - ou seja, numericamente bastante inferior às tropas oficiais. Mas esses números parecem não refletir a realidade do campo de batalha.

Uma investigação sobre a corrupção no Exército iraquiano, em novembro de 2014, identificou 50 mil nomes falsos na folha de pagamento da instituição.

Conhecidos internamente como "soldados fantasmas", eles já não se apresentavam mais para combate ou de fato não existiam. Mas seus salários continuavam a ser pagos.

Veja fotos de vítimas do Estado Islâmico

Kayla Mueller, refém norte-americana do Estado Islâmico, morreu na terça-feira (10 de fevereiro); segundo o grupo terrorista ela teria sido vítima de um bombardeio da Jordânia na Síria . Foto: APEstado Islâmico divulga vídeo onde suposto piloto jordaniano é queimado vivo em gaiola, no dia 3 de fevereiro. Foto: Reprodução/TwitterO jornalista japonês Kenji Goto foi morto pelos extremistas do Estado Islâmico no dia 30 de janeiro. Ele havia viajado para a Síria visando libertar o refém Yukawa. Foto: APImagem obtida por meio de vídeo do Estado Islâmico mostra o japonês Haruna Yukawa (à dir.), que foi decapitado em 24 de janeiro. Ele foi à Síria por ser fascinado por guerras. Foto: APO americano Peter Kassig foi identificado como o homem decapitado pelo Estado Islâmico em 16 de novembro de 2014. Ele era voluntário na Síria. Foto: ReutersNo dia 3 e outubro de 2014, o voluntário inglês Alan Henning foi decapitado pelos terroristas do Estado Islâmico. Foto: Reprodução/YoutubeVídeo mostra decapitação do refém britânico David Haines, que era voluntário na Síria e foi morto em 13 de setembro de 2014. Foto: ReutersImagem feita a partir de vídeo postado na internet pelo Estado Islâmico mostra jornalista americano Steven J. Sotloff antes de ser decapitado, no dia 2 de setembro de 2014. Foto: APInsurgentes do grupo jihadista Estado Islâmico divulgaram a decapitação do jornalista americano James Foley em 19 de agosto de 2014. Foto: Reprodução/Youtube

Falhas organizacionais
A máquina militar de Saddam Hussein foi completamente desmantelada após a derrubada do ex-presidente pelas forças norte-americanas, em 2003, e foi substituída por um Exército nacional não-sectário, ou pelo menos assim se esperava. Mas claramente houve erros no caminho.

Pode ter sido um erro tentar estabelecer um Exército em estilo ocidental, porém sem o preparo suficiente. A saída das forças norte-americanas do país, no fim de 2011, pôs fim ao treinamento e à orientação provida às tropas iraquianas, que ficaram despreparadas para combates futuros.

Além disso, antigos líderes militares da época de Saddam estão hoje entre os mais importantes comandantes do "Estado Islâmico".

Milícia xiita
Quando Mosul foi dominada pelo "EI", em junho de 2014, uma aliança de combatentes, chamada Força de Mobilização Popular, com dezenas de milhares de integrantes, foi formada para conter a ameaça do grupo extremista.

O Serviço Árabe da BBC relata que essa força é composta por dois grupos principais: um primeiro oriundo de fortes organizações paramilitares, como a Brigada Badr, braços do Hezbollah e outros (há relatos de que esses soldados sejam apoiados pelo Irã); e um segundo grupo, estimulado por clérigos xiitas a combater o sunita "EI".

Poucos dias depois de militantes do "EI" terem tomado o controle de Mosul, o mais importante clérigo xiita local fez um chamado às armas.

Segundo relatos recentes de Bagdá, muitos jovens xiitas têm se alistado em mesquitas e treinado para entrar nos campos de batalha.

Mas será que a Mobilização Popular conseguirá derrotar o "EI" em Ramadi?

O grupo conseguiu, recentemente, impor uma derrota militar ao "Estado Islâmico" ao retomar Tikrit. Mas as milícias também foram acusadas por grupos de direitos humanos de promover "ataques de vingança" contra sunitas da região.

Jaafar al-Hussaini, porta-voz do Kataib Hezbollah-Iraq, um dos grupos que integram a Mobilização, disse à BBC que, ainda que as milícias xiitas sejam aliadas próximas do Exército iraquiano, os sunitas não os aceitam nesse papel.

Na Província de Anbar, até mesmo tribos sunitas que apoiam o governo central iraquiano rejeitam a presença da Mobilização como força libertadora na região.

O líder sunita Abdurazak Al-Shamari afirmou recentemente que "ninguém pode libertar áreas sunitas a não ser os seus filhos".

Veja quem é o decapitador do Estado Islâmico

 

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