Coreia do Norte cancela convite para visita de secretário-geral da ONU ao país

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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País liderado por Kim Jong Un não deu nenhuma razão para o cancelamento, como explicou Ban Ki-moon em fórum de Seul

Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, disse nesta quarta-feira (20) que a Coréia do Norte cancelou um convite para que ele visitasse a fábrica que é o último grande projeto de cooperação entre as duas Coreias.

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Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, durante evento em Seoul, Coréia do Sul
AP
Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, durante evento em Seoul, Coréia do Sul

Ban havia dito anteriormente que ele estaria na quinta-feira no parque industrial de Kaesong, ao norte da fronteira pesadamente fortificada entre os países para ajudar a melhorar as relações entre as Coreias do Norte e do Sul, que executam o projeto em conjunto. Mas viu seus planos mudarem devido a sempre tensa relação entre os dois países, principalmente nas últimas semanas.

O secretário da ONU, que foi ministro das Relações Exteriores da Coreia do Sul, seria o primeiro chefe da entidade a visitar o parque de fábrica, que foi inaugurado em 2004 e é uma fonte legítima rara de moeda estrangeira para a região Norte da Coreia, e o primeiro chefe da ONU a visitar a Coreia do Norte desde Boutros Boutros-Ghali, em 1993.

A Coreia do Norte não deu nenhuma razão para o cancelamento, conforme explicou Ban durante fórum em Seul nesta quarta. Analistas disseram que a viagem dele provavelmente não traria nenhum grande avanço nas relações entre as duas Coreias, e alguns calcularam que a Coreia do Norte tomou essa decisão ao notar que a visita não lhe traria qualquer benefício.

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"Esta decisão de Pyongyang é profundamente lamentável", disse Ban, acrescentando que ele não poupará esforços para encorajar a Coreia do Norte a trabalhar com a comunidade internacional para a paz e a estabilidade na Península Coreana e asiática.

As relações entre as duas Coreias são tensas, em grande parte, por causa dos mísseis norte-coreanos e dos outros testes com armas que a Coreia do Sul vê como provocações. Há também um novo motivo de preocupação: a agência de espionagem da Coréia do Sul disse na semana passada que o líder norte-coreano Kim Jong Un teve seu chefe de defesa executado a tiros no final de abril.

Lim Byeong Cheol, porta-voz do Ministério da Unificação de Seul, lamentou a decisão do Norte, dizendo que o país deve aceitar as ofertas de diálogo e de cooperação da ONU e de outros membros da comunidade internacional, ao invés de isolar-se.

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A Coreia do Norte tem convidado figuras de destaque, como o ex-presidente dos EUA Jimmy Carter, para visitatem o país sob a expectativa de que essas pessoas ouvissem suas preocupações e, em seguida, ajudassem a mediar vários impasses da nação com o mundo, que incluem alegações de abusos de direitos humanos e a busca de mísseis nucleares armados  que podem atingir os EUA.

Mas o país parece ter considerado que Ban só apoiaria os pontos de vista de Seul e de Washington durante sua viagem, disse Lim Eul Chul, um especialista em Coreia do Norte da Universidade Kyungnam, na Coréia do Sul.

A Península da Coreia permanece em um estado de guerra técnico porque a Guerra da Coreia (1950-1953) terminou com um armistício, e não um tratado de paz.

*Com AP

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