Estado Islâmico infiltra extremistas em barcos de refugiados para Europa

Por BBC | - Atualizada às

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Assessor do governo de Trípoli, na Líbia, diz à BBC que organização se aproveita de crise de refugiados no norte da África para enviar militantes ao continente europeu

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Militantes de autodenominado "Estado Islâmico" estariam sendo contrabandeados para dentro da Europa por gangues que operam no Mar Mediterrâneo, disse um assessor do governo líbio à BBC.

A autoridade, Abdul Basit Haroun, disse que os contrabandistas escondem os extremistas entre os migrantes que saem nos barcos que partem da costa africana em direção ao continente europeu.

Haroun também afirmou que a milícia permite que os barcos operem em troca de metade de seu faturamento.

"Eles (lideranças do EI) mandam as pessoas que querem à Europa, porque a polícia europeia não sabe quem é do EI e quem é um refugiado normal", disse o porta-voz líbio à rádio BBC 5 live.

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Autoridades europeias e egípcias já haviam advertido que militantes do EI poderiam chegar à Europa usando os barcos de imigrantes.

Entretanto, especialistas advertem que é extremamente difícil verificar tais alegações.

O assessor do governo líbio disse que suas informações se baseiam em conversas com contrabandistas de pessoas em partes do Norte da África controladas pela milícia extremista.

Segundo Haroun, os recrutas do EI normalmente não se misturam a outros refugiados.

A organização permite que os barcos operem pagando metade de seus rendimentos à organização, ele acrescentou.

Crise

Estima-se que cerca de 60 mil pessoas já tenham tentado cruzar o Mediterrâneo só este ano, a maior parte na tentativa de fugir de conflitos ou da pobreza.

A Líbia, por exemplo, não tem um governo estável desde o levante de 2011 que, com ajuda crucial de uma coalizão aérea militar ocidental, levou à queda de Muamar Khadafi. O caos tem permitido que as redes de tráfico de pessoas prosperem.

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Estima-se ainda que mais de 1,8 mil pessoas tenham morrido na viagem entre a costa africana e a Europa – comparado a 3 mil em todo o ano passado.

A Itália é o país mais afetado por este movimento – recebeu 170 mil migrantes dos 218 mil que chegaram em barcos cruzando o Mediterrâneo no ano passado.

Autoridades do país já haviam expressado sua preocupação com a possibilidade de militantes estarem se aproveitando de uma crise de ordem humanitária para se infiltrar nos barcos.

No início deste ano, a agência de controle de fronteiras da UE, Frontex, advertiu que era "possível" que combatentes estrangeiros estivessem usando rotas migratórias irregulares para entrar na Europa.

Além disso, o embaixador do Egito para o Reino Unido alertou sobre "barcos cheios de terroristas" chegando à Europa se a comunidade internacional não agisse sobre o tema.

Cautela

Mas especialistas têm sido cautelosos diante de alertas cuja verificação é extremamente difícil de realizar.

"O governo egípcio está particularmente interessado em amplificar a ameaça do 'Estado Islâmico' na Líbia, pois está procurando desesperadamente apoio internacional para uma intervenção no seu próprio país", observou Alison Pargeter, analista de Líbia do Royal United Services Institute, um centro de estudos britânico.

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Christian Kaunert, especialista em questões de terrorismo e refugiados da Universidade de Dundee, na Escócia, acredita que o risco de haver militantes do EI entre os migrantes que partem da costa africana é "plausível".

"Mas é difícil avaliar se é absolutamente crível, porque, por definição, esses barcos viajam em segredo", ressalvou.

O EI, que já controla vastas áreas no Iraque e na Líbia, é uma das forças que buscam explorar disputas de poder entre as facções rivais líbias para se fortalecer. Acredita-se que as milícias locais sejam parceiras ativas dos contrabandistas de pessoas.

As autoridades líbias já admitiram que não têm capacidade de lidar com o grande volume de barcos que partem da sua costa levando migrantes, e que só interferem quando uma embarcação está em situação de emergência.

Veja o esforço das forças militares para combater o Estado Islâmico:

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. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque. Foto: APCombatentes iraquianos xiitas seguram suas armas enquanto gritam palavras de ordem contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante em Cidade Sadr, Bagdá (13/6). Foto: APVoluntários esperam para se juntar ao Exército e combater militantes predominantemente sunitas em Bagdá, Iraque (13/6). Foto: ReutersPresidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre a situação no Iraque em pronunciamento na Casa Branca, em Washington (13/6). Foto: APImagem postada em Twitter militante mostra membro do Estado Islâmico do Iraque e do Levante com sua bandeira em base militar na Província de Ninevah, Iraque (12/6). Foto: APImagem publicada por militantes no Twitter mostra combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em local na fronteira entre o Iraque e a Síria (12/6). Foto: APMuitas famílias começaram a deixar Mosul depois de ocupação por insurgentes sunitas (13/6). Foto: ReutersForças de segurança curda se posicionam do lado de fora da cidade petrolífera de Kirkuk após abandono de tropas iraquianas (12/6). Foto: APVeículos queimados pertencentes às forças de segurança iraquianas são vistos em posto de controle no leste de Mosul (11/6). Foto: ReutersPolicial federal do Iraque monta aguarda enquanto colega faz buscas em carro em posto de controle de Bagdá, Iraque (11/6). Foto: APFamílias que fogem da violência na cidade de Mosul esperam em posto de controle nos arredores de Irbil, região do Curdistão iraquiano (10/6). Foto: ReutersRefugiados que deixam Mosul se dirigem à região autônoma curda em Irbil, Iraque, a 350 km a norte de Bagdá (10/6). Foto: APMilitares se preparam para assumir suas posições durante confrontos com militantes no norte da cidade de Mosul, Iraque (9/06). Foto: AP


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