Cidade a 100 km de Bagdá teria sido ocupada por terroristas do Estado Islâmico

Por BBC | - Atualizada às

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Pelo menos 500 pessoas morreram nos últimos dois dias em combates em Ramadi, que fica a 100 km de Bagdá

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Forças de segurança iraquianas se retiram de Ramadi, a 115 quilômetros a oeste de Bagdá, neste domingo (17)
AP
Forças de segurança iraquianas se retiram de Ramadi, a 115 quilômetros a oeste de Bagdá, neste domingo (17)

O autoproclamado Estado Islâmico (EI) teria conseguido tomar o controle da cidade de Ramadi, que fica a pouco mais de 100 quilômetros de Bagdá, segundo informações de autoridades do país.

Depois de dias de intensos combates, policiais e militares iraquianos teriam feito uma retirada caótica. Um comunicado atribuído ao EI confirma a ocupação. Autoridades americanas, porém, dizem que ainda é muito cedo para entender qual a situação da cidade.

Ramadi é a capital da maior província iraquiana, Anbar. Este domingo, autoridades locais haviam advertido que a cidade estava à beira de cair frente ao avanço do 'Estado Islâmico'.

Um funcionário da província de Anbar disse à BBC que pelo menos 500 pessoas morreram nos últimos dois dias em combates na cidade, incluindo civis. A BBC não pode confirmar o número de forma independente.

Membros da milícia extremista tomaram posições usando carros-bomba e fazendo ataques suicida, e se entrincheiraram em vastas áreas da cidade, que fica a 100 km de Bagdá.

Leia também: Estado Islâmico infiltra extremistas em barcos de refugiados para Europa

Na sexta-feira, os extremistas lançaram uma grande ofensiva e tomaram vários bairros residenciais no centro da cidade. Eles levantaram bandeiras negras sobre edifícios no principal complexo do governo.

Porém, foram obrigados a abandonar as instalações em meio a ataques aéreos conduzidos pela força aérea iraquiana e aviões de guerra da coalizão liderada pelos Estados Unidos.

O vice-chefe do conselho da província de Anbar, Faleh al-Issawi, disse à BBC que entre os 500 mortos nos últimos dois dias estão civis pegos no fogo cruzado e policiais sumariamente executados por militantes de EI.

Não há fontes alternativas para confirmar os números. Mas o grupo postou vídeos de propaganda em seus canais no YouTube exibindo o que afirmam ser tropas do governo iraquiano.

Para o repórter da BBC em Bagdá Ahmed Maher, se confirmada, a perda de Ramadi seria um "grande revés" para o governo iraquiano, que tenta livrar partes do seu território do domínio da milícia.

Kayla Mueller, refém norte-americana do Estado Islâmico, morreu na terça-feira (10 de fevereiro); segundo o grupo terrorista ela teria sido vítima de um bombardeio da Jordânia na Síria . Foto: APEstado Islâmico divulga vídeo onde suposto piloto jordaniano é queimado vivo em gaiola, no dia 3 de fevereiro. Foto: Reprodução/TwitterO jornalista japonês Kenji Goto foi morto pelos extremistas do Estado Islâmico no dia 30 de janeiro. Ele havia viajado para a Síria visando libertar o refém Yukawa. Foto: APImagem obtida por meio de vídeo do Estado Islâmico mostra o japonês Haruna Yukawa (à dir.), que foi decapitado em 24 de janeiro. Ele foi à Síria por ser fascinado por guerras. Foto: APO americano Peter Kassig foi identificado como o homem decapitado pelo Estado Islâmico em 16 de novembro de 2014. Ele era voluntário na Síria. Foto: ReutersNo dia 3 e outubro de 2014, o voluntário inglês Alan Henning foi decapitado pelos terroristas do Estado Islâmico. Foto: Reprodução/YoutubeVídeo mostra decapitação do refém britânico David Haines, que era voluntário na Síria e foi morto em 13 de setembro de 2014. Foto: ReutersImagem feita a partir de vídeo postado na internet pelo Estado Islâmico mostra jornalista americano Steven J. Sotloff antes de ser decapitado, no dia 2 de setembro de 2014. Foto: APInsurgentes do grupo jihadista Estado Islâmico divulgaram a decapitação do jornalista americano James Foley em 19 de agosto de 2014. Foto: Reprodução/Youtube

Anbar é um dos alvos da campanha militar para tentar obrigar o grupo a retroceder. A província faz fronteira com a Síria, Jordânia e a Arábia Saudita e corresponde a um terço da área do país.

'Jóia síria' resiste

Enquanto isso, militantes do EI na Síria foram forçados a retroceder após uma ofensiva de forças do governo próximo ao oásis de Palmira, a nordeste de Damasco.

A cidade, fundada 4 mil anos atrás e tombada como patrimônio da Unesco, abriga ruínas históricas e está sob ataque há quatro dias. Pelo menos 300 pessoas foram mortas na violência desse período, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, uma ONG que monitora os eventos no local. Entre os mortos estariam 50 pessoas executadas pelo EI, alguns, decapitados.

Mas a milícia sofreu fortes perdas em meio aos ataques sustentados do governo sírio usando armas pesadas e artilharia.

Leia mais: Forças especiais dos EUA entram na Síria e matam líder do Estado Islâmico

Segundo a mídia estatal síria, grupos de ativistas e moradores, o grupo foi expulso da parte norte da cidade, que estava sob seu controle.

Tropas do Exército sírio também tomaram as encostas das montanhas, de onde podem ter uma visão vantajosa da cidade e das ruínas locais.

Porém, os militantes ainda mantêm posições ao redor de Palmira, incluindo parte de um gasoduto.

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