Raúl Castro encontra papa, agradece ajuda e diz que pode voltar a rezar

Por AP | - Atualizada às

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Castro se diz impressionado com Francisco após acompanhar todos os discursos do papa e afirma que vai "voltar a rezar e voltar para a igreja. E eu não estou brincando"

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Raúl Castro conversa reservadamente com o papa Francisco, no Vaticano
Fabio Frustaci/ANSA via AP
Raúl Castro conversa reservadamente com o papa Francisco, no Vaticano

O presidente de Cuba, Raúl Castro, fez uma visita ao papa Francisco neste domingo (10), no Vaticano, para agradecer-lhe por trabalhar pelos cubanos na reaproximação com os Estados Unidos. Castro disse que está tão impressionado com o pontífice que ele está considerando um retorno à Igreja Católica.

"Bienvenido!", disse Francisco em seu espanhol nativo, acolhendo Castro no salão de audiência do Vaticano. O presidente cubano, inclinou a cabeça, agarrou a mão de Francisco com as dele, e os dois homens começaram a conversa de maneira privada. A reunião, falada na língua nativa do argentino e do cubano, durou quase uma hora.

Depois de deixar o Vaticano, o irmão de Fidel Castro, o líder revolucionário que levou os comunistas ao poder em Cuba, louvou a personalidade do papa.

Entenda: Barack Obama e Raúl Castro anunciam aproximação histórica entre Cuba e EUA

O pontífice "é um jesuíta, e eu, de alguma forma, sou [um jesuíta]", disse Castro em uma entrevista coletiva. "Eu sempre estudei em escolas jesuítas."

"Quando o Papa for para Cuba em setembro, eu prometo ir a todas as suas missas, e com satisfação", disse Castro em uma entrevista coletiva no escritório da premiê italiano Matteo Renzi, a quem ele se encontrou com após a visita ao Vaticano.

"Eu li todos os discursos do papa, seus comentários, e, se o papa continua desta forma, vou voltar para orar e voltar para a igreja, e eu não estou brincando", disse Castro.

Veja imagens do encontro:



A afirmação é surpreendente para líder comunista, cuja repressão aos dissidentes no passado passava por duras críticas do Vaticano.

"Eu sou do Partido Comunista de Cuba, que não permite que os crentes [religiosos], mas agora nós estamos permitindo isso. É um passo importante", disse Castro.

Falando sobre Francisco, Castro disse que ficou "muito impressionado por sua sabedoria, sua modéstia, e todas as suas virtudes, que nós sabemos que ele tem."

Castro já tinha agradecido publicamente a ajuda do papa para a volta das relações entre Havana e Washington, depois de décadas de política do governo dos EUA de estrito isolamento da ilha caribenha comunista. 

Ao despedir do Vaticano, Castro disse aos jornalistas: "Eu agradeceu ao papa pelo que ele fez."

O porta-voz do Vaticano, reverendo Federico Lombardi, disse que o presidente também "externou ao papa os sentimentos do povo cubano na espera e preparação para sua próxima visita à ilha em setembro."

Após seu encontro com Renzi, Castro expressou a esperança na retomada da diplomacia entre Cuba e os Estados Unidos. "Talvez o Senado [dos EUA] nos coloque fora da lista de nações terroristas" em breve, Castro disse aos jornalistas.


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