Confronto entre grupo armado e policiais deixa 22 mortos no leste europeu

Por AP | - Atualizada às

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Oito dos mortos na Macedônia eram policiais; episódio levanta preocupações quanto à estabilidade na ex-república iugoslava

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Destruição em casa em que grupo armado se escondeu para atacar policiais na Macedônia, no sábado (9); 22 pessoas morreram. Foto: APPoça de sangue na casa onde grupo armado fez emboscada que deixou 8 policiais mortos. Foto: APLocal onde ocorreu confronto entre grupo armado e policiais, no sábado (9), na cidade de Kumanovo. Foto: APGrupo armado atacou policiais com bombas e tiros de armas automáticas. Foto: APCriança chora após confronto que deixou 22 mortos no norte macedonio. Foto: APPai retira criança durante evacuação de bairro em Kumanovo após confronto entre rebeldes e policiais. Foto: APFumaça é vista em residência de onde rebeldes atacaram policiais, no sábado (9). Foto: APHomem ferido é transportado de Kumanovo para Escópia, capital da Macedônia, neste domingo (10). Foto: APTanque do Exército faz segurança no bairro onde ocorreu o ataque, neste domingo (10). Foto: APSoldados e policiais fazem segurança após confronto que deixou 22 mortos na Macedônia. Foto: APfuneral de policial morto em tiroteio com grupo armado em kumanovo - macedônia. Foto: APfronteira macedônia - sérvia - controle rigoroso após mortes em confronto. Foto: AP

Um confronto ocorrido no norte da Macedônia, no leste europeu, deixou 22 mortos, sendo oito policiais, além de mais de 30 agentes feridos, no sábado (9). A ação levantou preocupações entre as autoridades em relação à estabilidade do país, uma ex-república da extinta Iugoslávia, que viveu uma guerra civil encerrada somente no início da década passada.

A ministra do Interior da Macedônia, Gordana Jankulovska, disse que o confronto ocorreu durante uma operação de varredura da polícia em Diva Naselba, bairro no oeste de Kumanovo. Os agentes foram recebidos no local com tiros de armas automáticas e bombas.

"Foram heróis que deram suas vidas pela República da Macedônia", afirmou Jankulovska. Ela descreveu os responsáveis pelo ataque como um "grupo terrorista" que entrou no país para usar "a atual situação política para atacar instituições do estado".

A ministra disse que mais de 20 integrantes do grupo armado se renderam na ação, acrescentando que a operação policial prosseguiu até os outros membros se entregarem. Não foi especificado o número de feridos entre os rebeldes, mas 14 deles morreram.

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A Macedônia passa atualmente por sua crise política mais severa desde a independência da antiga Iugoslávia, em 1991. O governo e a oposição têm se acusado mutuamente de planejar desestabilizar o país para chegar ou permanecer no poder. Alguns analistas temem que líderes dos dois lados estão prontos para incentivar confrontos étnicos em seu território, tão comuns no período da guerra iugoslava, encerrada oficialmente em 2001.

Kumanovo é uma cidade com misto de etnias localizada a 40 quilômetros da capital do país, Escópia, perto da fronteira com o Kosovo e com a Sérvia. A região foi o centro de hostilidades entre rebeldes albaneses e forças do governo durante o conflito étnico, 14 anos atrás.

Um quarto da população da Macedônia, os albaneses pegaram em armas em 2001 para exigir por mais direitos no país. O conflito terminou após seis meses, em um acordo de paz que proveu a demanda à etnia minoritária.

"Alguém os pagou para tentar mudar o contexto do que acontece atualmente no país", analisou o cientista político Saso Ordanovski, para quem os rebeldes são mercenários.

A delegação europeia na Macedônia pediu calma no país e disse que aguarda informações mais completas das autoridades. A embaixada norte-americana na Escópia divulgou uma nota na qual "lamenta profundamente pela perda de vidas".

Funeral de policial morto no tiroteio ocorrido na cidade de Kumanovo, Macedônia, atrai centenas
AP
Funeral de policial morto no tiroteio ocorrido na cidade de Kumanovo, Macedônia, atrai centenas

O presidente macedonio, Gjorge Ivanov, deu por encerrada uma viagem oficial à Rússia e retornou ao país, onde convocou uma reunião com o Conselho de Segurança Nacional. A vizinha Sérvia reagiu ao confronto enviando reforços de sua polícia especial para a fronteira dos dois países, aparentemente temendo uma possível espiral de violência.

Na sexta-feira (8), milhares de apoiadores da oposição se juntaram a protestos contra a alegada brutalidade policial no país. Os atos começaram após o líder oposicionista Zoran Zaev acusar o governo de tentar encobrir o assassinato pela polícia de um jovem de 22 anos, ocorrido em 2011.

Ele afirma que obteve a informação por meio de grampos ilegais como aqueles que tem divulgado recentemente revelando corrupção nos mais altos escalões do país de 2 milhões de habitantes.

Zaev acusa o primeiro ministro, Nikola Gruevski, de estar por trás da suposta escuta telefônica, que ele diz ter obtido por meio de uma fonte não revelada. O político nega qualquer irregularidade, alegando que as gravações foram fabricadas com a ajuda de espiões estrangeiros. Segundo ele, Zaev planeja um golpe de estado.

O líder oposicionista pediu para a população permanecer calma, apesar de pouco antes ter feito uma convocação para um grande protesto contra o governo, marcado para o próximo domingo (17).

A União Democrática Albanesa para Integrações, parte da coalizão governista, também apelou pela calma, demonstrando preocupação com o episódio. O partido pediu para as pessoas não responderem a provocações nas ruas.

Fronteira da Macedônia com a Sérvia, neste domingo: país vizinho aumentou controle após mortes
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Fronteira da Macedônia com a Sérvia, neste domingo: país vizinho aumentou controle após mortes


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