Análise: visita de Raúl Castro ao Vaticano é nova vitória de Francisco

Por BBC | - Atualizada às

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De acordo com o presidente de Cuba, foi graças à interferência do papa que os EUA reataram relações com a nação caribenha

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A visita do presidente de Cuba, Raúl Castro, ao Vaticano a convite do papa Francisco é uma nova vitória pessoal do pontífice.

O fato de o homem que ajudou a liderar a Revolução Cubana ter até brincado sobre retornar à Igreja Católica mostra quanto as relações entre Havana e a Santa Sé avançaram recentemente.

O papa recebeu Castro com a saudação "benvenido!", na língua nativa dos dois. Foto: Fabio Frustaci/ANSA via APPapa recebeu Castro com um "bienvenido!", em seu espanhol nativo. Foto: Fabio Frustaci/ANSA via APFalando sobre Francisco, Castro disse que ficou  . Foto: Fabio Frustaci/ANSA via APCastro foi ao Vaticano neste domingo para agradecer o papa por trabalhar pelos cubanos na reaproximação com os Estados Unidos. Foto: Fabio Frustaci/ANSA via AP

Essa mudança de posicionamento só foi possível, contudo, durante o pontificado de Francisco. Primeiro, o pontífice desempenhou um papel crucial ao suavizar o caminho para a retomada das negociações entre Cuba e Estados Unidos nos últimos 18 meses.

Segundo, ele deu a sua benção ao processo e ao governo de Cuba ao se programar para visitar a ilha em setembro, antes de sua viagem aos EUA.

Como um latino-americano, Francisco sempre manteve bons laços com líderes tanto de de direita quanto de esquerda no subcontinente. Por várias vezes, ele pediu pelo fim do embargo comercial dos Estados Unidos contra Cuba, por exemplo.

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Agora, o papa recebeu ─ e cortejou ─ Raúl Castro em Roma, fortalecendo a relação ainda mais. Mais surpreendente do que isso só se o presidente cubano voltar a frequentar missas.

Mas o jornal estatal "Granma" omitiu os comentários de Castro sobre voltar à Igreja quando noticiou o encontro, em sua edição eletrônica. Uma reflexão, talvez, do quão inusitado é para os cubanos ouvir seu presidente fazer tais comentários, sejam irônicos ou não.

Encontro
No encontro, ocorrido a portas fechadas no Vaticano, Castro elogiou a sabedoria do pontífice: "Eu vou recomeçar a rezar e voltar à Igreja se o papa continuar por esse caminho", disse o presidente cubano. Ele agradeceu a Francisco por mediar a reaproximação entre Cuba e Estados Unidos.

Castro viajou ao Vaticano após ter participado das comemorações russas do Dia da Vitória na Segunda Guerra Mundial, na capital Moscou. No encontro, ficou decidido que Francisco visitará a ilha em setembro, antes de sua viagem oficial aos Estados Unidos.

Barack Obama cumprimenta Raúl Castro na Cúpula das Américas, realizada no mês passado
AP
Barack Obama cumprimenta Raúl Castro na Cúpula das Américas, realizada no mês passado

"Conquista diplomática"
Para o pontífice, a restauração das relações entre Estados Unidos e Cuba ─ realizada em conversas secretas no Vaticano ─ foi uma grande conquista diplomática, informou o correspondente da BBC em Roma, David Willey.

Os Estados Unidos impuseram um embargo comercial à ilha após a Revolução Cubana. E este só começou a ser suspenso no final do ano passado, após mais de 50 anos.

O encontro entre Castro e Francisco durou cerca de 50 minutos, ao fim dos quais o presidente cubano conversou com repórteres. "O pontífice é um jesuíta, e eu, de certa forma, sou também. Estudei em escolas jesuítas", disse ele.

Depois de sugerir que voltaria a professar a fé católica, Castro acrescentou: "Eu quero dizer o que disse". 

Tanto Castro quanto seu irmão, o ex-líder cubano Fidel, foram batizados como católicos, mas muitas das atividades da Igreja acabaram suprimidas do país depois da revolução. Francisco será o terceiro papa a visitar Cuba, depois de João Paulo 2º, em 1998, e Bento 16, em 2012.

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