Quem ganhou e quem perdeu nas eleições britânicas

Por BBC | - Atualizada às

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Duas siglas saíram triunfantes: o Partido Conservador, de David Cameron, e o Partido Nacional Escocês, de Nicola Sturgeon

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Dois grandes vencedores saíram triunfantes das eleições britânicas de quinta-feira (7): o Partido Conservador, do premiê britânico, David Cameron, e o Partido Nacional Escocês (SNP na sigla em inglês), da líder Nicola Sturgeon.

O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, comemora ao lado da mulher, Samantha
AP Photo/Kirsty Wigglesworth
O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, comemora ao lado da mulher, Samantha

Nas 24 horas que decorreram entre as expectativas – que indicavam um cenário pós-eleição fragmentado – e o resultado da apuração, muitos atores políticos caíram pelo caminho.

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A BBC Brasil explica a seguir quem são os vencedores e perdedores de um dos pleitos mais tensos do Reino Unido em tempos recentes:

Vencedores:
David Cameron e o Partido Conservador
Depois de governar por cinco anos em coalizão, o premiê britânico obteve a maioria no Parlamento e poderá agora fazer um governo 100% focado no programa de governo do seu partido, o Conservador.

A sigla passou de 307 parlamentares, na última eleição, para 331, cruzando a linha da maioria absoluta (326) em um total de 650 representantes.

Com isso, ficou livre da necessidade de fazer aliança com qualquer outro partido – inclusive seus antigos parceiros, os liberais democratas, um dos maiores perdedores da noite.

O líder da sigla, David Cameron, se tornou premiê britânico em 2010, aos 43 anos de idade, o mais jovem a ocupar o cargo desde 1812.

Ele saiu de um histórico privilegiado para se destacar no partido com uma plataforma de modernização e de recolocar as contas públicas britânicas nos trilhos após a crise financeira que começou em 2007.

Durante seu governo, foi criticado por concordar com o plebiscito escocês – que quase resultou na saída da Escócia do Reino Unido –, mas a estratégia acabou dando certo para os conservadores, pois fortaleceu os nacionalistas e enfraqueceu os trabalhistas na Escócia.

Nicola Sturgeon e o Partido Nacional Escocês (SNP)
A líder dos nacionalistas escoceses vai comandar o partido em seu momento mais influente – na Escócia e fora dela. A sigla arrebatou 56 dos 59 distritos eleitorais escoceses, um salto em relação aos seis obtidos nas eleições passadas.

O avanço foi conquistado principalmente sobre o trabalhismo, que tradicionalmente tinha na Escócia um forte reduto eleitoral.

Entre os destaques do SNP está a vitória de uma universitária de 20 anos, Mhairi Black, sobre uma das estrelas do Partido Trabalhista escocês, Douglas Alexander. Ele era o nome dos trabalhistas para ocupar a pasta do Exterior em um eventual governo da ala.

Alex Salmond, líder histórico do partido e que agora passará a representar a sigla em Westminster, também foi um dos vencedores. Ele disse que "o leão escocês rugiu hoje (sexta-feira) de manhã em todo o país".

Nicola Sturgeon não representará o partido em Westminster: ela é líder do Executivo escocês e integra o Parlamento local, dominado pelo SNP. Mas tendo recebido o bastão da liderança de Salmond em setembro, conduzirá os próximos passos do "leão escocês".

Perdedores:
Ed Miliband e o Partido Trabalhista
O Partido Trabalhista e seu líder, Ed Miliband, amargaram uma derrota contundente na Escócia e o fracasso em conquistar a confiança do eleitorado na condução da economia.

Na Escócia, o SNP tirou dos trabalhistas distritos importantes, incluindo o tradicional reduto do ex-premiê britânico Gordon Brown, Kirkcaldy, e o assento do líder trabalhista escocês, Jim Murphy.

Os revezes trabalhistas ao sul da fronteira continuaram em Leeds, onde o nome do partido para a Fazenda, Ed Balls, foi destronado por seu rival conservador por pouco mais de 400 votos.

As derrotas foram sentidas especialmente pelo líder trabalhista, Ed Miliband, que renunciou à liderança do partido, como manda a tradição.

Miliband, antes conhecido como "Ed Vermelho", por sua relação próxima com os sindicatos, tentou encontrar uma nova identidade para a sigla nesta campanha. Mas esbarrou na persistente desconfiança do eleitorado em relação aos planos trabalhistas para a economia.

Seu partido terá 232 cadeiras em Westminster, 26 a menos do que na legislatura anterior. "Assumo responsabilidade total e absoluta pelos resultados e nossa derrota nestas eleições", afirmou o trabalhista.

Nick Clegg e o Partido Liberal Democrata
Os Liberais Democratas, que por cinco anos compuseram a coalizão de governo no Reino Unido, naufragaram nestas eleições: o partido que tinha 56 cadeiras no atual Parlamento passará a comandar apenas 8.

Os analistas concordavam que os liberais democratas seriam punidos pelo eleitor por quebrar promessas de campanha – por exemplo, a de proibir o aumento das anuidades universitárias, algo que acabou acontecendo sob a coalizão.

Porém, a escala da derrota foi surpreendente – as estimativas apontavam que o partido ainda conseguiria manter cerca de 26 cadeiras.

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Após o resultado, o líder do partido e vice-premiê na coalizão, Nick Clegg, renunciou à liderança do partido. Ele conseguiu manter seu assento no Parlamento, mas apenas porque o eleitorado conservador de Sheffield-Hallam, no norte de Londres, optou pelo voto tático para evitar uma vitória trabalhista.

"Sempre esperei que estas eleições fossem incrivelmente difíceis", afirmou. "Os resultados foram imensuravelmente mais esmagadores que eu jamais poderia prever."

Durante a transmissão da BBC, o chefe da campanha Liberal Democrata, Lord Ashdown, questionara os resultados da pesquisa de boca de urna, que indicavam a eleição de apenas dez parlamentares para o partido. "Como o meu chapéu se essa pesquisa estiver certa", afirmou.

Só em Londres, os LibDems perderam seis de um total de sete assentos, inclusive um dos nomes mais proeminentes do partido, o ex-ministro dos Negócios na coalizão de governo, Vince Cable.

Danny Alexander, um dos mais altos ministros da área econômica, também perdeu seu assento na Escócia.

Nigel Farage e o partido Ukip
Apesar de receber 12,6% do voto popular, o Partido Independente do Reino Unido (Ukip) obteve apenas uma cadeira no Parlamento.

O líder da sigla, Nigel Farage, renunciou à liderança após tentar, sem sucesso, se eleger pelo distrito de South Thanet, no sudeste da Inglaterra. A vitória foi do candidato conservador.

Ao anunciar a sua decisão, Farage defendeu uma "reforma real, genuína e radical" do sistema político distrital britânico. A representatividade do Ukip no Parlamento é uma das que mais destoam da proporção de votos do partido.

O exemplo oposto é o SNP, que recebeu 4,7% dos votos mas, por conseguir concentrar esses assentos na Escócia, levará 56 parlamentares para Westminster.

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