Todas as sondagens indicavam 'Parlamento suspenso', sem ganhador por maioria absoluta; para especialista, 'pessoas disseram uma coisa e fizeram outra'.

BBC

A disputa da eleição britânica deveria ter sido tão acirrada que não teria vencedor por maioria absoluta. Pelo menos é o que diziam as pesquisas.

Mas, assim que as urnas fecharam, o que se viu não foi bem isso. Levantamentos de boca de urna divulgados na noite de quinta-feira já indicavam uma vantagem considerável do Partido Conservador, do primeiro-ministro David Cameron, sobre o Trabalhista, de Ed Milliband.

O resultado oficial sublinha ainda mais a diferença entre as duas principais forças políticas do país: os Conservadores ganharam a eleição com maioria absoluta no Parlamento, e a perda dos Trabalhistas deve ser maior que a prevista - um cenário que põe na berlinda as previsões das sondagens.

Primeiro-ministro David Cameron é reeleito na Grã-Bretanha
AP Photo/Kirsty Wigglesworth
Primeiro-ministro David Cameron é reeleito na Grã-Bretanha


Resultado:  David Cameron é reeleito primeiro-ministro pelo partido dos conservadores

Cenário: Imigração é tema-chave da eleição britânica

O jornal britânico Independent diz que "praticamente todos os levantamentos nas últimas semanas estavam errados."

Mas por que as pesquisas erraram tanto? Alguns analistas e jornais britânicos arriscaram alguns palpites na manhã desta sexta.

"O que parece ter dado errado é que as pessoas disseram uma coisa e fizeram alguma coisa diferente nas urnas", disse Peter Kellner, presidente da YouGov, tradicional empresa de opinião.

Na mesma linha, Alberto Nardelli, editor de dados do Guardian, diz, em coluna publicada no site do jornal, que "simplesmente, pode ser que as pessoas mentiram aos pesquisadores, tinham vergonha ou que, genuinamente, mudaram de opinião no dia da eleição".

"Ou pode ser que haja outros desafios mais complicados para a indústria de pesquisas - resultado, por exemplo, do fato de que um número menor de pessoas usa telefones fixos ou que pesquisas na internet são baseadas numa amostra autosselecionada."

Erros no passado
Não é a primeira vez que pesquisas erram tanto na Grã-Bretanha. Em 1992, levantamentos também haviam previsto um "Parlamento suspenso", mas o partido Conservador conquistou uma maioria absoluta.

E o problema está longe de ser exclusivo da Grã-Bretanha. Nas eleições gerais de Israel, em março, as pesquisa previam vitória da oposição - e que a questão mais importante para o eleitor era a economia do país -, mas o premiê Binyamin Netanyahu ganhou com certa vantagem, levando analistas e concluir que a questão "segurança" acabou pesando mais do que o esperado na hora do voto.

E no Brasil, no ano passado, pesquisas de grande institutos como Ibope e DataFolha erraram feio, principalmente nas previsões dos porcentuais de votos que seriam dados a Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB) no primeiro turno. No Rio Grande do Sul, houve praticamente uma inversão, nas urnas, dos votos previstos pelo DataFolha para os candidatos que acabaram indo para o segundo turno, Tarso Genro (PT) e José Ivo Sartori (PMDB).

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