Linchamento de afegã acusada de queimar o Corão leva quatro homens à forca

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Caso de Farkhunda, atacada com paus e pedras e queimada em plena rua por uma multidão, causou protestos em todo o país

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Quatro homens afegãos foram condenados à morte pelo linchamento de uma mulher acusada de queimar o Corão - um caso que causou protestos no país e ganhou manchetes no mundo inteiro.

Caso Farkhunda: Linchamento de mulher mudará o Afeganistão?

Assassinato de mulher comoveu o país
Reprodução/BBC
Assassinato de mulher comoveu o país

Março: Ativistas afegãs rompem tradição e carregam caixão de mulher linchada

O julgamento durou quatro dias. Mais oito homens foram condenados a 16 anos de prisão e, outros 18, inocentados.

Segundo testemunhas, a vítima, conhecida apenas como Farkhunda, de 28 anos, não queimou o livro sagrado do islamismo, com tinha sido alegado por seus agressores.

Ela foi morta em 19 de março por um grupo formado, em sua maioria, por homens. Eles a espancaram com paus e pedras; ela foi atropelada e arrastada por um carro. Depois, seu corpo foi incendiado.

O ataque à mulher, assim como a falta de intervenção policial, foram duramente criticados e provocaram protestos na época. Julgamento durou quatro dias

Dezenove policiais acusados de falhar em seu dever de impedir o ataque estão sendo julgados; o veredicto deve ser anunciado no domingo.

Veja linchamentos que chocaram o mundo

Nigéria: em 2012, estudantes da Universidade de Port Harcourt foram espancados e queimados vivos ao cobrarem dívida. Foto: Reprodução/YoutubeNigéria: investigação mostrou que devedor espalhou boato falso de que o grupo estaria em vilarejo para roubar. Foto: Reprodução/YoutubeFrança: em junho, o romeno Darius foi espancado e deixado em carrinho de mercado após grupo suspeitar que ele estaria roubando. Foto: Reprodução/latestnewslink.comPeru: em 2004, Cirilo Fernando Robles Cayomamani, então prefeito da cidade de  Ilave, foi linchado, acusado de corrupção. Foto: Reprodução/YoutubeGuatemala: segundo escritório de direitos humanos do país, 47 morreram vítimas do crime em 2013 e ao menos 441 foram feridos. Foto: Reprodução/YoutubeGuatemala: 'Pedimos às pessoas não se deixarem levar por rumores', disse Mildred Luna, coordenadora de Comissão jurídica. Foto: Reprodução/YoutubeQuênia: interesse em terrenos na costa do Índico causou o aumento do crime em 2012 por parentes interessados nos patrimônios de idosos. Foto: Reprodução/YoutubeQuênia: idosos entre 70 e 90 anos foram queimados vivos sob acusação de bruxaria, quando na verdade eram vítimas de crime por herança. Foto: Reprodução/YoutubeArgentina: em abril, casos de violência como o linchamento levaram o governador de Buenos Aires a decretar estado de emergência. Foto: Reprodução/YoutubeArgentina: estudo publicado pelo 'Clarín' à época mostou que 8 entre 10 argentinos achavam que a insegurança havia aumentado no país. Foto: Reprodução/YoutubeBolívia: em 2004, Benjamín Altamirano, prefeito de Ayo Ayo, foi linchado com golpes de pau e pedras após ter sido preso a tronco de árvore. Foto: Reprodução/YoutubeBolívia: o povo havia se rebelado contra a autoridade após acusações de o prefeito ter cometido atos de corrupção. Foto: Reprodução/YoutubeEgito: em 2013, linchamento de dois jovens, acusados de tentativa de roubo e sequestro, provocou indignação internacional. Foto: Reprodução/YoutubeEgito: à época, muitos justificaram o ataque dizendo que o linchamento era a única forma de punir criminosos. Foto: Reprodução/YoutubeBrasil: acusada de ter sequestrado criança para rituais de magia negra, Fabiane Maria de Jesus foi linchada no Guarujá em maio. Foto: Reprodução/YoutubeBrasil: para pesquisadora do NEV-USP Ariadne Natal, casos não acontecem aleatoriamente e atingem os mais pobres. Foto: Reprodução/YoutubeHaiti: segundo a ONU, o número de casos aumentou de 90 para 121 entre os anos de 2009 e 2012 em todo o país. Foto: Reprodução/Youtube

Farkhunda havia discutido com um mulá, ou mestre religioso, sobre sua prática de venda de encantos para as mulheres no conhecido santuário Shah-Du-Shamshaira, perto do palácio presidencial e do principal bazar de Cabul. No decorrer da discussão, ela foi acusada de queimar o Corão e uma multidão a atacou.

Em declarações de confissão lidas em tribunal, alguns dos acusados admitiram que foram atraídos para o ataque devido às acusações. Um investigador oficial disse que não há evidências de que ela queimou o Corão. O governo afegão vinha sendo acusado de fazer pouco para garantir direitos básicos de mulheres.

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