'Esperávamos a morte todos os dias', diz refém do Boko Haram

Por BBC | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Jovem de 24 anos libertada na semana passada estava em grupo de 300 mulheres em poder do grupo terrorista

BBC

"Todos os dias nós testemunhávamos a morte de uma de nós e esperávamos nossa vez". É assim que Asabe Umaru, de 24 anos, descreve o período que passou sequestrada com seus dois filhos pelo Boko Haram.

Libertadas não eram do grupo sequestrado de meninas sequestradas há um ano
BBC
Libertadas não eram do grupo sequestrado de meninas sequestradas há um ano

Ela estava em um grupo de 300 mulheres e crianças que estavam na floresta da Sambisa, no norte da Nigéria, e que foram libertadas pelo Exército nigeriano na semana passada. Na última semana, segundo os militares, cerca de 700 pessoas foram resgatadas em uma ofensiva contra o grupo extremista islâmico.

Leia também: Exército da Nigéria liberta 234 mulheres do Boko Haram

Boko Haram já sequestrou mais de 2 mil mulheres, segundo ONG

Durante o resgate em Sambisa, segundo as sobreviventes, algumas delas foram apedrejadas até a morte quando o Exército se aproximou.

Elas disseram que combatentes do Boko Haram começaram a atacá-las depois que elas se recusaram a fugir. As sobreviventes não souberam dizer quando mulheres teriam morrido.

Outras mulheres, segundo elas, foram mortas inadvertidamente pelos militares durante a operação de resgate.

Soldados não perceberam "a tempo que não éramos os inimigos" e algumas mulheres e crianças foram "atropeladas por seus caminhões", disse Umaru à agência de notícias Reuters.

No cativeiro, "eles não deixavam a gente se mover um centímetro," afirmou ela. "Tínhamos que ficar em um só lugar. Estávamos amarradas."

Segundo sobreviventes, elas eram vigiadas até quando iam ao banheiro.

Uma mulher disse que elas recebiam apenas uma refeição por dia.

"Éramos alimentadas apenas com milho seco à tarde, que não estava bom para o consumo humano", disse Cecilia Abel à Reuters. Isso levou à desnutrição, doença e morte.

Grávida

As sobreviventes disseram que, quando foram pegas, os militantes mataram homens e meninos mais velhos na frente de suas famílias antes de levar mulheres e crianças para a floresta.

Algumas foram obrigadas a se casar. Uma mulher, Lami Musa, de 27 anos, conseguiu evitar esse destino.

219 meninas protestaram nas ruas de Abuja, capital da Nigéria, em memória às alunas raptadas há um ano em Chibok. Foto: AP Durante a manifestação, cada uma carregou um cartaz com o nome de uma vítima de sequestro. Foto: APUm dos cartazes que as manifestantes levaram foi com os dizeres: "elas também têm sonhos" . Foto: APOutro cartaz levado pelas manifestantes foi "traga de volta nossas garotas". Foto: APGarotas também levaram fotos de vítimas sequestradas pelo grupo Boko Haram . Foto: APHá um ano, Boko Haram sequestrava mais de 200 estudantes na Nigéria. Foto: APNo mesmo dia em que garotas protestaram em memória às vítimas, o presidente da Nigéria disse que não sabe se será possível encontrar as desaparecidas. Foto: APAlguns parentes das garotas sequestradas também compareceram ao protesto. Foto: APAté mulheres com crianças de colo participaram do protesto em memória às vítimas sequestradas. Foto: APMartha Mark, mãe de Monica Mark, uma das sequestradas em escola nigeriana, chora ao mostrar foto da jovem na casa da família em Chibok, Nigéria (19/05). Foto: APApós possível divisão do grupo de reféns analistas dizem que resgates pode levar anos (8/05). Foto: AFPEstudantes protestam do lado de fora do consulado nigeriano em Nova York, EUA, pelas meninas sequestradas pelo Boko Haram na Nigéria (28/05). Foto: ReutersAluna de uma escola sul-africana, com tradicionais manchas de tinta no rosto, participa de protesto silencioso pelas jovens raptadas na Nigéria (14/05). Foto: APMulher grita durante manifestação incitando o Governo a agilizar o resgate das meninas sequestradas, em Abuja, Nigéria (11/05). Foto: APAtivistas participam da campanha 'Tragam nossas meninas de volta durante vigília realizada no Dia das Mães em Los Angeles, EUA (11/05). Foto: ReutersQuatro estudantes que conseguiram escapar do sequestro feito pelo grupo Boko Haram em escola de Chibok, Nigeria (2/05). Foto: APAbubakar Shekau, suposto líder do grupo extremista Boko Haram, fala sobre o sequestro de estudantes no nordeste na Nigéria (5/05). Foto: APUma mãe não identificada chora durante manifestação com outros pais cujas filhas foram sequestradas em escola de Chibok, Nigéria (29/04). Foto: APManifestante segura cartaz contra os raptos de garotas feito pelo grupo islâmico Boko Haram (5/05). Foto: APManifestantes protestam contra a demora do governo da Nigéria em encontrar as mais de 200 estudantes raptadas de escola em Chibok. Foto: APMulher participa de um protesto exigindo a libertação de meninas da escola secundária que foram raptadas da aldeia de Chibok, Nigéria. Foto: ReutersMulher segura cartaz durante manifestação sobre o sequestro das meninas de uma escola em Chibok, Nigéria (5/05). Foto: Reuters

"Quando eles perceberam que eu estava grávida, disseram que eu estava impregnada por um infiel (seu marido) e o mataram", disse ela.

Segundo Musa, militantes disseram que ele teria que casar com o comandante uma semana após dar à luz.

"Eu tive filho à noite e fomos resgatados por soldados na manhã seguinte," acrescentou Musa, chorando.

Resgate

As mulheres e crianças viajaram durante três dias em caminhonetes da floresta Sambisa, onde foram resgatados, até o acampamento na cidade de Yola, onde chegaram na noite de sábado.

Por meio de entrevistas, as autoridades descobriram que quase todos os resgatados são de Gumsuri, uma aldeia perto da cidade de Chibok, de acordo com a agência de notícias Associated Press.

Aparentemente, nenhum dos reféns libertados são do grupo de mais de 200 estudantes de Chibok sequestradas pelo Boko Haram um ano atrás, em um sequestro em massa que levou a protestos em todo o mundo pedindo a libertação das meninas.

Milhares foram mortos no norte da Nigéria desde que o Boko Haram - que significa "educação ocidental é pecado" - começou sua insurgência, em 2009, para criar um Estado islâmico.

Em fevereiro, militares da Nigéria, apoiados por tropas dos países vizinhos, lançaram uma grande ofensiva contra os combatentes islâmicos, recapturando a maioria do território que o Boko Haram havia tomado no ano anterior.

Acredita-se que os últimos esconderijos restantes estejam na floresta Sambisa, que rodeia uma reserva com o mesmo nome.

 

Leia tudo sobre: boko haramnigéria

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas