Rodrigo Gularte, executado terça (28), sofria de esquizofrenia e não tinha consciência de que seria morto, diz padre irlandês

O brasileiro Rodrigo Gularte, que foi executado na última terça-feira (28) na Indonésia, sofria de esquizofrenia e não tinha consciência de que seria fuzilado, relatou nesta quinta-feira (30) o padre que foi seu conselheiro espiritual durante o período de detenção, o irlandês Charlie Burrows.

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Caixão do brasileiro Rodrigo Gularte é visto em casa funerária de Jacarta, Indonésia
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Caixão do brasileiro Rodrigo Gularte é visto em casa funerária de Jacarta, Indonésia

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"Quando pediram para os prisioneiros deixarem suas celas e os acorrentaram, ele me perguntou se seria executado", afirmou Burrows. "Eu disse que sim e que já tinha explicado tudo anteriomente, mas ele não demonstrou emoções, apenas comentou que não era justo", relatou o sacerdote.

De acordo com o padre, o brasileiro, que chegou a ser diagnosticado com um distúrbio bipolar e esquizofrênico, contava que "ouvia vozes em sua cabeça". Gularte, de 42 anos, foi preso em julho de 2004 ao entrar na Indonésia com seis quilos de cocaína camuflados em pranchas de surfe. No ano seguinte, foi condenado à morte.

Os familiares do brasileiro, junto com os advogados, estavam tentando anular a pena alegando que Gularte sofria de problemas mentais. Um laudo médico indicou que ele precisava "imediatamente de intenso tratamento psquiátrico com medicações num hospital".

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O governo brasileiro também pediu clemência à Indonésia, que rejeitou os apelos. Gularte foi fuzilado junto junto com o indonésio Zainal Abidin, os australianos Andrew Chan e Myuran Sukumaran, os nigerianos Sylvester Obiekwe, Raheem Agbaje e Okwudili Oyatanze e o ganês Martin Anderson.

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As relações entre Brasil e Indonésia estão estremecidas desde a execução do brasileiro Marco Archer Moreira, em 18 de janeiro, condenado por tentar entrar na Indonésia com 13 quilos de cocaína.

Em represália, a presidente Dilma se recusou a receber as credenciais do novo embaixador indonésio no Brasil, Toto Riyanto, em 20 de fevereiro. Por isso, hoje o principal representante indonésio no Brasil é um ministro conselheiro e não o embaixador.

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