Prima de brasileiro fuzilado na Indonésia vela corpo em funerária de Jacarta

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Christie Buckingham, pastora que acompanhou um dos presos, explicou que os condenados tiveram "dignidade até o fim"

Um agente funerário descreveu nesta quarta-feira (29) que tanto os australianos do Bali Nine Andrew Chan e Myuran Sukumaran quanto os outros seis executados pela Indonésia na terça-feira - Horário de Brasília - pareciam estar em "paz". As informações são do site australiano "The West Australian".

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Angelita Muxfeldt, à esq., prima de Rodrigo Gularte, toca o caixão em casa funerária de Jacarta, Indonésia
AP
Angelita Muxfeldt, à esq., prima de Rodrigo Gularte, toca o caixão em casa funerária de Jacarta, Indonésia

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Christie Buckingham, pastora que acompanhou um dos australianos até pouco tempo antes da execução, explicou que os condenados tiveram "força e dignidade até o fim". Enquanto caminhavam rumo ao pelotão, os presos entoaram cantos religiosos quase em uma só voz.

Matéria do jornal australiano "Sydney Morning Herald" noticiou que o padre responsável por acalentar o brasileiro Rodrigo Gularte, Charles Burrows, contou ter sido um momento especialmente difícil para ele, que havia sido diagnosticado com esquizofrenia. O preso acreditou até o fim que teria a vida poupada, de acordo com parentes. O padre explicou que Gularte falava com animais e tinha medo de "satélites que os vigiariam do céu". 

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Testemunha afirma que os dois australianos, quatro nigerianos, um indonésio e o brasileiro saíram se suas celas na ilha de Nusakambangan e andaram até uma clareira na floresta, onde as execuções foram cumpridas.

Todos se negaram a colocar a venda nos olhos e enquanto seguiam rumo a morte, entoaram cânticos religiosos, entre eles o famoso "Amazing Grace", até o pelotão iniciar os disparos.

Em Cilacap, cidade que dá acesso à ilha-prisão de Nusakambangan, ativistas se reuniram com velas e cartazes pouco antes da execução pedindo o fim da prática e cantando "Amazing Grace".

O brasileiro foi diagnosticado com esquizofrenia, mas defesa não conseguiu convencer autoridades. Foto: Reprodução/YoutubeO paranaense Rodrigo Muxfeldt Gularte foi preso quando tentava entrar na Indonésia com drogas escondidas em pranchas de surf. Foto: Reprodução/YoutubeRodrigo Gularte, de 42 anos, foi fuzilado com outros traficantes na Indonésia. Foto: Reprodução/YoutubeRodrigo gostava de surfar desde a adolescência, de acordo com a mãe dele, Clarisse . Foto: Reprodução/YoutubeA mãe de Rodrigo Gularte, Clarisse, mostra foto do brasileiro na praia com os amigos. Foto: Reprodução/YoutubeClarisse fez apelo direto para Dilma Rousseff para livrar o filho Rodrigo da morte na Indonésia. Foto: Reprodução/YoutubeRodrigo Gularte foi condenado à morte em 2005 por chegar à Indonésia com seis quilos de cocaína. Foto: Reprodução/FacebookBrasileiro condenado por tráfico de drogas foi fuzilado na Indonésia no dia 28/04. Foto: AFPBrasileiro condenado a morte na Indonésia por tráfico de drogas foi executado no dia 17 de janeiro. Foto: Reprodução/YoutubeExecução foi feita mesmo após pedidos de cancelamento feitos pelo governo brasileiro. Foto: ReproduçãoMarco Archer Cardoso Moreira, 53, foi executado na madrugada de domingo (17) no horário indonésio – por volta das 15h no Brasil. Foto: Reprodução/FacebookMoreira era solteiro, não tinha filhos e seus pais haviam morrido; uma tia foi visitá-lo na Indonésia antes da execução. Foto: Reprodução/FacebookO brasileiro foi preso em 2003 ao entrar no aeroporto de Jacarta com 13,4 quilos de cocaína. Foto: Reprodução/InternetBalsa foi usada para transportar brasileiro para local da execução. Foto: AP



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Execuções reprováveis

A Anistia Internacional qualificou nesta quarta como "reprovável" a execução dos condenados na Indonésia, denunciando como total falta de consideração pelo processo legal e salvaguarda dos direitos humanos.

A organização lembrou que as execuções ocorreram apesar de pelo menos dois recursos terem sido aceitos pelos tribunais locais, e lamentou que os pedidos de clemência tenham sido rejeitados.

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"As execuções são totalmente reprováveis. Foram feitas com uma total falta de consideração pelas salvaguardas reconhecidas internacionalmente para o recurso à pena de morte", disse o diretor da Anistia para a Ásia-Pacífico, Rupert Abbott.

Segundo a organização, vários condenados não tiveram acesso a advogados competentes ou intérpretes durante a detenção e na fase inicial do julgamento.

A Anistia denunciou também que um dos condenados, o brasileiro Rodrigo Gularte, foi executado ainda que tenha sido diagnosticado com esquizofrenia, sendo que a lei internacional "claramente proíbe" o recurso à pena de morte para pessoas com incapacidades mentais.

*Com agências internacionais e Agência Brasil

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