Todung Mulya Lubis postou em sua conta no Twitter uma série de mensagens de pesar pelo fuzilamento desses dois presos

Advogado postou foto de quadro pintado por um dos australianos na Indonésia
Reprodução/Twitter
Advogado postou foto de quadro pintado por um dos australianos na Indonésia

O advogado dos australianos Andrew Chan e Myuran Sukumuran, ambos executados por tráfico de drogas na madrugada de terça-feira (28), horário de Jacarta, Todung Mulya Lubis, postou em sua conta no Twitter uma série de mensagens de pesar pelo fuzilamento das vítimas.

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"Eu falhei. Me desculpem!", dizia uma delas.  

Lubis postou ainda uma obra de arte de seu cliente Myuran Sukumuran, que aprendeu a pintar como parte de sua reabilitação na prisão indonésia. No quadro, que parece ser um auto-retrato, o preso aparece com um grande buraco preto no peito.

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Mesmo nos últimos minutos, Lubis ainda tentou suspender o fuzilamento por meio de leis sobre os direitos humanos. Ele havia conseguido o apoio dos defensores dos direitos humanos em Jacarta a fim de pressionar o governo do presidente indonésio Joko Widodo.

Momentos finais

Além dele, outros seis foram executados pelo pelotão de fuzilamento indonésio. As informações são do site australiano "The West Australian". Christie Buckingham, pastora que acompanhou um dos australianos até pouco tempo antes da execução, explicou que os condenados tiveram "força e dignidade até o fim". Enquanto caminhavam rumo ao pelotão, os presos entoaram cantos religiosos quase em uma só voz.

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Matéria do jornal australiano "Sydney Morning Herald" noticiou que o padre responsável por acalentar o brasileiro Rodrigo Gularte, Charles Burrows, contou ter sido um momento especialmente difícil para ele, que havia sido diagnosticado com esquizofrenia. O preso acreditou até o fim que teria a vida poupada, de acordo com parentes. O padre explicou que Gularte falava com animais e tinha medo de "satélites que os vigiariam do céu".

Testemunha afirma que os dois australianos, quatro nigerianos, um indonésio e o brasileiro saíram se suas celas na ilha de Nusakambangan e andaram até uma clareira na floresta, onde as execuções foram cumpridas.

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Todos se negaram a colocar a venda nos olhos e enquanto seguiam rumo a morte, entoaram cânticos religiosos, entre eles o famoso "Amazing Grace", até o pelotão iniciar os disparos.

Em Cilacap, cidade que dá acesso à ilha-prisão de Nusakambangan, ativistas se reuniram com velas e cartazes pouco antes da execução pedindo o fim da prática e cantando "Amazing Grace".

"Execuções reprováveis"

A Anistia Internacional qualificou nesta quarta como "reprovável" a execução dos condenados na Indonésia, denunciando como total falta de consideração pelo processo legal e salvaguarda dos direitos humanos.

A organização lembrou que as execuções ocorreram apesar de pelo menos dois recursos terem sido aceitos pelos tribunais locais, e lamentou que os pedidos de clemência tenham sido rejeitados.

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"As execuções são totalmente reprováveis. Foram feitas com uma total falta de consideração pelas salvaguardas reconhecidas internacionalmente para o recurso à pena de morte", disse o diretor da Anistia para a Ásia-Pacífico, Rupert Abbott.

Segundo a organização, vários condenados não tiveram acesso a advogados competentes ou intérpretes durante a detenção e na fase inicial do julgamento.

A Anistia denunciou também que um dos condenados, o brasileiro Rodrigo Gularte, foi executado ainda que tenha sido diagnosticado com esquizofrenia, sendo que a lei internacional "claramente proíbe" o recurso à pena de morte para pessoas com incapacidades mentais.

*Com agências internacionais e Agência Brasil

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