Previsto por cientistas há um mês, terremoto no Nepal 'seguiu padrão histórico'

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Estudo de cientistas identificou que região da Ásia sofre de abalos sísmicos históricos

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O devastador terremoto de magnitude 7,8 que atingiu o Nepal no último sábado (25) já deixou milhares de vítimas, feridos e desabrigados. Mas esta tragédia não é totalmente inesperada.

Imagem de Katmandu, capital do Nepal, após terremoto que matou mais de 2,5 mil pessoas
AP
Imagem de Katmandu, capital do Nepal, após terremoto que matou mais de 2,5 mil pessoas

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Cientistas haviam identificado há um mês a possibilidade de um grande abalado sísmico ocorrer no exato epicentro deste último tremor, após um estudo revelar um padrão histórico de terremotos nesta região.

Laurent Bollinger, da agência de pesquisa CEA na França, e seus colegas realizaram um pesquisa de campo no Nepal e identificaram ser comum que um grande terremoto gere outro, vários anos mais tarde, em uma mesma região.

Veja galeria com imagens da tragédia no Nepal

Homem executa ritos finais antes de cremar vítima do terremoto no Nepal. Foto: APCaixão à espera de corpo de vítima de terremoto que matou mais de duas mil pessoas no Nepal. Foto: APMulher chora ao lado de local em que corpo de vítima é cremado no meio da rua. Foto: APPessoas observam cremação em plena rua de vítima de terremoto no Nepal. Foto: APPessoas reconhecem corpos de familiares que foram vítimas de terremoto que matou mais de duas mil pessoas no Nepal. Foto: APMulheres choram diante dos corpos de parentes que morreram no terremoto do Nepal. Foto: APSituação de Katmandu, capital do Nepal, após terremoto que matou mais de duas mil pessoas. Foto: APCriança é socorrida após terremoto que deixou mais de dois mil mortos no Nepal. Foto: APSobreviventes de terremoto se desesperam ante ao cenário de destruição . Foto: APIdosa caminha por Katmandu, capital do Nepal e cidade mais atingida pelo terremoto que deixou dois mil mortos. Foto: APApós perder casa, sobreviventes do terremoto no Nepal se espalham pelas áreas devastadas de Kathmandu, capital do País. Foto: APPessoas aguardam atendimento médico após terremoto que deixou dois mil mortos no Nepal. Foto: APApós terremoto matar mais de duas mil pessoas no Nepal, país recebe suprimentos. Foto: APCenário desolador da cidade de Kathmandu, capital do Nepal, após terremoto que deixou dois mil mortos. Foto: APCenário devastado pelo terremoto que deixou mais de dois mil mortos no Nepal. Foto: APEquipes trabalham no resgate de sobreviventes do terremoto que deixou mais de dois mil mortos no Nepal . Foto: APEquipes trabalham no resgate do terremoto que deixou mais de dois mil mortos no Nepal. Foto: APTerremoto de 7,8 graus na escala Richter devastou parte do Nepal neste sábado (25). Foto: Fotos Públicas/British Red CrossTerremoto de 7,8 graus na escala Richter devastou parte do Nepal neste sábado (25). Foto: Fotos Públicas/British Red CrossÍndia envia suprimentos para vítimas do terremoto no Nepal. Foto: Fotos Públicas/Ministério da Defesa da ÍndiaÍndia envia suprimentos para vítimas do terremoto no Nepal. Foto: Fotos Públicas/Ministério da Defesa da ÍndiaÍndia envia suprimentos para vítimas do terremoto no Nepal. Foto: Fotos Públicas/Ministério da Defesa da ÍndiaÍndia envia suprimentos para vítimas do terremoto no Nepal. Foto: Fotos Públicas/Ministério da Defesa da ÍndiaKarina Oliani apontando para o topo do Everest. Foto: Arquivo pessoalBrasileira Mariana Malaguti Uchôa, de 26 anos, está desaparecida no Nepal. Foto: Reprodução/FacebookTerremoto de 7,9 de magnitude deixa centenas de mortos no Nepal. Foto: APPessoas são socorridas após terremotos que matou mais de mil pessoas no Nepal. Foto: APEquipes de socorro buscam sobreviventes após terremoto que matou mais de mil pessoas no Nepal. Foto: APCidade fica completamente destruída após terremoto que matou mais de mil pessoas no Nepal. Foto: APTerremoto atingiu Nepal e deixou mais de mil mortos . Foto: APTerremoto de 7,9 de magnitude deixa centenas de mortos no Nepal. Foto: APSituação dos acampamentos de montanhistas após terremoto que atingiu o Everest. Foto: APTerremoto de 7,9 de magnitude deixa centenas de mortos no Nepal. Foto: APTerremoto de 7,9 de magnitude deixa centenas de mortos no Nepal. Foto: APSituação dos acampamentos de montanhistas após terremoto que atingiu o Everest. Foto: APGuias retiram turistas do Everest após montanha ser atingida por terremoto. Foto: APVista do Everest após terremoto que matou mais de mil pessoas no Nepal. Foto: APTerremoto de 7,9 de magnitude deixa centenas de mortos no Nepal. Foto: APTerremoto de 7,9 de magnitude deixa centenas de mortos no Nepal. Foto: APTerremoto de 7,9 de magnitude deixa centenas de mortos no Nepal. Foto: APTerremoto de 7,9 de magnitude deixa centenas de mortos no Nepal. Foto: APTerremoto de 7,9 de magnitude deixa centenas de mortos no Nepal. Foto: APTerremoto de 7,9 de magnitude deixa centenas de mortos no Nepal. Foto: APTerremoto de 7,9 de magnitude deixa centenas de mortos no Nepal. Foto: APTerremoto de 7,9 de magnitude deixa centenas de mortos no Nepal. Foto: AP


Assim, um tremor ocorrido no Nepal em 1934, que matou 8,5 mil pessoas, teria gerado uma grande pressão no subsolo, que foi sendo transferida ao longo de uma falha geológica e liberada 81 anos depois, no último sábado.

O mesmo "efeito dominó" teria ocorrido há 700 anos, segundo os cientistas.

Falha geológica

Em sua pesquisa, Bollinger e sua equipe foram até à selva no centro-sul do Nepal para investigar a principal falha geológica do país, que corta seu território de leste a oeste e tem uma extensão de 1 mil quilômetros.

No local onde a falha chega à superfície, eles desenterraram fragmentos de carvão vegetal para verificar quando ela havia se movido pela última vez.

Textos antigos mencionam diversos terremotos, mas localizar no solo do Nepal onde eles ocorreram é extremamente difícil, porque intensas chuvas, deslizamentos de terra e a densa folhagem cobrem a superfície da terra, fazendo com que seja difícil identificar as rupturas causadas por um tremor.

Mas, a partir da análise do carvão, o grupo liderado por Bollinger encontrou evidências de que a falha investigada não havia se movido por um longo tempo.

"Mostramos que esta falha não havia sido a culpada pelos grandes terremotos de 1505 e 1833, e que a última vez que ela havia se movido havia sido em 1344", afirma Bollinger, que apresentou o estudo para a Sociedade Geológica do Nepal há duas semanas.

Preocupação

Antes, a equipe havia trabalhado em outro segmento próximo da falha, que fica ao leste de Kathmandu, e mostrado que ele havia passado por fortes terremotos em 1255 e, depois, em 1934.

Quando os cientistas viram este padrão de eventos, eles ficaram preocupados, porque, quando acontece um grande terremoto, o movimento de terra gerado por ele gera uma transferência de pressão ao longo da falha - e parece ter sido isso que ocorreu após o tremor de 1255.

Depois de 89 anos, em 1344, a pressão acumulada no segmento leste da falha foi liberada, gerando um novo forte abalo.

Agora, a história se repete, com a pressão gerada em 1934 sendo transferida rumo ao leste da falha e liberada 81 anos depois.

O mais preocupante é que os pesquisadores acreditam que novos tremores podem estar por vir.

"Cálculos sugerem que a magnitude 7,8 do terremoto de sábado não foi forte o suficiente para gerar um ruptura até a superfície, então, é possível que mais pressão ainda esteja acumulada", afirma Bollinger.

"Por isso, podemos esperar um novo grande terremoto ao leste e ao sul nas próximas décadas."

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