Promotor Javier De Luca afirma não ter encontrado evidências suficientes para abrir um inquérito contra Cristina Kirchner

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Um promotor da Argentina dispensou as acusações contra a presidente Cristina Kirchner segundo as quais ela teria ajudado oficiais iranianos a esconder detalhes sobre o ataque terrorista a um centro judaico que deixou dezenas de mortos em Buenos Aires, em 1994. A medida leva efetivamente ao encerramento do caso, que expôs uma série de divisões na sociedade do país.

Manifestantes protestam contra a morte de Nisman em Buenos Aires, em março: suicídio?
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Manifestantes protestam contra a morte de Nisman em Buenos Aires, em março: suicídio?

Javier De Luca justificou sua decisão afirmando que a investigação feita pelo promotor Alberto Nisman, encontrado morto em sua casa em janeiro, não encontrou evidências suficientes para se abrir um inquérito contra o governo. "Não houve crime", justificou De Luca em sua decisão, que faz eco às duas definições predecessoras da corte sobre o caso.

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Em fevereiro, um juiz federal também recusou a acusação de Nisman, também rechaçada pelo Tribunal Federal de Apelações. A decisão de De Luca de não apresentar novo recurso mostra que, de fato, a investigação está encerrada.

Ao longo dos últimos três meses, cada decisão da Justiça foi recebida com sentimentos opostos por apoiadores e detratores da presidente. O governo federal foi seguidamente acusado de ter sido responsável pela morte de Nisman, até hoje não esclarecida.

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"O caso ressaltou a ideia de que não existe de fato um Estado de direito", analisou Martin Bohmer, professor de Direito na Universidade de Buenos Aires. "A exibição de divisões e de medo enviou todas as mensagens erradas à população."

Dias antes de ser encontrado morto, em 18 de janeiro, Nisman acusou Cristina e oficiais de sua administração de encobrir iranianos supostamente envolvidos com o atentado ao centro judaico da Amia, no qual morreram 85 pessoas, em 1994. A presidente rechaçou com veemência as acusações ao lado do Irã, negando qualquer envolvimento com o pior ato do gênero da história argentina.

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A morte de Nisman ainda não está resolvida. Investigadores afirmam lidar tanto com a hipótese de homicídio quanto de suicídio. Amigos e parentes do promotor rejeitam a ideia de que ele tenha tirado a própria vida.

Enquanto Cristina vem sendo chamada para depor a respeito na Justiça, sua administração vem lutando contra as consequências da morte de Nisman, que abalou a popularidade da presidente, segundo pesquisas.

É o último ano de mandato da presidente, já que, assim como no Brasil, políticos não podem concorrer a um terceiro mandato para cargos executivos. As eleições no país estão marcadas para outubro.

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