Após tragédias, Itália prende duas pessoas por suspeita de tráfico

Por Ansa | - Atualizada às

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Anúncio foi feito pelo Ministério do Interior italiano; traficantes seriam os responsáveis pelo barco que naufragou na Líbia

O ministro do Interior da Itália, Angelino Alfano, anunciou, na noite desta segunda-feira (20), que foram presos os dois traficantes de seres humanos responsáveis pelo barco clandestino que naufragou no último fim de semana na costa da Líbia.

Imigrante é desembarcado na Sicília, na Itália, na noite desta segunda-feira (20): mar de mortes
Ansa
Imigrante é desembarcado na Sicília, na Itália, na noite desta segunda-feira (20): mar de mortes

O desastre no Mar Mediterrâneo pode ter deixado até 700 mortos, segundo relatos dos sobreviventes sobre o número de passageiros da embarcação. Os contrabandistas estavam no navio da Guarda Costeira que ancorou nesta segunda-feira no porto de Catânia, na Sicília, com 27 das 28 pessoas que escaparam do naufrágio.

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De acordo com Alfano, os presos são o comandante do barco, um tunisiano, e seu assistente, um sírio.

"No navio, a polícia realizou interrogatórios que permitiram à Procuradoria da República identificar e prender os dois traficantes", disse Alfano. A dupla responderá por múltiplo homicídio culposo e favorecimento à imigração clandestina.

Maior tragédia desde a Segunda Guerra
Se o número de 700 mortos for confirmado, o naufrágio será a pior tragédia do tipo já registrada no Mediterrâneo desde o fim da Segundo Guerra Mundial, em 1945. Como muitos fazem quase diariamente, a embarcação clandestina havia partido da Líbia, país que vive uma grave crise política e está dividido entre rebeldes e forças do governo.

Jornalistas aguardam a chegada dos botes com os sobreviventes dos naufrágios no porto de Catânia, na Itália . Foto: APNesta imagem tirada de vídeo disponibilizado pela Guarda Costeira italiana, navio de resgate  faz operação salvamento no mar Mediterrâneo, ao sul da ilha de Lampedusa. Foto: AP/Reprodução de TV A operação de salvamento tenta buscar sobreviventes de um barco que transportava imigrantes e capotou ao norte da Líbia. Foto: AP/GettyImages/ReproduçãoImigrantes recebem ajuda de profissionais de resgate médico no porto italiano de Messina. Foto: AP/Reprodução de TV Imigrantes na Itália . Foto: APMembro da Cruz Vermelha carrega bebê enrolado em um cobertor após os imigrantes sicilianos desembarcaram em Porto de Empedocle, no último dia 13 de abril. Foto: AP

No início de março, a agência da União Europeia para controle de fronteiras (Frontex) já havia alertado que entre 500 mil e 1 milhão de pessoas estariam prontas para deixar a nação africana rumo à Europa ao longo de 2015. Como a Itália fica a menos de 300 km de distância por água do país, acaba sendo a principal porta de entrada para imigrantes ilegais no continente.

Nesta segunda-feira (20), outros dois naufrágios reforçaram a preocupação com a crise migratória em toda a União Europeia. Um barco com cerca de 300 ocupantes e outro com 150 afundaram no Mediterrâneo, sendo que apenas algumas dezenas de pessoas foram resgatadas com vida.

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Mais cedo, uma embarcação com 80 pessoas proveniente da Turquia naufragou no Mar Egeu, perto de Rodes (Grécia), deixando três mortos.

Após as tragédias, o presidente da Itália – país que mais sofre com o problema –, Sergio Mattarella, criticou a falta de ação da UE e da comunidade internacional, enquanto o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi,  prometeu identificar e prender os traficantes que atuam no sul da Europa.

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