Estado Islâmico divulga vídeo com execuções de cristãos etíopes na Líbia

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Parte dos reféns foi decapitada e outra, morta a tiros; vítimas possivelmente eram imigrantes a caminho da Europa

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Reféns que aparecem sendo decapitados em praia da Líbia, segundo vídeo divulgado EI
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Reféns que aparecem sendo decapitados em praia da Líbia, segundo vídeo divulgado EI

Militantes do Estado Islâmico na Líbia mataram a tiros e decapitaram grupos de cristãos etíopes, de acordo com um vídeo supostamente diuvulgado pelos extremistras neste domingo (19). O ataque amplia a lista de países afetadas pelas atrocidades da milícia e mostra o crescimento do autodenominado "califado" na Síria e no Iraque.

A liberação do vídeo de 29 minutos ocorre um dia depois do presidente do Afeganistão culpar os extremistas por um ataque suicida em seu país que matou ao menos 35 pessoas e sublinha o caos que tem tomado conta da Líbia depois da guerra civil de 2011 e da morte do ditador Muamar Kadafi.

Veja o vídeo abaixo:

O vídeo também reflete um outro vídeo liberado em fevereiro que mostra os militantes decapitando 21 cristãos egípicos numa praia da Líbia, o que imediatamente levou o Egito a realizar ataques aéreos nas supostas posições do grupo na Líbia. Ainda não está claro se a Etiópia irá responder com uma força militar similar. Nenhum integrante
do governo comentou imediatamente o vídeo.

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A Etiópia há muito causa ira nos extremistas islâmicos em razão de seus ataques à vizinha Somália, cuja população é quase totalmente muçulmana. Apesar de um militante no vídeo dizer, em determinado momento, "o sangue muçulmano que foi derramado sob as mãos da sua religião não é barato", ele não mencionou diretamente ações do governo etíope.

O vídeo, divulgado por meio das contas de militantes em redes sociais e em sites, não pôde ser independentemente verificado pela Associated Press. Entretanto, tem correspondência com outros vídeos liberados pelo EI e leva o símbolo do braço de mídia do grupo, o al-Furqan. 

Cenas de destruição de igrejas e decapitações

O vídeo começa com o que é descrito como uma história das relações entre cristãos e mulçulmanos, seguido por cenas de militantes destruindo igrejas, túmulos e ícones. Um militante mascarado brandindo uma pistola faz um longo discurso, dizendo que os cristãos têm de se converter ao Islã ou pagar uma taxa especial prevista no Alcorão.

As imagens mostram um grupo de capturados, identificados como cristãos etíopes, supostamente mantidos reféns por uma afiliada do Estado Islâmico no leste da Líbia conhecida como Província de Barqa. Também mostra outro grupo, supostamente mantido por uma afiliada no sul do país e que se identifica como Província de Fazan.

O vídeo, então, passa a alternar entre cenas dos reféns no sul sendo mortos a tiros e reféns no leste sendo decapitados na praia. Não foi possível estimar, imediatamente, quantos foram mortos e quais suas identidades.

Vítimas poderiam ser imigrantes que buscam chegar à Europa

Um integrante do Escritório do Patricardo da Igreja Ortodoxa Etíope Tewahdo disse acreditar que as vítimas eram, possivelmente, imigrantes etíopes que tentavam chegar à Europa. A Líbia se tornou uma conexão para imigrantes africanos que buscam cruzar o mediterrâneo e chegar ao outro continente.

Veja fotos de vítimas do Estado Islâmico

Kayla Mueller, refém norte-americana do Estado Islâmico, morreu na terça-feira (10 de fevereiro); segundo o grupo terrorista ela teria sido vítima de um bombardeio da Jordânia na Síria . Foto: APEstado Islâmico divulga vídeo onde suposto piloto jordaniano é queimado vivo em gaiola, no dia 3 de fevereiro. Foto: Reprodução/TwitterO jornalista japonês Kenji Goto foi morto pelos extremistas do Estado Islâmico no dia 30 de janeiro. Ele havia viajado para a Síria visando libertar o refém Yukawa. Foto: APImagem obtida por meio de vídeo do Estado Islâmico mostra o japonês Haruna Yukawa (à dir.), que foi decapitado em 24 de janeiro. Ele foi à Síria por ser fascinado por guerras. Foto: APO americano Peter Kassig foi identificado como o homem decapitado pelo Estado Islâmico em 16 de novembro de 2014. Ele era voluntário na Síria. Foto: ReutersNo dia 3 e outubro de 2014, o voluntário inglês Alan Henning foi decapitado pelos terroristas do Estado Islâmico. Foto: Reprodução/YoutubeVídeo mostra decapitação do refém britânico David Haines, que era voluntário na Síria e foi morto em 13 de setembro de 2014. Foto: ReutersImagem feita a partir de vídeo postado na internet pelo Estado Islâmico mostra jornalista americano Steven J. Sotloff antes de ser decapitado, no dia 2 de setembro de 2014. Foto: APInsurgentes do grupo jihadista Estado Islâmico divulgaram a decapitação do jornalista americano James Foley em 19 de agosto de 2014. Foto: Reprodução/Youtube

"Eu acredito que é mais um caso de assassinato de cristãos em nome do Islã. Nossos compatriotas acabaram de ser mortos pela violência religiosa, que é totalmente inaceitável. Isso é intolerável", disse Mulugeta. "Nenhuma regilião determina a morte de outras pessoas, mesmo de pessoas de outra religião."

Após os assassinatos de cristãos coptas em fevereiro, o Egito respondeu com ataques áereos contra uma base do EI em Darna. Novas incursões não ocorreram, mas o presidente egípcio busca constituir uma força pan arábica para fazer face às ameaças dos extremistas na região.

O EI, que emergiu da afiliada da Al Qaeda no Iraque, agora controla cerca de 1/3 do Iraque e da Síria em seu autodeclarado califado, e tem convocado os muçulmanos de todo o mundo a se unirem a eles. Os vídeos online, incluindo cenas de matança e decapitações, têm atraído a atenção de vários extremistas.

A influência do EI cresceu desde que o grupo capturou grandes áreas do Iraque entre junho e setembro do ano passado. Insurgentes na estratégica província do Sinai, no Egito, também declararam apoio ao grupo, e outra afiliada no Iêmem reinvindicou a autoria de diversos ataques suicidas em março que mataram 137 pessoas.

No sábado (18), o presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, culpou uma afiliada do EI em seu país pelo ataque a um banco que matou 35 pessoas e feriu 125. Uma afiliada também opera no paquistão.

Entretanto, o tipo de estrutura de comando central usado pelo EI ainda é um mistério.

"O Estado Islâmico na Líbia ainda está focado na fase de consolidação do anúncio de sua presença por meio dessas execuções expressivas", diz Frederic Wehrey, do Programa de Oriente Médio do Fundo Carnegie para a Paz Internacional. "Mas eles enfrentam alguns limites estruturais em termos de quanto apoio conseguem obter, pois não conseguiram capturar fontes de financiamento reais."

90 mil fogem de confronto no Iraque

Enquanto isso, no domingo (19), uma coalizão liderada pelos Estados Unidos disse que forças curdas reconquistaram 11 vilarejos na província de Kirkuk, no Iraque, após vários dias de confrontos intensos. A coalizão informou que a área de aproximadamente 65 quilômetros quadrados fica ao sul da cidade de Kirkuk.

Os extremistas capturaram 3 vilarejos próximo da cidade iraquiana de Ramadi, na província de Anbar, e foram atacados por militares iraquianos. Mais de 90 mil pessoas fugiram, segundo uma agência humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU).

"Nossa prioridade é entregar assistência às pessoas que estão fugindo. Comida, água e refúgio são estão no topo das prioridades", disse Lise Grande, coordenadora do programa humanitário da ONU para o Iraque. "Ver pessoas carregando o pouco que têm e fugindo em busca de segurança parte o coração."

Tropas do Iraque apoiadas por militantes xiitas e ataques aéreos liderados pelos Estados Unidos afastaram grupos do EI da cidade de Tikrit neste mês. Mas as tropas lutaram contra os militantes em Anbar, que foi palco de algumas das lutas mais intensas durante a ocupação militar norte-americana que terminou em 2011.

Vídeo mostra rebeldes do Estado Islâmico destruindo estátuas no Iraque


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