"É um genocídio", diz premiê após barco naufragar com 700 pessoas a bordo

Por iG São Paulo * | - Atualizada às

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Embarcação pertencente a traficantes afundou a cerca de 100 km da costa da Líbia; se número de mortos se confirmar, poderá ser a maior tragédia do gênero no Mar Mediterrâneo

"É genocídio. Nada menos do que genocídio". Foi assim que Joseph Muscat, o primeiro-ministro de Malta – arquipélago europeu localizado a 93 km da costa da Itália –, descreveu à rede norte-americana CNN o naufrágio de um barco com 700 pessoas a bordo, neste domingo (19), no Mar Mediterrâneo. 

De 2013 para 2014, o número de imigrantes fazendo a travessia praticamente quadruplicou
AP
De 2013 para 2014, o número de imigrantes fazendo a travessia praticamente quadruplicou

"Gangues de criminosos estão colocando pessoas a bordo, às vezes até lhes apontando armas", atacou Muscat, incrédulo diante de mais uma tragédia no Mediterrâneo, desta vez ocorrida a 100 km da costa da Líbia, um dos países com maior número de refugiados da África. "Eles estão colocando essas pessoas na estrada da morte, de verdade. Nada além disso."

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A busca por sobreviventes e corpos dos passageiros da embarcação, que partiu da Líbia em direção à costa da Sicília, na Itália, contava neste domingo com dezenas de navios. Mas, ao início da noite, apenas 28 sobreviventes e 24 corpos haviam sido encontrados, segundo o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi. Na véspera da tragédia, o premiê se encontrou com o Papa Francisco, que lhe parabenizou pela atitude de seu país de receber imigrantes da África e do Oriente Médio em seu território.

Segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), divulgados na sexta-feira (17), 950 pessoas morreram desde o início do ano tentando atravessar o Mar Mediterrâneo em busca de uma vida melhor – números que, naturalmente, excluem o naufrágio deste domingo, que os elevaria para cerca de 1.600, segundo as informações preliminares.

Nesta imagem tirada de vídeo disponibilizado pela Guarda Costeira italiana, navio de resgate  faz operação salvamento no mar Mediterrâneo, ao sul da ilha de Lampedusa. Foto: AP/Reprodução de TV A operação de salvamento tenta buscar sobreviventes de um barco que transportava imigrantes e capotou ao norte da Líbia. Foto: AP/GettyImages/ReproduçãoImigrantes recebem ajuda de profissionais de resgate médico no porto italiano de Messina. Foto: AP/Reprodução de TV Imigrantes na Itália . Foto: APMembro da Cruz Vermelha carrega bebê enrolado em um cobertor após os imigrantes sicilianos desembarcaram em Porto de Empedocle, no último dia 13 de abril. Foto: AP

Na última quinta-feira (16), a polícia de Palermo afirmou ter detido 15 pessoas suspeitas de terem atirado 12 cristãos ao mar, deixando todos mortos. A denúncia foi feita por sobreviventes nigerianos e ganeses da embarcação, um pequeno bote de plástico oriundo da Líbia, resgatados pelas autoridades costeiras durante a manhã da data.

A investigação afirma que o incidente deste domingo ocorreu quando equipes de resgate se aproximavam do barco de um traficante para analisá-lo e ele afundou. A tragédia pode ser a mais letal envolvendo migrantes da história conhecida do Mediterrâneo. O que levou, em meio à pior crise do gênero que se tem notícia, os líderes da União Europeia a se reúnirem para de fato tomarem uma ação decisiva a respeito.

O presidente da França, François Hollande, disse que a Europa deve agir diante do aumento da “situação dramática” em relação à imigração que se verifica desde o início do ano. Entre 2013 e 2014, o número de refugiados na região quase quadruplicou, segundo a ONU.

“Os que metem as pessoas nos barcos são traficantes. São terroristas porque sabem perfeitamente que essas embarcações não têm condições e podem naufragar, pondo centenas de pessoas em perigo”, afirmou o chefe de Estado francês.

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De acordo com um sobrevivente de Bangladesh, centenas de passageiros foram trancafiados nos porões do barco pelos traficantes, impedindo qualquer tentativa de sobreviver durante o naufrágio.

"O pequeno número de pessoas que encontramos realmente dá força a esta tese: se a maioria dos passageiros foi trancada no porão, certamente a embarcação afundaria devido ao peso em sua parte inferior", afirmou o general Antonino Irao, da polícia fronteiriça italiana.

Ainda segundo o mesmo sobrevivente, cerca de 300 pessoas estavamo no porão quando o barco de pesca foi virado, sendo 200 delas mulheres, além de dezenas de crianças.

Do início do ano para cá, 35 mil migrantes chegaram à Europa em busca de asilo, de acordo com dados oficiais.

"A comunidade internacional precisa agir de forma decisiva e rapidamente para evitar tragédias semelhantes voltem a ocorrer", pediu o Papa Francisco após a confirmação da tragédia.

O aumento da migração vem em meio a uma das maiores e mais brutais ondas de conflitos dos últimos anos na região. Os refugiados buscam fugir de guerras, perseguições e conflitos na África, Oriente Médio e Ásia. Pela falta de estabilidade da líbia desde a queda do ditador Muammar Gaddafi, em 2011, e pela proximidade de sua costa da Itália, a Líbia tem sido um dos principais pontos de partida das pessoas desesperadas por um novo lar.

* Com AP, CNN e Canale +

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