África do Sul vive onda de xenofobia: dezenas estão presos; mortes chegam a seis

Por iG São Paulo * | - Atualizada às

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Presidente Jacob Zuma cancelou visita oficial à Indonésia para lidar com manifestações contra estrangeiros no país

Uma onda de xenofobia na África do Sul tem levado centenas de estrangeiros a voltarem a seus países por temerem agressões de sul-africanos intolerantes à presença deles no país. Ao menos seis pessoas morreram nas últimas semanas em decorrência de atos xenófobos.

Sul-africanos usam armas brancas para intimidar estrangeiros e convencê-los a deixar o país
AP
Sul-africanos usam armas brancas para intimidar estrangeiros e convencê-los a deixar o país

A situação chegou a tal nível de gravidade que o presidente sul-africano, Jacob Zuma, cancelou, neste sábado (18), uma visita oficial à Indonésia, com a justificativa de que precisa “se ocupar de problemas domésticos” relacionados à violência contra estrangeiros no país, informou o gabinete do chefe de Estado.

A polícia na região do KwaZulu-Natal informou ter detido 78 pessoas que estariam envolvidas em atos de violência racista. 

"Façam suas malas"
A onda de violência teria começado após o rei Zulu, Goodwill Zwelithini, afirmar em um evento que os estrangeiros deveriam "fazer suas malas e ir emobra da África do Sul por estarem roubando empregos de cidadãos", segundo a mídia local.

Pouco depois do discurso xenófobo, teria sido deflagrada a violência, primeiramente na cidade de Durban, onde se encontra um dos grandes portos marítimos do país. 

Os representantes de Goodwill negaram que ele tenha feito o comentário. Assim como outros reis tribais, o líder pode até ser uma figura mais cerimonial no país, mas possui grande influência em sua comunidade, podendo persuadi-la a cumprir suas determinações.

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A ONU afirma que os ataques começaram em março, após uma disputa trabalhista entre cidadãos sul-africanos e trabalhadores estrangeiros. 

Cancelamento de visita oficial
Zuma participaria na Indonésia da Cúpula África-Ásia que comemora o acordo de Bandung, de 1955, no qual os líderes dos dois continentes impulsionaram os movimentos de libertação e autodeterminação.

O chefe do Executivo sul-africano será substituído pelo vice-presidente Cyril Ramaphosa no encontro internacional. Neste sábado (18), Zuma visitaria os estrangeiros que foram obrigados a abandonar os locais onde moravam e migrarem a um acampamento em Chatsworth, em Durban.

O chefe de Estado voltou a condenar os ataques contra os estrangeiros, incluindo cidadãos moçambicanos, e pediu à polícia para continuar trabalhando “dia e noite para proteger as populações” e prender os responsáveis.

As últimas informações das autoridades de Moçambique mostram que 107 moçambicanos, incluindo 21 crianças, voltaram para o país na sexta-feira (17). Todos foram instalados em um campo em Boane, província de Maputo, repatriados da África do Sul devido à onda de violência xenófoba.

Mais de 100 pessoas manifestaram-se neste sábado em Maputo contra a onda de violência na África do Sul. A marcha terminou em frente à embaixada sul-africana na capital moçambicana.

* Com Agência Lusa e CNN

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