Silvio Berlusconi era "peão" da máfia siciliana, diz ex-membro do grupo

Por Ansa | - Atualizada às

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Carmelo D'Amico, que integrou a Cosa Nostra, disse à Justiça que o ex-premiê era somente um "peão" do grupo criminoso

Carmelo D'Amico, um membro "arrependido" da Cosa Nostra, disse à Justiça italiana que o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi era apenas um "peão" da máfia siciliana.

Dia 14: Tribunal italiano extingue condenação contra Silvio Berlusconi

Ex-premiê Silvio Berlusconi enxuga o rosto em sessão do Senado em Roma, Itália (10/2014)
AP
Ex-premiê Silvio Berlusconi enxuga o rosto em sessão do Senado em Roma, Itália (10/2014)

Fevereiro: Ex-premiê Berlusconi ainda dá dinheiro a prostitutas de luxo, diz investigação

Segundo ele, o partido do ex-premier, o conservador Forza Italia (FI), foi criado no início dos anos 1990 por vontade dos Serviços Secretos do país e dos ex-líderes mafiosos Salvatore "Totò" Riina e Bernardo Provenzano, ambos condenados à prisão perpétua.

"Berlusconi era um peão de Marcello Dell'Utri [ex-senador sentenciado por associação mafiosa], Riina, Provenzano e dos Serviços", afirmou D'Amico, contando também que todos os membros da Cosa Nostra que estão encarcerados votam no FI.

Essa não é a primeira vez que um depoimento liga o ex-primeiro-ministro à máfia siciliana. Em julho do ano passado, outro "arrependido", Antonino Galliano, havia dito que Berlusconi dava dinheiro à organização por meio de Dell'Utri, que atualmente está foragido no Líbano. As delações aconteceram no âmbito de um amplo processo que investiga as relações entre o Estado e mafiosos.

Além disso, em dezembro de 2013, Alessandra Dino, professora de sociologia da Universidade de Palermo, afirmara em um evento em São Paulo que membros da Cosa Nostra integraram o Forza Italia no início dos anos 1990. 

Governo 

As denúncias de D'Amico também atingem o atual ministro do Interior italiano, Angelino Alfano, um ex-aliado de Silvio Berlusconi. Segundo ele, o político conservador foi eleito para a Câmara dos Deputados com os votos da máfia.

"Entre os que fizeram acordos com a Cosa Nostra estão Angelino Alfano e Renato Schifani [ex-presidente do Senado]. Mas depois Alfano virou as costas para ela", contou o "arrependido", que disse ter colhido essas informações com ex-líderes do grupo na prisão. O ministro não comentou a acusação. 

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