Autoridades afirmam que os migrantes foram vítimas de intolerância religiosa; embarque de passageiros foi na Líbia

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A crise de imigração na Itália foi marcada por um episódio de imensa intolerância religiosa nesta quinta-feira (16), quando autoridades da Sicília divulgou que um grupo de muçulmanos empurrou ao mar 12 cristãos em uma travessia recente da Líbia para o litoral europeu.

Migrantes oriundos da Líbia recebem atendimento de autoridades na Sicília, nesta quinta-feira
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Migrantes oriundos da Líbia recebem atendimento de autoridades na Sicília, nesta quinta-feira

A polícia de Palermo afirma ter detido 15 pessoas suspeitas de terem praticado o ato em alto mar, que culminou na morte de todos os 12 cristãos. A denúncia foi feita por sobreviventes nigerianos e ganeses da embarcação, um pequeno bote de plástico, resgatados pelas autoridades do mar na manhã desta quinta-feira.

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Todos os suspeitos foram acusados de múltiplo homicídio com o agravante de o ato ter sido cometido como consequência da intolerância religiosa, afirmou a polícia em comunicado.

Os sobreviventes dizem ter embarcado no bote, ocupado por 105 passageiros, na costa da Líbia, na última terça-feira (14). Eles fazem parte da leva de migrantes que têm aproveitado as águas calmas e o clima quente dos últimos dias para fazer a arriscada travessia a Líbia, de onde boa parte das operações são originadas, à Itália.

Relembre grandes tragédias pelo mundo ocorridas em 2014:

Durante a travessia, migrantes cristãos da Nigéria e Gana foram obrigados por outros 15 passageiros, oriundos da Costa do Marfim, Senegal, Mali e Guiné-Bissau, a abandonarem a embarcação e pularem ao mar. O comunicado diz que a justificativa para a violência foi o fato de as vítimas seguirem a fé cristã, enquanto os agressores eram todos muçulmanos.

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Mais cedo, nesta quinta-feira, a Organização Internacional de Migração resgatou quatro migrantes, parte de uma leva de outros 580 que ia à Europa, da qual 41 morreram. A entidade disse que o grupo – três nigerianos e um ganense – foram encontrados por um helicóptero flutuando no mar. Eles haviam deixado Trípoli, capital líbia, no sábado (11), e permaneceram no barco ao longo de quatro dias.

As recentes tragédias vêm dias depois de agências internacionais divulgarem terem encontrado 400 pessoas mortas em decorrência do naufrágio do navio que as transportavam para a Europa, próximas à costa da Líbia. As mortes elevaram o alerta na região para o aumento de buscas e resgates nos mares entre a Líbia e o continente europeu no momento de boom de uma onda de imigração de cidadãos do Oriente Médio e da África em direção à Itália.

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