Obama aprova retirada de Cuba da lista de patrocinadores do terrorismo

Por AP | - Atualizada às

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Medida vem 4 meses após presidente dos EUA e o cubano Raúl Castro anunciarem aproximação histórica entre os países; para entrar em vigor, medida tem de ser aprovada pelo Congresso

AP

O presidente dos EUA, Barack Obama, aprovou, nesta terça-feira (14), a retirada de Cuba da lista dos países que patrocinam o terrorismo internacional. A medida, divulgada pela Casa Branca, vem quatro meses depois de as duas nações terem anunciado uma reaproximação histórica após anos sem relações diplomáticas.

Obama e Raúl Castro em encontro na Cúpula das Américas, na Cidade do México, no sábado
AP Photo
Obama e Raúl Castro em encontro na Cúpula das Américas, na Cidade do México, no sábado

De acordo com a presidência, Obama enviou as documentações necessárias ao Congresso e uma carta que indica sua intenção de retirar Cuba da "lista negra". Agora, o Parlamento norte-americano, cuja maioria é opositora ao presidente, tem 45 dias para anunciar sua decisão sobre a medida, que só entrará em vigor se for aprovada pelos legisladores.

"O governo de Cuba não forneceu apoio ao terrorismo internacional ao longo dos últimos seis meses", justificou Obama em sua mensagem ao Congresso, acrescentando que Cuba "ofereceu garantias de que não apoiará atos do gênero no futuro".

Com a exclusão de Cuba, a "lista negra" dos norte-americanos passa a incluir somente Irã, Sudão e Síria. A Coreia do Norte também foi ameaçada de ser inserida pelos EUA no final do ano passado, após o episódio de invasão de dados da Sony antes do lançamento do filme "A Entrevista" – sobre a tentativa de assassinato do ditador norte-coreano Kim Jong-un. Até o momento, no entanto, isso não ocorreu.

O Secretário de Comunicação da Casa Branca, Josh Earnest, afirmou que a decisão não muda o fato de EUA e Cuba terem diferenças ideológicas e políticas. "Mas nossa preocupação quanto a esses pontos não se enquadra nos critérios relevantes para a possibilidade de rescindir a designação de Cuba como um Estado patrocinador do terrorismo", disse ele.

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Reaproximação histórica 
No dia 17 de dezembro, Obama declarou o fim da "abordagem ultrapassada" dos Estados Unidos a Cuba, anunciando o restabelecimento de relações diplomáticas, bem como os laços econômicos e de turismo – uma mudança histórica na política dos EUA, que coloca fim a meio século de inimizades como consequência da Guerra Fria.

Enquanto Obama fazia o comunicado na Casa Branca, o presidente cubano Raúl Castro discursava para sua própria nação em Havana, capital cubana. Na ocasião, Obama e Castro falaram ao telefone por mais de 45 minutos, afirmaram.

Em discursos concomitantes transmitidos para o mundo todo, eles comentaram detalhadamente os problemas causados pelo embargo da nação americana à ilha caribenha, iniciado em 7 de fevereiro de 1962.

Veja fotos do dia em que foi anunciada a reaproximação dos dois países:

O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou nesta quarta-feira (17) uma série de mudanças nas relações entre o país e Cuba. Foto: AP Photo/Doug Mills, PoolO líder de Cuba, Raúl Castro, discursa sobre retomada das relações com os EUA, nesta quarta-feira. Foto: Youtube/ReproduçãoPresidente Barack Obama durante discurso no Salão Leste da Casa Branca em Washington, EUA . Foto: APEstados Unidos e Cuba não se relacionam desde 1962 -  obstáculos às relações econômicas foram adotados pelos EUA. Foto: AP Photo/SABC Pool, FileFotos mostra Alan Gross, ex-prisioneiro americano libertado por Cuba, chegando na Andrews Air Force Base. Foto: AP Photo/Sen. Jeff FlakeAlan Gross com sua esposa, Judy, antes de deixar Cuba. Foto: AP Photo/Sen. Jeff FlakeFoto de Alan Gross, prisioneiro americano libertado por Cuba. Foto: AP Photo/James L. Berenthal, FileAlan Gros, prisioneiro americano libertado por Cuba, e sua mulher, Judy Gross, em local desconhecido . Foto: AP Photo/Gross Family, File

El bloqueo
Conhecido pelos cubanos como "el bloqueo" (o bloqueio), o embargo norte-americano a Cuba foi uma medida adotada pelos EUA no auge da Guerra Fria que interditou totalmente a relação econômica, financeira e comercial entre os dois países, separados por uma fronteira marítima de apenas 535 km.

A medida foi imposta no início dos anos 1960, depois do revolucionário e então recém-empossado líder cubano, Fidel Castro, iniciar uma aproximação com a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), representada pela Rússia.

Após uma restrição inicial para a importação de açúcar cubano ao território norte-americano, instituída pelo então presidente dos EUA Dwight Eisenhower em 1960, John F. Kennedy ampliou as restrições para o grau máximo dois anos depois, suspendendo relações de nações anteriormente tão próximas – antes da Revolução Cubana que removeu a ditadura de Fulgencio Batista do poder, Cuba era conhecido como um "quintal dos EUA", onde empresários exploravam seus recursos e as elites passavam temporadas gastando dólares em seus cassinos e hotéis de luxo.

Devido ao aumento da tensão por influência entre soviéticos e norte-americanos, em 1962 Cuba foi protagonista daquela que ficou conhecida como a Crise dos Mísseis.

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Em resposta à instalação de mísseis nucleares na Europa e à tentativa dos EUA de derrubarem Castro em Cuba, no ano anterior, os russos colocaram mísseis em território cubano apontados diretamente para os EUA em outubro.

A tensão acabou levando os EUA a impor restrições para viagens de seus cidadãos ao país caribenho, bem como à restrição comercial total entre as nações-membro da Organização dos Estados Americanos (OEA) com os cubanos. Também colaborou para a assinatura do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, cujo objetivo foi conter a corrida armamentista mundial, em 1968.

O embargo total, no entanto, prosseguiu, com presidentes norte-americanos assinando continuamente sua prevalência ao longo dos anos. Entre eles, o próprio Barack Obama, eleito chefe do Poder Executivo do país em 2008 com a promessa de terminar com o longo bloqueio à nação caribenha, conhecida pelos mais diversos problemas sociais.

*Com AP, Ansa e BBC

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