Mais de 50 estudantes teriam sido reconhecidas no nordeste do país; paradeiro do grupo raptado continua desconhecido

BBC

Mais de 50 das garotas sequestradas pelos militantes islâmicos do Boko Haram na Nigéria no ano passado teriam sido vistas vivas, disse uma mulher à BBC.

Hoje: Novo presidente da Nigéria diz não prometer resgate de estudantes raptadas

Fátima, de apenas 8 anos, perdeu o pai durante ataque do grupo terrorista
BBC
Fátima, de apenas 8 anos, perdeu o pai durante ataque do grupo terrorista

Cenário:  Testemunhas relatam terror do Boko Haram um ano após raptos

Ela disse ter visto as meninas em trajes islâmicos sendo escoltada por militantes na cidade de Gwoza, no nordeste do país, antes do grupo ser expulso por forças regionais. Militantes do Boko Haram sequestraram mais de 219 garotas da cidade de Chibok há um ano, gerando condenação internacional. Estados Unidos, China e outros países prometeram ajuda para encontrar as meninas.

No entanto, o paradeiro delas segue desconhecido desde que foram sequestradas do colégio onde viviam. O presidente-eleito da Nigéria, Muhammadu Buhari, disse que fará o que puder para libertar as estudantes, mas admitiu que algumas delas poderão nunca mais ser encontradas.

Relato: "Sou cristã, educadora e alvo do Boko Haram", diz refugiada da Nigéria no Brasil

Sequestro da Nigéria

Segundo a mulher, que pediu para não ter a identidade revelada por temer represálias, as meninas identificadas como sendo as estudantes de Chibok estavam sendo mantidas "numa grande casa". Três outras mulheres também disseram à BBC terem visto as meninas em Gwoza.

Acredita-se que o Boko Haram tenha transformado Gwoza em seu reduto após ter capturado a cidade em agosto de 2014. O Exército nigeriano, apoiado por tropas de países vizinhos, recapturou a cidade no mês passado.

Militantes podem ter fugido para as montanhas Mandara, perto de Camarões. Não se sabe se as meninas estão com eles.

'Aulas do Corão e tranças'

Outra mulher disse à BBC ter visto algumas das meninas em novembro em um campo do Boko Haram no vilarejo de Bita, também no nordeste.

"Cerca de uma semana após elas terem sido levadas ao campo, uma de nós espiou pela janela e perguntou: 'Vocês são mesmo as meninas de Chibok?' e elas disseram: 'Sim'. Acreditamos nelas e não perguntamos de novo", disse a mulher.

"Elas tinham aulas do Corão, limpavam a área, cozinhavam para elas mesmas e faziam tranças nos cabelos umas das outras. Elas eram tratadas de maneira diferente - a comida delas era melhor e a água era limpa".

O presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, que perdeu a reeleição para Muhammadu Buhari, tem sido criticado pela falta de sucesso no empenho para por fim à insurgência de seis anos no nordeste do país e para garantir a libertação das meninas.

Buhari prometeu uma intensa ação de repressão contra os insurgentes. Ele deverá ser empossado como presidente no dia 29 de maio.

O líder do Boko Haram, Abubakar Shekau, disse que as meninas foram convertidas ao Islã e se casaram, aumentando preocupações de que militantes as trataram como moeda de guerra e escravas sexuais.

Shekau anunciou lealdade ao grupo islâmico autodenominado "Estado Islâmico", conhecido por realizar sequestros no Iraque e na Síria.

Protesto silencioso

A campanha "Bring Back Our Girls" (Traga nossas garotas de volta, na tradução literal) organizou um protesto silencioso na capital nigeriana, Abuja, para relembrar o sequestro das meninas. Outros atos deverão ser realizados pela Nigéria e em cidades do mundo.

Em carta aberta, a ativista Nobel da Paz Malala Yousafzai pediu para que autoridades nigerianas e a comunidade internacional façam mais para que as meninas sejam libertadas.

Um novo relatório da Anistia Internacional disse que ao menos 2 mil mulheres e meninas foram sequestradas pelo Boko Haram desde o início do ano passado.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.