Turquia chama de inaceitáveis declarações do papa sobre genocídio de armênios

Por Ansa |

compartilhe

Tamanho do texto

Papa Francisco chamou de genocídio morte de armênios há cem anos durante missa neste domingo. Turquia não admite

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, afirmou neste domingo (12) que as declarações do Papa Francisco, que chamou de genocídio a morte de armênios há cem anos, de "inaceitáveis".

O papa Francisco celebrou uma missa para lembrar os 100 anos do "martírio armênio" (Metz Yeghern) e chamou o ato de "genocídio", causando um problema diplomático com a Turquia.

Papa Francisco e Aram I, líder espiritual da Igreja Armênia, durante misse pelo aniversário de 100 anos do genocídio armênio
AP Photo/Gregorio Borgia
Papa Francisco e Aram I, líder espiritual da Igreja Armênia, durante misse pelo aniversário de 100 anos do genocídio armênio

"A nossa humanidade viu no século passado três grandes tragédias: a primeira, aquela que vem comumente lembrada como o primeiro genocídio do século 20, essa atingiu o vosso povo armênio, primeira nação cristã. As outras duas foram perpetradas pelo nazismo e pelo stalinismo e, mais recentemente, os extermínios em massa que ocorreram no Camboja, Ruanda, Burundi e Bósnia. Parece que a humanidade não para de derramar sangue inocente", destacou o Pontífice.

Além de falar sobre a morte dos armênios, o sucessor de Bento XVI lembrou que foram assassinados também "muitos católicos sírios e ortodoxos, além de assírios, caldeus e gregos".

A cerimônia foi realizada com o patriarca da Igreja da Armênia, Nerses Bedros XIX Tarmouni, com o Supremo Patriarca Católico de Todos os Armênios, Karekin II, e com Aram I, da Grande Casa Cilicia. Além dos religiosos, estava presente o presidente da Armênia, Serj Sargsyan.

Crise com Turquia

Após as declarações, o embaixador do Vaticano na Turquia, Antonio Lucibello, foi convocado pelo Ministério das Relações Exteriores de Ancara para dar explicações sobre a fala do Papa, contou à ANSA o próprio núncio. Na conversa, as autoridades turcas quiseram expressar "sua decepção" pelas palavras de Jorge Mario Bergoglio.

Horas mais tarde, o representante diplomático da Turquia na Santa Sé também foi convocado como sinal de protesto contra o discurso do Pontífice.

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, afirmou ainda que as palavras de Francisco são "inaceitáveis". Segundo o jornal "Zaman", o titular da pasta disse ainda que as "declarações do Papa não são baseadas em dados históricos e legais".

A Turquia se nega a aceitar que o que ocorreu entre os anos de 1915 e 1916 tenha sido um genocídio e combate uma guerra diplomática permanente para que outros países não reconheçam o fato como tal.

O massacre ocorrido contra o povo armênio causou a morte de mais de um milhão e meio de pessoas e diversas entidades lutam pelo reconhecimento mundial de um "genocídio. As mortes ocorreram quando o partido chamado de "Jovens Turcos" atacou essa população que pertencia ao Império Otomano. Para muitos historiadores, ele é considerado um "holocausto turco" contra os armênios.

Leia tudo sobre: papa franciscoturquiaarmêniagenocídio

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas