No Iraque, valas com até 1,7 mil corpos mostram horror do Estado Islâmico

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Detalhes da execução dos militares teriam sido fotografados e gravados em vídeo – e, depois, enviados pela internet em 2014

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Equipes de perícia forense começaram a escavar 12 valas comuns encontradas em Tikrit, no norte do Iraque.

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As escavações só começaram agora porque Tirkit estava na mão do 'Estado Islâmico'
Reuters
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Os peritos acreditam que possa haver no local até 1,7 mil corpos de soldados iraquianos, que teriam sido sequestrados e assassinados por militantes do grupo autodenominado "Estado Islâmico" (EI).

Detalhes da execução dos militares teriam sido fotografados e gravados em vídeo – e, em seguida, enviados em junho de 2014 pela internet como parte da propaganda jihadista do grupo.

Na época, o então porta-voz do EI, Qassim al-Moussawi, afirmou que as imagens eram autênticas. A maioria delas mostrava homens vestido como civis sendo obrigados a deitar nas valas. Em outas, era possível ver os jihadistas executando as vítimas.

A autenticidade das imagens nunca foi confirmada, mas se a análise de DNA dos corpos mostrar que eles são mesmo de soldados desaparecidos, essa seria "a maior atrocidade já cometida no Iraque" desde a invasão liderada pelos Estados Unidos (em 2003), segundo o correspondente da BBC na região Jim Muir.

Sobrevivente

"Cavamos a primeira vala e até agora já encontramos ao menos 20 corpos. Os primeiros indícios mostram que são as vítimas do Campo Speicher", disse o perito Khalid al-Atbi, em referência à antiga base militar americana, onde os soldados foram capturados e possivelmente massacrados.

Kayla Mueller, refém norte-americana do Estado Islâmico, morreu na terça-feira (10 de fevereiro); segundo o grupo terrorista ela teria sido vítima de um bombardeio da Jordânia na Síria . Foto: APEstado Islâmico divulga vídeo onde suposto piloto jordaniano é queimado vivo em gaiola, no dia 3 de fevereiro. Foto: Reprodução/TwitterO jornalista japonês Kenji Goto foi morto pelos extremistas do Estado Islâmico no dia 30 de janeiro. Ele havia viajado para a Síria visando libertar o refém Yukawa. Foto: APImagem obtida por meio de vídeo do Estado Islâmico mostra o japonês Haruna Yukawa (à dir.), que foi decapitado em 24 de janeiro. Ele foi à Síria por ser fascinado por guerras. Foto: APO americano Peter Kassig foi identificado como o homem decapitado pelo Estado Islâmico em 16 de novembro de 2014. Ele era voluntário na Síria. Foto: ReutersNo dia 3 e outubro de 2014, o voluntário inglês Alan Henning foi decapitado pelos terroristas do Estado Islâmico. Foto: Reprodução/YoutubeVídeo mostra decapitação do refém britânico David Haines, que era voluntário na Síria e foi morto em 13 de setembro de 2014. Foto: ReutersImagem feita a partir de vídeo postado na internet pelo Estado Islâmico mostra jornalista americano Steven J. Sotloff antes de ser decapitado, no dia 2 de setembro de 2014. Foto: APInsurgentes do grupo jihadista Estado Islâmico divulgaram a decapitação do jornalista americano James Foley em 19 de agosto de 2014. Foto: Reprodução/Youtube

Um sobrevivente do massacre disse à agência Reuters que se salvou ao se fingir de morto, quando já estava coberto por sangue de seus companheiros.

"Eles atiraram em mim, mas erraram. O disparo seguinte foi para colega que estava do meu lado. Assim que ele caiu, eu também caí, me fingindo de morto. Estava totalmente coberto de sangue quando consegui me arrastar no vale", disse.

A organização de direitos humanos Human Rights Watch analisou as fotos e vídeos e calculou o número de mortos entre 160 e 190, mas deixou claro que o número poderia ser muito mais alto e que uma investigação séria na região era crucial.

As escavações só começaram agora porque apenas na semana passada as forças iraquianas e as milícias xiitas retomaram o controle de Tikrit, que fica a 150 quilômetros ao norte de Bagdá e estava nas mãos do IE.

A ofensiva para recuperar a cidade natal do ex-líder iraquiano Saddam Hussein e um dos redutos do EI no Iraque desde junho passado começou em 1º de março deste ano.

Além das forças de segurança, também participaram da operação tribos sunitas locais que se opõem ao EI.

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