EUA rejeitam condição de Israel para aceitar acordo nuclear com Irã

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Premiê Benjamin Netanyahu exige que nação persa reconheça seu país; israelenses temem que iranianos usem enriquecimento de urânio para fazer bombas nucleares

Os EUA rejeitaram, neste sábado (04), o pedido de Israel de condicionar o acordo com o Irã ao reconhecimento da nação persa ao Estado judaico. A informação, divulgada pela rede de notícias Fox News, ilustra bem o atual isolamento do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu perante a comunidade internacional, já que os norte-americanos são os principais aliados dos israelenses.

Benjamin Netanyahu discursa contra o programa nuclear iraniano, que vê como ameaça a Israel
AP
Benjamin Netanyahu discursa contra o programa nuclear iraniano, que vê como ameaça a Israel

A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Marie Harf, disse que o acordo se limita à questão nuclear, excluindo quaisquer outros pontos. Para o governo israelense, a única forma de o mundo se abrir para um entendimento com o Irã seria se os persas reconhecessem o direito de Israel de existir – algo atualmente distante, visto que o país prega a destruição do estado judaico.

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Na sexta-feira (03), um dia após o anúncio do acordo nuclear com os iranianos, na Suíça, Netanyahu afirmou que "Israel não aceitará um acordo que permite um Estado que apela à sua destruição adquirir armas nucleares". 

O porta-voz da Casa Branca afirmou não ter visto o pedido israelense, mas disse entender a postura israelense. "O presidente nunca assinará um acordo que possa ameaçar o Estado de Israel", amenizou ele. 

O presidente do Irã, Hassa Rohani, comemorou o acordo, que acaba com sanções internacionais contra os persas com a condição de o país limitar seu programa nuclear. "É um primeiro passo em direção a interações produtivas com o mundo", disse o mandatário.

Enquanto isso, o governo vizinho da Síria, que não possui relações com Israel, e o grupo terrorista libanês Hezbollah celebraram o acordo.

Barack Obama: ele afirma que acordo é melhor forma de evitar proliferação de armas nucleares
AP
Barack Obama: ele afirma que acordo é melhor forma de evitar proliferação de armas nucleares

"Apreciamos os esforços dos feitos pelos representantes do governo iraniano em favor do direito legítimo do país de usar energia nuclear de forma pacífica", divulgou a agência estatal de Damasco. O presidente da Síria, Bashar al-Assad, é grande aliado dos iranianos. 

Também aliado do Irã, o Hezbollah chamou o acordo de "vitória para o destino das pessoas livres" e "vitória contra a rejeição de dependência do Ocidente". "É um reconhecimento de seu status e de seu papel na região e no mundo", elogiou o Secretário-Geral do grupo, Naem Kassem.

Um dos principais pontos de divergências entre Teerã, que sempre defendeu ter uma programa nuclear de fins pacíficos, e a Comunidade Internacional, era o fato do país não permitir inspeções de suas instalações.

"Se o Irã trapacear, o mundo vai saber. Se houver alguma suspeita, nós vamos fazer inspeções", destacou.

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Além disso, as tratativas preveem que o Irã interromperá seu programa de enriquecimento de urânio - com exceção da usina de Natanz -, aceitará submeter suas atividades nucleares a controles internacionais pelos próximos 25 anos e transformará a planta de Fordo em um centro de pesquisas.

Em troca, todas as sanções econômicas impostas ao país nos últimos anos e as resoluções adotadas pelo Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas (ONU) serão retiradas, mas apenas quando a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) confirmar que país cumpriu a sua parte no acordo.

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