Justiça de Israel proíbe barreira em propriedade da Igreja na Cisjordânia

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Extensão de muralha separaria convento e escola de mosteiro e cortaria vinhedo administrado por monges salesianos no vale Cremisan, perto de Belém

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A Suprema Corte de Israel proibiu a construção da barreira da Cisjordânia em uma área próxima a Belém que abriga um monastério e um convento pertencentes à Igreja Católica.

Uma longa campanha movida por palestinos contra a extensão da barreira nessa região chamou até a atenção do papa Francisco.

O governo de Israel queria construir esse trecho da barreira de separação entre Jerusalém e a Cisjordânia no Vale Cremisan, também conhecido por sua beleza natural.

Ao menos 58 famílias cristãs ficariam separadas de sua terra.

"Essa é uma vitória para todos", afirmou o Patriarca de Jerusaém, Fuad Twal. Ele sugeriu que a decisão tem um significado especial por ocorrer na Terra Sagrada, durante a Páscoa.

"Nós vínhamos sofrendo por nove anos porque poderíamos perder nossas terras. Não foi fácil obter essa decisão, por isso agradecemos a Deus".

A construção da barreira começou em 2002, durante a segunda intifada (rebelião palestina), logo após uma onda de atentados suicidas a bomba.

Israel disse que era uma medida essencial de segurança para prevenir ataques.

Contudo, palestinos entendem a medida como uma forma de israelenses tomarem suas terras, porque grande parte da barreira foi construída na Cisjordânia ocupada.

Assentamentos judeus e terras da Cisjordânia ficaram do lado de Israel. Os assentamentos são ilegais perante a lei internacional – mas os israelenses discordam disso.

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Proteção

O Ministério da Defesa de Israel disse que seu objetivo no Vale Cremisan era aumentar a proteção para os assentamentos de Har Gilo e Gilo. Para os israelenses, esses locais são subúrbios de Jerusalém.

Se tivesse sido aprovada, a barreira cortaria um monastério do século 19 e um vinhedo administrado por monges salesianos (que seriam colocados do lado de Jerusalém), além de um convento e uma escola gerida por freiras.

Autoridades israelenses disseram que haveria pontos de acesso entre os dois lados que permitiriam a palestinos acessar suas terras – passando por portões guardados por militares.

Moradores locais costumam cultivar oliveiras e frutas no vale, além de fazer churrascos e caminhadas.

Quando o papa Francisco visitou a Terra Santa no ano passado, ele se encontrou com famílias palestinas da região e prometeu que acompanharia o caso.

A Justiça israelense determinou que o Ministério da Defesa encontre um local alternativo para a construção da barreira – que cause menos problemas para a comunidade local.

O Judiciário decidiu também que as propriedades dos religiosos têm que ficar do lado palestino de uma possível barreira.

Em janeiro, a Suprema Corte suspendeu a construção da barreira de separação em Battir e Belém.

A vila foi reconhecida no ano passado como patrimônio da humanidade pela Unesco, por causa de seus antigos terraços de agricultura e sistemas de irrigação.

Porém, a barreira de separação israelense foi construída ao redor da vila de Al-Walaja, que fica entre o Vale de Cremisan e Battir.

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