Al-Shabab reivindica ataque que deixou 70 mortos em universidade do Quênia

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Ministro do Interior disse que ainda não se sabe o número total de militantes envolvidos na ação; ainda há reféns na faculdade

O ministro do Interior do Quênia, Joseph Nkaissery, disse que ataque terrorista de um grupo cuja base fica na Somália matou mais de 70 em uma universidade no nordeste do país nesta quinta-feira (2).

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Médicos ajudam ferido no hospital nacional Kenyatta em Nairobi, Quênia
AP
Médicos ajudam ferido no hospital nacional Kenyatta em Nairobi, Quênia

Cenário: Dois anos após ataque a shopping, al-Shabab volta a aterrorizar o Quênia

De acordo com Nkaissery, 79 ficaram feridos e quatro suspeitos de serem terroristas foram mortos. Ele disse aos repórteres que ainda não se sabe o número total de militantes que participaram da ação e que ainda há agentes da segurança nacional lutando contra supostos terroristas na Garissa University College.

O ministro ordenou um toque de recolher em Garissa e nos municípios vizinhos de Wajir, Tana River e Mandera. O Al-Shabab reivindicou a autoria do ataque. O número de mortos já ultrapassa as 67 vítimas fatais do ataque do al-Shabab ao Westgate Mall, em Nairobi, em setembro de 2013.

O ministro do Interior Joseph Nkaissery disse que a maioria dos estudantes de Garissa University College, que foi atacado por homens armados al-Shabab, continuam desaparecidos mais de 11 horas após o início do ataque.

"Garissa tem uma população estudantil de 815 e cerca de 60 membros do corpo docente. Até agora contabilizamos 292 alunos. Toda a equipe de funcionários foi encontrada."

Vítimas

Mesmo quando as forças de segurança encurralaram os homens armados em um dormitório da Garissa University College, onde eles estariam mantendo reféns, sobreviventes descreveram à Associated Press um cenário de horror, onde as vítimas eram mortas de maneira impiedosa a tiros e balas assobiavam pelo ar enquanto outros estudantes corriam por suas vidas.

Collins Wetangula, vice-presidente da associação de estudantes, disse que se preparava para tomar banho quando ouviu tiros vindos do dormitório Tana, que abriga homens e mulheres, a 150 metros de distância. O campus tem seis dormitórios e pelo menos 887 estudantes, disse ele.

A testemunha disse que quando ouviu os tiros se trancou no dormitório junto a outros três companheiros.

"Tudo o que ouvi foram passos e tiros. Ninguém estava gritando porque provavelmente imaginavam que o barulho levaria os pistoleiros até onde eles estariam escondidos", disse ele. "Os homens armados diziam 'sisi ni al-Shabab' (Somos al-Shabab)", disse Wetangula.

Quando os homens armados chegaram ao seu dormitório ele pôde ouvi-los abrindo portas e perguntando se os alunos eram muçulmanos ou cristãos.

"Se você fosse um cristão seria baleado no local", afirmou. "A cada explosão eu pensava que seria o próximo a morrer."

Os pistoleiros começaram a atirar rapidamente e foi como se houvesse uma troca de tiros, explicou.

"Depois, vimos homens com uniforme militar através da janela da parte de trás do quarto que se identificaram como militares quenianos", disse Wetangula. Os soldados levaram ele e cerca de 20 outros para um lugar seguro.

O Estado Islâmico é a organização terrorista mais rica do mundo. Com recursos vindos de crimes e do petróleo, os militantes administram até US$ 2 bilhões anuais. Foto: APAtuando na Faixa de Gaza, o Hamas - considerado terrorista pelo FBI -  tem renda anual de ao menos US$ 1 bilhão. Foto: Reprodução/YoutubeMilitantes das FARC, Forças Armadas Revolucionária da Colômbia, atua no país há mais de 50 anos com renda anual de até US$ 600 milhões. Foto: Reprodução/YoutubeO Hezbollah, que significa 'Partido de Deus', surgiu após invasão e ocupação do Líbano em 1982 por Israel. Grupo tem renda anual de US$ 500 milhões. Foto: Reprodução/YoutubeO movimento Taleban governou o Afeganistão de 1996 a 2001 e hoje tem renda estimada em US$ 400 milhões vindos principalmente do tráfico de drogas. Foto: Reprodução/YoutubeUma das organizações terroristas mais letais do mundo, a Al-Qaeda atua com cerca de US$ 150 milhões anuais. Foto: Wikemedia CommonsLashkar-e-Taiba, ou 'Exército dos justos', é um grupo radical islâmico paquistanês que atua no sudeste da Ásia com renda de até US$ 100 milhões ao ano. Foto: Reprodução/YoutubeNa Somália, a Al-Shabab é a maior organização militante do país e foi fundada em 2006. Hoje atua com cerca de US$ 70 milhões ao ano. Foto: APO IRA Real, facção radical do IRA, foi criado por ativistas que se opõem ao acordo de paz de 1998 e tem renda anual de até US$ 50 milhões. Foto: Reprodução/YoutubeBoko Haram, que significa 'educação ocidental é pecado', atua na Nigéria com anuais US$ 52 milhões. Foto: Reprodução/Youtube

Agostinho Alanga, um estudante de 21 anos, descreveu uma cena de pânico enquanto tiros soaram do lado de fora do seu dormitório ainda de madrugada, quando a maioria dos universitários dormia.

O tiroteio se tornou mais intenso quase imediatamente, ele disse à AP por telefone. A artilharia pesada forçou alguns alunos a ficar dentro dos dormitórios enquanto outros fugiam pelos corredores sob disparos dos militantes. Ele diz ter visto pelo menos cinco homens mascarados fortemente armados.

"Estou me recuperando da dor depois que me feri enquanto tentava escapar. Eu estava correndo com os pés descalços", disse Alanga, que foi uma das dezenas de estudantes que conseguiram escapar através de cercas arame farpado.

O ataque começou por volta das 5h30 - horário local. As orações da manhã estavam em andamento na mesquita da universidade, onde os alunos não foram atacados, disse ele.

*Com AP

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