Análise: Ataques no Iêmen elevam risco de 'guerra sectária'

Por BBC |

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Nesta sexta-feira (20), homens-bomba atacaram duas mesquitas em Sanaa durante as rezas do meio dia

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Os ataques coordenados a duas mesquitas nesta sexta-feira (20) na capital do Iêmen, Sanaa, supostamente realizados pelo grupo autodenominado "Estado Islâmico" (EI), elevam o risco de uma "guerra sectária" no país, dividido por facções islâmicas rivais.

Segundo Mohamed Yehia, correspondente do serviço em árabe da BBC, os atentados são "sem precedentes". 

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Estado Islâmico reivindica autoria do atentado em Túnis, na Tunísia

Adam Baron, analista do Conselho Europeu de Relações Exteriores, concorda. Para ele, a situação é "preocupante".

"Se o ataque realmente ter sido cometido pelo 'Estado Islâmico', isso é preocupante. O que esses ataques fizeram foi inserir um novo nível de violência sectária no Iêmen. Sempre houve ataques promovidos pela al-Qaeda na Península Arábica, mas os alvos eram normalmente políticos".

Nesta sexta-feira, homens-bomba atacaram duas mesquitas em Sanaa durante as rezas do meio dia, um dos horários mais movimentados. Quatro homens estariam envolvidos nos atentados. Eles invadiram os locais e detonaram explosivos que estavam amarrados a seus corpos.

Explosões causadas por homens-bomba mataram pelo menos 130 pessoas no Iêmen nesta sexta-feira (20/03/2015). Foto: AP PhotoAs mesquitas atacadas no Iêmen  são conhecidas por serem majoritariamente usadas pelo grupo muçulmano xiita Houthi, que controla grande parte do norte do Iêmen. Foto: AP PhotoAtaque terrorista no Iêmen: as mesquitas teriam sido atacadas por homens-bomba durante o período de orações da tarde. Foto: AP PhotoEstado Islâmico assumiu o ataque terrorista desta sexta-feira (20) que matou mais de uma centena de pessoas no Iêmen. Foto: AP PhotoSegundo relatos, homens suicidas explodiram bombas dentro de duas mesquitas na capital do Iêmen, Sanaa. Foto: AP PhotoO ataque terrorista no Iêmen, que matou mais de cem pessoas, pode ser o segundo do Estado islâmico na mesma semana – o grupo também assumiu o ataque na Tunísia. Foto: AP PhotoO Estado Islâmico teria atacado três mesquitas no Iêmen, duas na capital Sanaa e uma na cidade de Saada. Foto: AP Photo

As mesquitas eram usadas principalmente por apoiadores do movimento rebelde xiita Houti, que controla a capital do país.

'Desânimo'

O "EI", que criou um braço no Iêmen em novembro, reivindicou a autoria dos ataques.

Um comunicado foi publicado em perfis no Twitter conhecidos por divulgarem propaganda do grupo extremista. Se confirmada a autoria, será a primeira vez que o "Estado Islâmico" promove um atentado no país.

Yehia disse que a população do país observa "com desânimo" a situação que o país vive.

"Há dois governos, duas capitais. Os militares estão divididos, no meio de todo esse caos. Enquanto isso, o 'Estado Islâmico' e a al-Qaeda exploram esse caos para aumentar sua influência."

A violência sectária vem aumentando gradativamente no Iêmen. Os rebeldes Houthi, apoiados pelo Irã, governam o norte do país, incluindo a capital Sanaa.

Já o sul é controlado por correligionários do presidente deposto Abd-Rabbu Mansour Hadi, cuja base é a cidade de Aden.

O Iêmen também abriga uma facção do grupo al-Qaeda, a al-Qaeda na Península Arábica (AQAP, na sigla em inglês).

Rio de sangue

Testemunhas relataram que dois homens bomba atacaram a mesquita Badr, no sul de Sanaa.

Um deles entrou no local e detonou o explosivo em meio a dezenas de fiéis, acrescentaram testemunhas. Sobreviventes conseguiram escapar através do portão principal, onde um segundo homem bomba realizou outro ataque.

A rede de TV árabe Al Jazeera informou que o proeminente clérigo houthi al-Murthada bin Zayd al-Mahatwari, o imã da mesquita Badr, está entre os mortos.

Dois outros homens-bomba atacaram a mesquita al-Hashoosh, no norte da capital, em uma ação similar à que ocorreu no sul da cidade. Um fiel disse que foi lançado a dois metros de distância pela explosão.

"As cabeças, pernas e braços dos mortos ficaram espalhados pelo chão da mesquita", afirmou Mohammed al-Ansi à agência de notícias Associated Press, acrescendo que "o sangue corria como um rio".

Ansi afirmou que muitos daqueles que não morreram na explosão ficaram seriamente feridos pelos estilhaços de vidro que caíram das janelas da mesquita.

Hospitais da cidade fizeram um apelo para que as pessoas doem sangue devido ao grande número de feridos.

Presença crescente

A Casa Branca "condenou fortemente" os ataques, mas afirmou que não podia confirmar a autoria dos atentados.

Apesar de ser uma base da al-Qaeda na Península Arábica (AQAP), o Iêmen vem assistindo ao crescimento da presença do "Estado Islâmico" no país.

Os ataques acontecem um dia depois de confrontos sangrentos na cidade de Aden, no sul do país, entre forças leais ao presidente deposto Abrabbuh Mansour Hadi e os correligionários de seu antecessor, Ali Abdullah Saleh.

Após fugir de Sanaa no mês passado, Hadi escolheu Aden como base. Ele havia sido colocado em prisão domiciliar pelos rebeldes.

Nesta sexta-feira, aviões de guerra atacaram o palácio presidencial em Aden pelo segundo dia consecutivo, mas pessoas próximas a Hadi disseram que ele está ileso.

Saleh foi forçado a entregar o cargo para Hadi em 2011 após uma série de levantes populares, mas não perdeu força política. Ele atualmente é um aliado dos Houthis, contra os quais lutou quando era presidente do país.

 

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