Experiência e apoio de nacionalistas viram jogo para Netanyahu em Israel

Por BBC -Jeremy Bowen | - Atualizada às

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Pesquisas apontavam vitória da centro-esquerda, mas partido de atual primeiro-ministro cresceu na reta final com advertências sobre futuro do país

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No fim, as pesquisas de opinião em Israel erraram mais uma vez. O premiê, Benjamin Netanyahu, obteve uma votação muito maior do que as sondagens haviam indicado.

Com quase 99% dos votos contados, a apuração dá ao seu partido, o Likud, 30 das 120 cadeiras do Parlamento. A União Sionista, de centro-esquerda, conquistou 24.

Para formar o governo, é preciso obter 61 cadeiras. Isso significa que Netanyahu conduzirá as negociações para formar uma coalização de governo.

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O primeiro-ministro israelense na sede de seu partido, Likud, nesta terça-feira:
AP
O primeiro-ministro israelense na sede de seu partido, Likud, nesta terça-feira: "Vitória para o povo!"


Segundo uma nota do Likud, o premiê "pretende completar essa tarefa entre duas a três semanas".

Quando as urnas foram fechadas, seu principal adversário, Yitzhak Herzog, líder da União Sionista, disse acreditar que o resultado ficaria perto de um empate - o melhor resultado para a esquerda em mais de 20 anos.

Mas durante a noite, à medida que os resultados iam sendo divulgados, Netanyahu e seu partido emergiam como claros ganhadores do pleito.

As pesquisas indicavam a vitória folgada de Herzog. Ele cresceu, ao longo da campanha, ao focar em questões sociais e econômicas. Teria sido um resultado sensacional para a esquerda israelense, fora do poder há uma geração.

Netanyahu era o claro favorito em dezembro, quando convocou as eleições antecipadas, mas viu os adversários crescerem nas pesquisas em questão de poucos meses.

Mas, mesmo com a derrota, Herzog já se estabeleceu como o líder indiscutível do seu partido.

Avisos e promessas

Benjamin Netanyahu tem dominado a política israelense pela maior parte dos últimos 20 anos.

Ele foi considerado carta fora do baralho muitas vezes desde que seu primeiro mandato como primeiro-ministro terminou em uma derrota humilhante na eleição de 1999.

Este ano, nos últimos dias da campanha, ele demonstrou mais uma vez porque é um político habilidoso.

O primeiro-ministro reduziu a diferença com a União Sionista de Herzog, e, em seguida, superou-a ao dirigir seu discurso à direita israelense ultranacionalista, com uma série de advertências sombrias sobre as eventuais consequências para Israel de sua derrota.

Sabendo que árabes com cidadania israelense têm direito a voto - e dificilmente votariam nele - ele precisava garantir a presença do eleitorado de direita nas urnas.

Netanyahu fez promessas com potencial de piorar as relações de Israel com os Estados Unidos e a Europa.

Ele prometeu milhares de novas casas para colonos nos territórios ocupados. E disse que não iria permitir que os palestinos tivessem um Estado.

Tanto EUA como Europa defendem a paz por meio da solução de dois Estados. As relações com a Casa Branca durante um quarto mandato de Netanyahu como primeiro-ministro podem ser ainda mais gélidas do que já são.

No final, a experiência de Netanyahu na persuasão política e resolução de disputas internas - e seu apoio entre os nacionalistas -, acabou fazendo a diferença.

Mas Herzog despontou na campanha com talentos que seus adversários desconheciam, e se tornou um nome de grande respeito no panorama político do país.

Os principais nomes

Benjamin Netanyahu: A vitória de seu partido Likud deve significar um novo mandato para o veterano político. Sua postura linha-dura em relação aos palestinos e ao Irã fez dele uma figura popular entre a direita, mas controversa no país.

Yitzhak Herzog: Um dos líderes da coligação centro-esquerdista União Sionista, Herzog acusou o Likud de piorar o padrão de vida dos israelenses e atacou a política externa de Netanyahu.

Tzipi Livni: A outra líder da União Sionista, Livni é uma defensora importante da busca de mais cooperação com a Autoridade Palestina.

Moshe Kahlon: Ocupante do ministério do Bem-Estar e das Comunicações pelo Likud no governo Netanyahu, o partido de centro-direita Kulanu, de Kahlon, pode ter papel importante em uma coalizão.

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