Tanzânia prende 225 feiticeiros acusados de matar albinos em rituais de magia

Por Agência Brasil |

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Albinos do país africano são constantemente atacados; alguns acreditam que seus órgãos têm poderes mágicos

Agência Brasil

A polícia da Tanzânia anunciou nesta quinta-feira (12) a detenção de 225 feiticeiros e adivinhos em uma megaoperação feita em várias partes do país africano. A ação busca parar a onda de ataques e assassinatos de albinos. Segundo a agência de notícias France-Presse, que cita o porta-voz da polícia, Advera Bulimba, a intervenção policial vai ser ampliada para todas as 30 regiões do país.

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Na Tanzânia, os albinos são alvo de ataques regulares, vítimas de crenças que atribuem poderes mágicos aos seus órgãos. De acordo com os políticos, os corpos são utilizados por feiticeiros e curandeiros e vendidos por cerca de US$ 600.

Na terça-feira (10), as autoridades policiais tanzanianas detiveram sete suspeitos no âmbito do inquérito sobre a agressão a uma criança albina de seis anos, que teve uma mão cortada no fim de semana passado.

Nas mãos de feiticeiros

Em comunicado divulgado nesta quinta-feira, Advera Bulimba disse que a campanha policial tem como alvo a rede de gangsters, comerciantes e feiticeiros, acrescentando que 97 dos detidos  foram apresentados à Justiça.

A nota apelou aos líderes religiosos, anciãos tradicionais, políticos e jornalistas “para continuarem a campanha de consciencialização contra as crenças supersticiosas que estão atrasando o desenvolvimento do país”.

A adolescente Pendo Sengerema ao lado da avó em hospital da Tanzânia. Ela teve o braço decepado quando saía de casa (arquivo). Foto: Tanzania Albinism SocietyFoto de Pendo Emmanuel, menina de quatro anos que foi tirada de casa e nunca mais foi vista, na Tanzânia (dez/2014). Foto: Tanzania Albinism SocietyA Miss Tanzânia 2012 Brigitte Lyimo em campanha de inclusão com crianças albinas na Tanzânia (arquivo). Foto: Tanzania Albinism SocietyEncontro da TAS com funcionários dos governos de Dar e Salaam em região da Tanzânia (2013). Foto: Tanzania Albinism SocietyOs gêmeos Mathew e Mark, de 1 ano, no colo da mãe em um evento da TAS na Tanzânia (2013). Foto: Tanzania Albinism SocietyHomem albino é tratado em hospital da Tanzânia (arquivo). Foto: Tanzania Albinism SocietyMãe dá banho em seu filho albino na Tanzânia. Número de pessoas com essa característica é alto no país (2013). Foto: Tanzania Albinism SocietyCasamento de uma mulher albina na Tanzânia (arquivo). Foto: Tanzania Albinism Society


O anúncio de hoje foi feito poucos dias depois de o presidente tanzaniano, Jakaya Kikwete, ter considerado que os ataques em curso contra as pessoas com albinismo são atos "repugnantes e um grande embaraço para a nação". Segundo um especialista da Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 70 albinos foram mortos desde 2000 na Tanzânia.

O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, apelou hoje para que se lute contra a impunidade, após o crescimento de ataques contra albinos na África Oriental. A ONU indicou que a situação se deteriorou na Tanzânia e no Malaui.

Raptos frequentes

Nos últimos seis meses, pelo menos 15 albinos foram raptados, feridos, mortos ou vítimas de uma tentativa de rapto na África Oriental. Na última semana foram registrados três incidentes, lamentou um porta-voz do Alto Comissário, Rupert Colville, num encontro com jornalistas.

O albinismo é a ausência total de pigmentação na pele devido a fatores genéticos. A doença, hereditária, atinge um ocidental a cada 20 mil, mas afeta cerca de um tanzaniano a cada 1,4 mil devido aos casamentos consanguíneos, de acordo com especialistas.

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