Segundo um alto funcionário, Maduro denunciará as ações dos EUA pessoalmente quando se encontrar com Obama e outros líderes regionais na Cúpula das Américas, marcada para abril

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O presidente dos EUA, Barack Obama, impôs sanções a sete funcionários venezuelanos, nesta segunda-feira (9), acusando-os de cometer violações de direitos humanos e corrupção pública no país. Ele também acusou o governo de Nicolás Maduro de ser uma ameaça à segurança de sua população. 

Barack Obama: governo norte-americano pediu congelamento de bens de autoridades
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Barack Obama: governo norte-americano pediu congelamento de bens de autoridades

Todos os sancionados são do alto escalão do aparato de segurança do Estado, responsável por reprimir protestos anti-governo que abalaram a Venezuela no ano passado e por perseguir opositores.

"Ações corruptas por parte de funcionários do governo da Venezuela impedem o investimento de recursos econômicos necessários que poderiam chegar ao povo venezuelano e ser usados ​​para estimular o crescimento econômico", disse o secretário do Tesouro, Jacob Lew, em comunicado. "Essas ações também minam a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas e os direitos humanos aos quais os cidadãos venezuelanos têm direito."

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As sanções são confirmadas após o Congresso dos EUA ter aprovado uma legislação, no final do ano passado, que autoriza medidas que congelem bens e proíbam a emissão de vistos para qualquer acusado de realizar atos de violência ou violação de direitos humanos no exterior.

Diosdado Cabello, o poderoso chefe da Assembleia Nacional da Venezuela, criticou as sanções, afirmando serem mais uma prova de que os EUA tentam semear instabilidade no país sul-americano. Ele disse que o presidente Nicolas Maduro vai denunciar pessoalmente as ações dos Estados Unidos quando ele, Obama e os outros líderes regionais se reunirem Cúpula das Américas, no mês que vem.

Veja fotos dos violentos protestos na Venezuela:

"Senhor Obama, você e seus imperialistas vão ter de impor sanções a muitos venezuelanos que estão dispostos a darem suas vidas para defender a revolução bolivariana e o projeto iniciado pelo Comandante Hugo Chávez", disse Cabello em um comício de simpatizantes do governo.

Maximilien Sanchez Arvelaiz, o principal diplomata venezuelano em Washington, foi chamado para Caracas para consultas imediatas, nesta segunda-feira (9). As duas nações não trocam de embaixadores desde 2010.

As tensões entre EUA e Venezuela só têm aumentado nos últimos meses. No verão passado, o Departamento de Estado impôs uma proibição de viagens a funcionários venezuelanos acusados ​​de abusos durante protestos de rua que deixaram dezenas de mortos.

Na semana passada, a Venezuela deu aos EUA duas semanas para reduzir a sua missão diplomática no país para menos de 20% de seu tamanho atual. Os norte-americanos criticaram os sul-americanos pela atitude.

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Ainda assim, os EUA seguem mantendo laços econômicos profundos com a Venezuela, em particular no setor da energia. De acordo com a Secretaria de Estado, a nação sul-americana foi um dos cinco principais fornecedores de petróleo estrangeiro para os norte-americanos.

Veja abaixo quais são os funcionários sancionados:

-Antonio José Benavides Torres, comandante da Força Armada Nacional Bolivariana e ex-diretor de operações GNB Venezuela

-Gustavo Enrique González López, diretor-geral do Serviço Nacional de Inteligência Bolivariana da Venezuela. Os EUA dizem que ele é responsável por atos de violência e outros abusos de direitos humanos contra manifestantes anti-governo

-Justo José Noguera Pietri, presidente da Corporação Venezuelana de Guayana, entidade estatal, e ex-comandante-geral da GNB

-Katherine Nayarith Haringhton Padron, procurador nacional que acusou vários membros da oposição de conspiração 

-Manuel Eduardo Pérez Urdaneta, diretor da Polícia Nacional Bolivariana da Venezuela. Os EUA dizem que a polícia têm se envolvido em "atos significativos de violência que constituem um grave abuso ou violação dos direitos humanos"

-Manuel Gregorio Bernal Martínez, chefe da 31ª Brigada Blindada de Caracas do Exército Bolivariana da Venezuela e ex-diretor-geral dos serviços de inteligência nacionais. Ele era chefe de inteligência em 12 de fevereiro de 2014, quando oficiais dispararam suas armas contra manifestantes matando duas pessoas perto do gabinete do Procurador-Geral da República

- Miguel Alcides Vivas Landino, inspetor-geral das Força Armada Nacional Bolivariana da Venezuela

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