Um ano depois, sonda procura avião desaparecido em área 9 vezes maior que SP

Por BBC | - Atualizada às

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Voo MH370 da Malaysia Airlines sumiu com 227 passageiros e 12 tripulantes a bordo na madrugada de 8 de março de 2014

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"Temos de acreditar que encontraremos algo", diz Brady Hernandez, um americano do Estado da Louisiana com um sotaque sulista "carregado". "Só não sabemos se vamos conseguir."

Relembre o drama das famílias dos passageiros que estavam no MH370:

Parente de passageiros chineses do voo desaparecido chora em frente de jornalistas em hotel em Sepang, Malásia (19/3). Foto: APParente de passageiros chineses de voo desaparecido da Malásia usa celular para assistir à coletiva sobre o caso em Pequim (17/3). Foto: APOficial das Forças Armadas do Vietnã olha pela janela durante buscas pelo voo desaparecido da Malaysia Airlines (14/3). Foto: APHomem observa telão mostrando diferentes decolagens no Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur, Malásia (13/3). Foto: ReutersParentes dos passageiros a bordo do voo desaparecido da Malaysia Airlines deixam sala de hotel após reunião com oficiais malaios, em Pequim, China (12/3). Foto: APFotos de passageiros do voo da Malaysia Airlines que desapareceu no sábado são mostradas em coletiva em Chennai, Índia (12/3). Foto: APDiretor geral do departamento de aviação civil da Malásia, Azharuddin Abdul Rahman, explica rota do avião em coletiva de imprensa (10/03). Foto: APMembro da tripulação da Marinha indonésia observa águas na fronteira da Indonésia, Malásia e Tailândia durante buscas por avião (10/3). Foto: APParentes dos chineses a bordo do avião desaparecido da Malaysia Airlines aguardam notícias em sala de um hotel de Pequim, China (10/3). Foto: APMancha de óleo encontrada no fim de semana ao sul do Vietnã provou não ser de avião (9/3). Foto: APEquipes de resgate participam das buscas por vestígios do avião desaparecido com 239 pessoas a bordo (9/3). Foto: APEquipes de resgate participam das buscas por vestígios do avião desaparecido com 239 pessoas a bordo (9/3). Foto: APEquipes de resgate participam das buscas por vestígios do avião desaparecido com 239 pessoas a bordo (9/3). Foto: APEquipes de resgate participam das buscas por vestígios do avião desaparecido com 239 pessoas a bordo (9/3). Foto: APParentes de passageiros do voo da Malaysia Airlines desaparecido aguardam por informação das buscas (9/3). Foto: APParentes de passageiros do voo da Malaysia Airlines desaparecido aguardam por informação das buscas (9/3). Foto: APParentes de passageiros do voo da Malaysia Airlines desaparecido aguardam por informação das buscas (9/3). Foto: APParentes de passageiros do voo da Malaysia Airlines se desesperam à espera de informação das buscas (9/3). Foto: APJornais trazem informações do desaparecimento do avião na Malásia (9/3). Foto: APMovimentação no aeroporto de Pequim no domingo (9/3). Foto: APParente de passageiros do voo da Malaysia Airlines desaparecido aguarda informação das buscas (9/3). Foto: APParentes de passageiros do voo da Malaysia Airlines desaparecido aguardam por informação das buscas (9/3). Foto: APParentes se desesperam com falta de informações sobre voo desaparecido (9/3). Foto: APParentes de passageiros do voo da Malaysia Airlines desaparecido aguardam por informação das buscas (9/3). Foto: APParentes de passageiros do voo da Malaysia Airlines desaparecido aguardam por informação das buscas (9/3). Foto: APParentes de passageiros do voo da Malaysia Airlines desaparecido aguardam por informação das buscas (9/3). Foto: APFamiliares de passageiros se desesperam com o sumiço do voo da Malaysia Airlines (8/3). Foto: ReutersFamiliares de passageiro no aeroporto de Pequim, na China (8/3). Foto: ReutersFicha do avião de passageiros da Malásia que desapareceu com 239 pessoas a bordo (8/3). Foto: DivulgaçãoAvião como o desaparecido na Ásia (8/3). Foto: APO primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, chega ao centro de recepção para a família e amigos dos passageiros a bordo da aeronave (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APMapa mostra a última posição informada do voo MH370 (8/3). Foto: APO ministro dos Transportes da Malásia, Hishammuddin Hussein, à direita, fala durante coletiva (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam por informações do vôo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim. Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APNotificação no Aeroporto Internacional de Pequim avisando de atraso do voo MH370, da Malaysia Airlines (8/3). Foto: APExecutivo da Malaysia Airlines dá informações sobre as buscas para os jornalistas (8/3). Foto: APPlaca de pouso no Aeroporto Internacional de Pequim, na China, aponta atraso na chegada de avião de passageiros de companhia da Malásia (8/3). Foto: AP

Decorrido há exatamente um ano, no dia 8 de março de 2014, o maior mistério da história da aviação permanece sem resolução. E Hernandez sabe disso melhor do que ninguém. Ele é um dos coordenadores da equipe de buscas pelo voo MH370, da Malaysia Airlines.

O americano fala no convés do Fugro Supporter, um dos quatro navios envolvidos na missão de tentar localizar o Boeing 777, que sumiu com exatamente 227 passageiros e 12 tripulantes a bordo.

Ele parece bem relaxado para alguém que acaba de voltar para o porto de Perth, na Austrália, depois de sete semanas em alto-mar, no Oceano Índico.

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Seis dias
"Não é tão ruim assim", diz Hernandez, sorrindo. Mas é. A zona de buscas pelo MH370 é um dos locais mais remotos do mundo. Fica a 1.800 km da costa Oeste da Austrália e apenas a jornada marítima até a região dura seis dias, mesmo com os navios em velocidade máxima.

Na mais recente viagem, a tripulação de 40 pessoas do Fuggro Suppporter passou por maus bocados. "O mar estava revolto e havia muitos ventos", recorda Mike Dixon, ex-oficial da Marinha Britânica. Ele conta que o navio enfrentou dois ciclones que fizeram as ondas chegarem a 15 metros de altura no Oceano Índico.

Um dos quatro navios utilizados na busca pelos destroços: prejuízo de mais de US$ 40 milhões
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Um dos quatro navios utilizados na busca pelos destroços: prejuízo de mais de US$ 40 milhões

O mau tempo é apenas um dos fatores que dificultam ainda mais a missão de busca. Para começar, a área é calculada de acordo com os últimos dados de satélite sobre a localização do avião. E ela possui 60 mil quilômetros quadrados, com o equipamento de buscas submarinas operando em velocidades comparáveis às de uma caminhada.

"Nove São Paulos"
Imagine, então, alguém caminhar por uma área quase nove vezes maior do que a região metropolitana de São Paulo à procura de alguma coisa. E agora imagine fazê-lo em águas de até 5 mil metros de profundidade.

"Temos um alvo muito pequeno numa área muito extensa", diz Dixon. "Um avião pode parecer grande quando alguém o vê no solo, mas em relação à area em que estamos procurando ele é bem pequeno."

E a área de buscas é apenas parte do que se acredita ser a rota que o MH370 pode ter percorrido – o avião desviou do plano de voo original, entre Kuala Lumpur, na Malásia, e Pequim, na China.

Um erro mínimo nos cáculos pode simplesmente significar que os navios estão procurando pelo Boeing 777 no lugar errado.

Veículo submarino autônomo é implantado no Índico para auxiliar nas buscas, em abril passado
AP
Veículo submarino autônomo é implantado no Índico para auxiliar nas buscas, em abril passado

Sendo assim, é preocupante pensar que mais de 40% da chamada "zona prioritária" tenha sido vasculhada sem nada ter sido encontrado. Mas, para as equipes envolvidas nas buscas, não faz sentido pensar de forma negativa.

"Se a orientação foi que a atual zona é o melhor lugar para procurarmos o avião, então temos de fazê-lo", diz Brady Hernandez.

Os navios usam dois tipos de equipamentos. O primeiro é chamado tow fish, um sonar submarino atrelado ao um cabo de 10 km de comprimento. É usado para mapear o fundo do oceano.

Se o tow fish detecta algo de interesse, as equipes de resgate podem enviar um submarino-robô, chamado de AUV, que custa US$ 10 milhões.

O veículo é ocupado com uma câmera em preto e branco, além de sonar e sensores que podem detectar na água vestígios de óleo, combustível de avião e outros produtos químicos.

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O problema é que o mini-submarino não pode ser usado em dias de tempo ruim, pois ele não fica atrelado ao barco e pode se perder. Por isso, vários dias de busca acabaram perdidos por causa de tempestades.

Os custos das buscas podem já ter passado dos US$ 40 milhões, segundo estimativas da BBC. Durante a semana, o premiê australiano, Tony Abbott, deu a entender que os esforços de busca ser reduzidos pois "não poderão continuar para sempre".

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