Com mensagens em calcinhas, mulheres fazem campanha contra machismo e violência

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"Só os fracos usam a violência", escreveu uma das participantes

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São fotografias de mulheres com calcinhas. Mas não do tipo tão comum em propagandas. As imagens buscam transmitir uma mensagem bem diferente das usadas pela publicidade.

As fotos foram uma resposta à convocação feita pelo artista Alexsandro Palombo, que buscava realizar uma campanha contra a violência sexual por causa do Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8).

Palombo pediu que mulheres de todo o mundo escrevessem mensagens em calcinhas contra o machismo e a violência de genêro.

"Mulheres são guerreiras. Livrem-se dos molestadores". Foto: Alexsandro PalumboPare a violência contra a mulher; envie-nos sua mensagem breve. Foto: Alexsandro Palumbo"Olhe-me nos olhos". Foto: Alexsandro Palumbo"Estupro, não". Foto: Alexsandro Palumbo"Nós somos muito mais do que isto". Foto: Alexsandro Palumbo

No mundo, mais de um terço das mulheres já sofreram algum tipo de violência física ou sexual, de acordo com um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS).

No Brasil, o número de casos de estupro (com vítimas homens e mulheres) chega a 50 mil por ano.

O resultado deste esforço foi uma série de fotos compartilhadas junto com a hashtag #BriefMessage (messagem breve, em inglês).

"Somo muito mais do que isso", escreveu uma das participantes, destacando a parte inferior da peça com um quadrado vermelho.

"Só os fracos usam de violência", afirmou outra, denunciando agressões contra mulheres.

"Não sou um objeto, mas uma pessoa", destacou uma terceira.

Feminicídio
Esta questão foi tema de uma nova lei aprovada no Congresso na última semana.

O texto prevê penas mais duras para o assassinato de mulheres "por razões da condição de sexo feminino" - o chamado "feminicídio".

Ela inclui o feminicídio no Código Penal como homicídio qualificado, cuja pena pode variar de 12 a 30 anos - uma punição mais severa, portanto, do que a prevista para homicídio simples (de 6 a 20 anos).

Leia também:

- Machismo no Judiciário deve limitar efeito da lei do feminicídio

- Feminismo passa a ser considerado crime hediondo

O país já tinha uma legislação contra a violência doméstica contra a mulher.

Criada em 2006, a Lei Maria da Penha estabelece não só punições, mas prevê também políticas públicas de prevenção e para melhorar o atendimento e proteção das vítimas.

A inclusão do novo crime no Código Penal foi amplamente comemorada por movimentos feministas, mas muitos acreditam que haverá dificuldades no cumprimento da disposição legal.

A lei deve ser sancionada pela presidente Dilma Rousseff nesta segunda-feira (8).

Estupros no Brasil
No Brasil, 50.320 mil casos de estupros (o que inclui mulheres e homens entre as vítimas) foram registrados em 2013 pela polícia, de acordo com 8º Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado em novembro de 2014.

O número é ligeiramente superior ao de 2012, quando houve 50.224 casos, mas a média por 100 mil habitantes caiu de 25,9 para 25.

Ainda assim, o estudo destaca que apenas 35% das vítimas costumam denunciar o crime, o que poderia fazer com que o número de casos no Brasil chegasse a 143 mil.

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