Estado Islâmico promove onda de destruição de patrimônio histórico no Iraque

Por BBC | - Atualizada às

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Além de destruir estátuas por alegarem ser "falsos deuses", grupo também furta peças para vender no mercado negro

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O grupo extremista islâmico autodenominado Estado Islâmico (EI) começou a destruir mais um sítio arqueológico no norte do Iraque, segundo fontes curdas. A antiga cidade de Hatra foi fundada durante o império parta, há mais de dois mil anos, e é considerada pela Unesco, órgão da ONU, um patrimônio histórico da humanidade.

Rosto de mulher esculpido em Hatra: local está sendo demolido por rebeldes, dizem autoridades
AP
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No início desta semana, militantes do grupo começaram a demolir as ruínas da cidade de Nimrud, antiga capital do império assírio fundada no século 13 a.C. O EI também divulgou na semana passada um vídeo em que destruía artefatos assírios em um museu em Mosul, cidade localizada a 30km de Nimrud.

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Relatos ainda dão conta de que extremistas incendiaram uma biblioteca na mesma cidade, junto com mais de 8 mil manuscritos. Essa onda de destruição de patrimônios históricos e culturais gerou revolta entre autoridades e pesquisadores. "Eles estão apagando nossa história", disse o arqueologista iraquiano Lamia al-Gailani.

Falsos deuses
No controle de grandes áreas na Síria e no Iraque, o grupo extremista segue uma vertente radical da sharia (lei islãmica) segundo a qual estátuas são usadas para idolatrar falsos deuses.

Ao mesmo tempo, o EI pôs à venda alguns artefatos no mercado negro, transformando antiguidades em uma importante fonte de renda para o grupo, junto com o petróleo e sequestros.

O primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, prometeu punir os responsáveis. "Esses bárbaros, terroristas criminosos, estão tentando destruir o patrimônio da humanidade", disse ele. "Vamos persegui-los para fazer com que paguem por cada gota de sangue derramada no Iraque e pela destruição da civilização do Iraque.''

Veja quais são os dez grupos terroristas mais ricos do mundo:

O Estado Islâmico é a organização terrorista mais rica do mundo. Com recursos vindos de crimes e do petróleo, os militantes administram até US$ 2 bilhões anuais. Foto: APAtuando na Faixa de Gaza, o Hamas - considerado terrorista pelo FBI -  tem renda anual de ao menos US$ 1 bilhão. Foto: Reprodução/YoutubeMilitantes das FARC, Forças Armadas Revolucionária da Colômbia, atua no país há mais de 50 anos com renda anual de até US$ 600 milhões. Foto: Reprodução/YoutubeO Hezbollah, que significa 'Partido de Deus', surgiu após invasão e ocupação do Líbano em 1982 por Israel. Grupo tem renda anual de US$ 500 milhões. Foto: Reprodução/YoutubeO movimento Taleban governou o Afeganistão de 1996 a 2001 e hoje tem renda estimada em US$ 400 milhões vindos principalmente do tráfico de drogas. Foto: Reprodução/YoutubeUma das organizações terroristas mais letais do mundo, a Al-Qaeda atua com cerca de US$ 150 milhões anuais. Foto: Wikemedia CommonsLashkar-e-Taiba, ou 'Exército dos justos', é um grupo radical islâmico paquistanês que atua no sudeste da Ásia com renda de até US$ 100 milhões ao ano. Foto: Reprodução/YoutubeNa Somália, a Al-Shabab é a maior organização militante do país e foi fundada em 2006. Hoje atua com cerca de US$ 70 milhões ao ano. Foto: APO IRA Real, facção radical do IRA, foi criado por ativistas que se opõem ao acordo de paz de 1998 e tem renda anual de até US$ 50 milhões. Foto: Reprodução/YoutubeBoko Haram, que significa 'educação ocidental é pecado', atua na Nigéria com anuais US$ 52 milhões. Foto: Reprodução/Youtube

Força política e cultural
O império parta era uma grande força política e cultural no Iraque antigo. No seu auge, no século II A.C., seu território cobria uma região que hoje vai do Paquistão à Síria.

Localizada a 110km a sudoeste de Mosul, Hatra era uma cidade fortificada que resistiu a ataques do império romano graças às suas muralhas e torres. Mas agora, segundo Said Mamuzini, do Partido Democrata Curdo, os militantes começaram a destruí-la com pás.

"A cidade de Hatra é grande, e muitos artefatos estavam protegidos em seu interior", explicou Mamuzini, acrescentando que extremistas já haviam retirado o ouro e a prata que havia no local.

Crime de guerra
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, considerou a destruição um "crime de guerra", disse seu porta-voz.

Na semana passada, o Conselho de Segurança da ONU proibiu todo o comércio de artefatos históricos vindos da Síria e acusou militantes do grupo extremista de saquearem a herança cultural para aumentar sua capacidade de "organizar e realizar ataques terroristas".

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"Isso deixa claro que nada está a salvo da limpeza cultural em curso no país", afirmou Irina Bokova, diretora da Unesco. 

Esta não é a primeira vez que patrimônios históricos da humanidade são destruídos por extremistas. Em 2013, militantes no Mali incendiaram bibliotecas onde eram guardados manuscritos históricos. E, em 2001, o Taleban explodiu estátuas conhecidas como Budas de Bamiyan, que datavam do século VI.

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