Em meio à crise, falta de Chávez acirra ânimos na Venezuela

Por Ansa |

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Chávez morreu aos 58 anos, no dia 5 de março de 2013, em decorrência de um câncer reincidente na região pélvica

Há exatamente dois anos depois da morte do líder venezuelano Hugo Chávez, o país passa por uma severa crise econômica e política, deflagrada após uma série de problemas estruturais e intensificada devido à ausência do ex-presidente, de acordo com especialistas consultados pela Ansa.

O professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC) e autor de dois livros sobre a Venezuela, Gilberto Maringoni, explicou que a crise na Venezula é "mais do que uma crise de governo". "É um crise econômica estrutural. Não depende de governo algum, não depende de governante".

Hugo Chávez morreu há dois anos (arquivo)
AP
Hugo Chávez morreu há dois anos (arquivo)

Porém, a falta de carisma e liderança do atual presidente, Nicolás Maduro, pode ter ajudado a acentuar a crise e levar parte dos opositores às ruas. De acordo com Maringoni, a popularidade de Chávez funcionava como um amortecedor de tensões.

"Maduro é infinitamente mais fraco que Chávez dentro do governo e diante da população. Nesse momento, faz falta a figura de Chávez", afirmou.

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Já o especialista Pedro Barros, professor de Economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e titular da missão do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) na Venezuela entre 2010 e 2014, ressaltou, porém, que as dificuldades de Caracas vão além da ausência de Chávez.

"A Venezuela é um país dependente de um produto único de exportação, o petróleo, e houve queda dos preços em aproximadamente 50% nos últimos seis meses", comentou.

"Em 2012 e 2013, os gastos públicos aumentaram bastante. A inflação é crescente e o problema é garantir que as conquistas sociais não se percam em um momento de mais instabilidade econômica", apontou.

Para o economista venezuelano Pedro Palma, ex-presidente de Academia Nacional de Ciências Econômicas, "já havia uma situação [de crise] se armando antes de 2012, mas em 2015 chegou a níveis críticos".

"Entramos em 2015 em uma situação realmente dramática, mais do que nunca, com enormes desequilíbrios e uma inflação que deve superar 100%. E o governo segue sem tomar as medidas para afrontar os graves problemas", criticou. Ainda segundo ele, existe uma situação de conflito social crescente, pois a população está farta. "Há um desabastecimento massivo, não se produz nada, não se pode importar pela falta de dólares".

Diante disso, o especialista não descarta a possibilidade de um golpe de Estado. "Aqui pode acontecer qualquer coisa. A situação é extremamente grave e isso não pode continuar indefinidamente, não pode continuar piorando diariamente. O ambiente está muito carregado e a situação está realmente perigosa", concluiu.

Nas semanas que antecederam ao aniversário de morte de Chávez, o atual governo denunciou uma série de conspirações e até uma tentativa de golpe de Estado por parte da oposição.

Em fevereiro, o prefeito da Caracas, o opositor Antonio Ledezma, foi preso em seu escritório por agentes do Serviço Bolivariano de Informação (Sebin), considerado o serviço secreto da Venezuela. Acusado de crimes contra o país, Ledezma é um dos homens mais próximos a Leopoldo Lopez, preso há um ano por incitar protestos contra o governo.

Chávez faleceu em 5 de março de 2013, em decorrência de um câncer reincidente na região pélvica. Ele tinha 58 anos.

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